O novo Ashram minimalista

quarta-feira, 30 de junho de 2010

As bandeiras por terra, em sinal de respeito



If I should die, think only this of me:
That there's some corner of a foreign field
That is forever England. There shall be
In that rich earth a richer dust concealed;
A dust whom England bore, shaped, made aware,
Gave, once, her flowers to love, her ways to roam;
A body of England's, breathing English air,
Washed by the rivers, blest by suns of home.
And think, this heart, all evil shed away,
A pulse in the eternal mind, no less
Gives somewhere back the thoughts by England given;
Her sights and sounds; dreams happy as her day;
And laughter, learnt of friends; and gentleness,
In hearts at peace, under an English heaven.

The Soldier (Rupert Brooke)

A propósito de Paraguai...




Um Paraguai muito alfacinha, da cena inicial de "The Boys from Brazil"; e o que permanece e se alterou desse "Paraguai"… belenense.

Com este calor, voltava a Maverick's


Não vi o jogo, mas dizem que foi assim:



FIFA Coloca Resultado de Espanha x Portugal sob Suspeita
A atitude da seleção portuguesa de ir a campo com apenas um único jogador (o goleiro) está sob investigação da FIFA. A FIFA suspeita de dinheiro do ECB pagando a farra dos jogadores portugueses que, liderados por Cristiano Ronaldo, foram a um bem conhecido prostíbulo local e não se apresentaram para o jogo.
A delegação portuguesa afirma que a decisão de jogar com apenas um único jogador visava poupar aos demais para o confronto seguinte. Após o jogo o técnico português confirmou que subestimou o adversário, e que deveria ter ido a campo com pelo menos 3 jogadores.
O jogo foi nervoso com a Espanha atacando, e o goleiro português puxando rápidos contra-ataques. Mas justamente quando o goleiro português era melhor em campo, um contra-ataque espanhol conseguiu abrir o placar (gol em completo impedimento não marcado pela arbitragem). Depois disso o técnico espanhol colocou três zagueiros em campo para garantir o resultado. O goleiro português ainda pressionou, mas não conseguiu empatar a partida. Ao final o goleiro português desabafou: “Se ao menos eu tivesse alguém para bater o lateral pra mim....”.

++++

Todo o mundo vai lembrar as vuvuzelas. Eu lembrarei a claque do Paraguai (na foto)
 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Starbucks na Estação do Rossio



Surpresa das surpresas, um Starbucks no piso térreo da Estação do Rossio! Claro que o café é péssimo, os batidos são sofríveis e os bolos lá redimem a coisa. Mas o ambiente… Que espectáculo! Uns minutos ali e começamos a ver mentalmente desfilar a Lisboa queirosiana, a balbúrdia na Brasileira, no Martinho e no Suisso (e mais tarde o Gelo, o Comodoro, o Montanha, e tantos outros), os olhos todos postos no bocal de civilização que era a Estação Terminus. Os tintinábulos de tipóias, de máquinas resfolegantes, de pregões, de correrias, tudo lambuza a imaginação, como se naquelas vidraças pudesse assomar subitamente uma Lisboa que o tempo envergonhou.
Até o café manhoso, de textura e sabor a bílis de boi (vulgo mixórdia), não deixa de evocar a chicória do racionamento. Só falta mesmo o bife nervoso a nadar em fritura requentada sob um ovo mal frito e com batatas moles para estar perfeita a viagem no tempo.
Vão lá: pode mesmo ser que me surpreendam, com ar de beatitude e de azia, a sonhar no meio daquela feérie de luz, em charlas intermináveis com os meus fantasmas alfacinhas favoritos.

 

Tudo sobre o Bestiário Medieval



Um curso sobre Justiça, com Michael Sandel



Ainda e sempre: Sideways


sexta-feira, 25 de junho de 2010

De Mendoza a Santiago e um final infeliz



Para descontrair, resolvi há minutos dar uma voltinha no FSX, no meu Learjet favorito. De Mendoza para Santiago de Chile, trecho curto mas com passagem pelo Aconcagua, sempre emocionante.
Vôo quase perfeito em IFR numa rota directa GPS, a 22 mil pés (a roçar nos Andes, literalmente).
Uma primeira aproximação muito alta ao aeroporto Arturo Merino Benitez, meia-volta, flaps e spoilers no máximo, trem de aterragem em baixo, apanho o ILS e à vista da pista desligo o autopilot; permissão concedida para a pista 17, alinhamento perfeito, pouso, inverto os reactores – e o avião não trava!
Saio no final da pista, e imagino que na vida real tinha morrido toda a gente. Ao desligar o piloto automático, não reparei que o autothrottle tinha ficado ligado, e por isso não obedecia aos meus comandos.
Final infeliz para uma viagem virtual quase perfeita.

A infância dourada de Carla Bruni: Castagneto Po (interiores)


A infância dourada de Carla Bruni: Castagneto Po (exteriores)


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Voltando a um post anterior (2)


Voltando a um post anterior (1)






A jazz poet



I'm an idealist
Who has outrgrown
My idealism
I have nothing to do
The rest of my life
But do it
And the rest of my life
To do it

Mexico City Blues (Jack Kerouac)

All the lonely people, where do they all come from?


 

A dúvida de Garrincha



Em vésperas de jogo com a Rússia, o seleccionador brasileiro dava a táctica: "nós avançamos por aqui, os russos defendem deste lado, então nós aproveitamos para um passe longo para dentro da área, eles são fortes no contra-ataque, etc., etc…."
Atónito com as certezas do seleccionador, o lendário Mané Garrincha formula a dúvida que ficará imortalizada com o seu nome: "Mas o senhor combinou tudo isso com os russos?"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Couto Viana e a não-homenagem nas Cortes



Salvo o devido respeito por opiniões contrárias, bem sintetizadas no blogue Da Literatura (AQUI), acho que, com a sua recusa de homenageá-lo, as Cortes acabaram por prestar a devida homenagem a Couto Viana.
Há uns tempos perguntavam na TV a um descendente de Vasco da Gama se ele gostaria de ver o antepassado imortalizado numa estátua, e ele prontamente respondeu que preferiria deixar passar mais uns séculos até que o gosto e a sobriedade voltassem a imperar entre os escultores.
Imagino Couto Viana, na sua fina ironia, no seu distanciamento de "Grand Seigneur", rir-se dessas parvoíces ciumentas que incendeiam a imaginação – e a ignorância – dos deputados. Estou a vê-lo a agradecer a glória de o terem posto a combater com os Viriatos, estou a ouvi-lo a confirmar que se tratara de um sonho frustrado, de uma ambição de juventude.
Por mim, aplaudo a sabedoria crepuscular que tolheu à malta das Cortes o topete de uma homenagem que seria falsa, hipócrita, postiça e emporcalhadora. Grunhidos da pocilga, não obrigado, mesmo que viessem em uníssono. A desproporção de estaturas é imensa, não consente confusões nem aproximações.
Em suma, duas coisas a memória de Couto Viana dispensa: louvaminhices abrileiras e uma estátua de João Cutileiro. Essas duas podem ficar desde já reservadas, e com mérito irrecusável, para aquele gajo do prémio Nobel.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Martha Nussbaum no seu melhor


1. Don't follow a path just because that is what people expect of you. (…)
2. Don't be excessively influenced by money. (…)
3. When you encounter opposition, don't be cowed, and don't be ashamed of who you are. (…)
4. Think about the whole world, and somehow find a way to be a citizen of the world. (…)
5. Continue your education. (…)
6. Don't forget the spirit of love and joy. (…)
If there is anything that stands out in this remarkable life, it is a spirit of delight that animates it as a whole. (…) But joy makes everything you do - every argument, every new proposal -- so much more powerful. To follow this piece of advice requires considerable self knowledge, since every prescription for joy is highly individual. So think of the ways that you can keep spaces in your life for joy, and be determined that this spirit will animate your work as a whole.
On this happy day, go into the future in that spirit of adventure and delight, never stop learning, and you too will be able to say to all challengers, "Do you think I have deliberated badly about my own life?"

sábado, 19 de junho de 2010

Um grama de sabedoria





O Mahatma Gandhi tinha uma forma muito própria de exprimir, em tiradas breves, o absolutismo ético – aquilo que nós designaríamos por ética kantiana. Esta, lapidar, é-lhe atribuída (e merecia ser a 4ª versão do Imperativo Categórico): DEVEMOS SER NÓS PRÓPRIOS A REVOLUÇÃO QUE QUEREMOS VER NO MUNDO.

Pandemónio no Inferno: hoje o noticiário regressa à bola


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Alvos errados (2)



Parece que o confrade Francisco José Viegas não gosta que as senhoras católicas queiram afirmar-se politicamente. Estranha forma de polícia doxástica, algo invulgar para quem vive da própria liberdade de pensamento e de expressão. Talvez por misoginia e crispação ele se tenha lembrado de crismar essas senhoras como idiotas inúteis, um qualificativo que, em boa justiça, deveria estar rigorosamente reservado para aqueles que, em nome dos outros, se têm arrogado governarem o país desgovernando-o.
Por mim, se é para entregar mais de metade do que produzo para impostos e depois ter como resultado o arrastar do Estado para a beira da bancarrota:
1) acho que podemos dispensar os actuais governantes e aqueles que, na oposição, já demonstraram não querer senão imitá-los, e remetê-los a todos para a casota dos idiotas inúteis;
2) acho que devemos parar para escutar essas senhoras que demonstram a suprema sabedoria de quererem viver mais no registo da moral e da religião do que no da política – até porque no fim, no cemitério, a morte há-de acolher do mesmo modo os que passaram suavemente pela vida, no temor a Deus e na prática do bem, e os que se consumiram na paixão e nas miragens postiças da "coisa política", oprimindo e negando os sonhos alheios, adulterando os projectos de realização individuais;
3) acho que, se essas senhoras pudessem mandar, teriam a sabedoria de nos manterem na ilusão de que seremos nós sempre a mandarmos – uma ilusão que faz de todos os homens, e em especial daqueles que ainda veneram o bezerro d'oiro da política, um misto de idiotas e de inúteis.

Alvos errados (1)



O Confrade Combustões resolveu investir contra De Gaulle. Até parece que não sobram alvos muito mais merecedores...
De Gaulle é demasiado complexo para um juízo moral ou histórico simples. Com justiça ou sem ela, com luzes e sombras, ele conduziu a França à libertação, evitando a 25ª hora da queda no comunismo ou na guerra civil.
Ninguém alcançou o seu carisma na França do Século XX – e logo na pátria mais voltaireana, a mais refractária a carismas…
Para mim ele é um roble num horizonte de pinheirinhos mansos que, na própria geração dele, se deixaram conspurcar em conúbios ideológicos e em cobardias que ficarão a manchar a memória colectiva por muitos séculos. Rico em virtudes, abastado em defeitos, um grande homem em suma.

O Síndrome de Saipan



Desde que algumas centenas ou milhares de ilhéus japoneses, militares e civis, preferiram lançar-se de penhascos a renderem-se às forças norte-americanas que não se via um gesto tão coeso de suicídio colectivo.
Um dia os advogados portugueses acordaram debaixo do karma errado e resolveram eleger um fanático para bastonário: uma vergonha, um embaraço, o remate de um Todestrieb que talvez algum spleen fin-de-siècle possa explicar.
Agora esse último avatar chavista do Abrilismo festivo consuma a ameaça de "fechar" a Ordem dos Advogados aos jovens candidatos, como forma de perpetuar privilégios e converter em "renda" (definitiva) a "quase renda" que os obstáculos tradicionais já asseguravam.
A classe vai acabar por colher os frutos do que semeou e permitiu que se semeasse; se julgam que são capazes de perpetuar a manobra corporativista, recomendo-lhes que vão rapidamente em busca de uma qualquer rocha tarpeia. Vai tudo acabar mal.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

As cartas apócrifas de Estalinegrado



Conheci um tipo que se comovia lendo as cartas atribuídas aos últimos resistentes de Estalinegrado.
Um dia dei-lhe a ler alguns textos que provavam que todas essas cartas eram apócrifas, sem excepção.
Depois invoquei juízos de plausibilidade – como haveria a censura da correspondência de deixar passar esses desesperantes veículos de derrotismo? E como é que, nas condições animalescas dos últimos dias do Kessel haveriam os sobreviventes de dispersar as energias em comunicações que disputariam obviamente espaço e tempo com a evacuação de feridos? E os textos continham relatos de que o pouco que havia fora destruído ou abandonado (uma pilha de papéis carbonizados em holocausto no Mamayev Kurgan). As famosas cartas tinham sido forjadas nos anos 50.
A certa altura ele encolheu os ombros e, com aquela resignação dos crentes no sudário de Turim, confessou-me estar velho de mais para mudar as suas crenças.
Na altura achei aquilo de uma estupidez extrema, mas desde então tenho-me interrogado se não é exactamente isso que fazemos de cada vez que pensamos na História e nos referimos à História – não o relato "wie es eigentlich gewesen", mas uma colagem de crenças que nenhuma plausibilidade vem policiar. A História é o registo diacrónico daquilo em que queremos acreditar, tenha acontecido ou não; e, pensando melhor, o mesmo faz, à nossa memória, o mitómano que habita em cada um de nós e que procede à radical triagem das nossas reminiscências.

Arquivo do blogue