O novo Ashram minimalista
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Tropeçando na burka
A Helena Matos, uma das pessoas mais lúcidas da imprensa portuguesa e uma das bloggers cuja opinião respeito, tropeçou na burka, ou seja, enredou-se num texto obscuro que, às premissas mais ou menos consensuais, adita aquilo que pretende ser uma conclusão - mas que contradiz as premissas.
A conclusão é bizarra, pois soçobra num extremo de relativismo cultural: não devemos confundir questões de decoro, que são aceitáveis dentro de certos limites, com aquilo que, num consenso quase universal, é um aviltamento da dignidade mínima com que devem ser tratadas as pessoas – mulheres e homens.
A burka é uma aberração e um símbolo ostensivo de aviltamento, e talvez me chocasse menos se algum árabe tentasse passear as suas mulheres prendendo-as com uma trela. Não vale a pena culpar a França por ter perdido demasiado tempo a tomar uma atitude, porque todo o tempo é oportuno para abandonarmos recriminações e formarmos consensos em defesa da dignidade daqueles que são aviltados na nossa presença (sabe Deus aqueles de que não sabemos).
Há um momento em que as subtilezas e os meneios blasés e uma «nonchalance» decadentista devem parar para encararmos, na sua mais elementar crueza, estes atentados à dignidade humana. Não vamos abandonar as pobres mulheres árabes só porque, coitadas, já tiveram a má sorte de nascerem no lugar errado, e no momento errado em que a frustração civilizacional está a transformar-se num pretexto para todos os abusos e violências cometidos contra aqueles que são fisicamente, ou convencionalmente, mais fracos.
As mulheres não são objectos, não são ornamentos, não são propriedade privada de machos, não têm que ser ocultadas, silenciadas, ou mortas em vida. Talvez a Helena Matos (se entendi o seu texto) não tenha percebido bem que é precisamente isso que pretende fazer-se com o símbolo postiço da burka, ao mesmo tempo que pretende medir-se, nas provocações perpetradas no Ocidente, até que ponto alguém esboçará uma defesa dessas mulheres quando a sua ocultação, o seu silenciamento ou a sua morte em vida passarem a ser ainda menos simbólicos.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Notas de viagem: vinho e multiculturalidade e um Gentleman's Gentleman
Pergunto ao guia que tipo de vinho é o seu predilecto. Olha-me desconfiado e observa "but wine is for women, Sir!"
Perante o meu ar atónito, acrescenta "no self-respecting Goan man would ever drink anything but beer or whisky, Sir…"
Se ele tem começado ou rematado a frase com um "I'm afraid", bastaria eu ter fechado os olhos para me convencer de que estava a falar com Jeeves.
Só tratamos de assuntos de arte
"German artist Gustav Metzger's work was rubbish — literally. In 2004, the artist's installation Recreation of First Public Demonstration of Auto-Destructive Art was on display at the Tate Britain when a museum employee accidentally threw part of it away. How was he to know that the plastic bag of trash sitting next to the artwork was actually part of the artwork? The bag was later recovered, but it was too damaged to display, so Metzger replaced it (whew!) with another bag.
Metzger isn't the only artist whose work has been accidentally mistaken for junk. In 2001, Damien Hirst lost a pile of beer bottles, ashtrays and coffee cups (meant to represent the life of an artist) when a janitor at London's Eyestorm Gallery cleared it away. And in the 1980s, Joseph Beuys had a dirty bathtub scoured clean by a diligent employee in Germany who was probably wondering who had taken a bath in the middle of an art gallery." (da revista TIME)
Aqui somos Lenistas
Quem alguma vez viu um minuto de Jay Leno e um minuto de Conan O'Brien sabe que o primeiro é genial e que o segundo tem o sentido de humor… de um alemão (ou pior).
Saúda-se o regresso de Jay Leno – e nada como uma explicaçãozinha da Formosa para termos ideias nítidas quanto ao que se passou (onde é que anda o Godzilla?).
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Saldos honoris causa
A Academia da Beira Litoral recusa-se obstinadamente a aceitar o seu destino provinciano e marginal, e de vez em quando lá vai pondo mais uma moedinha no parquímetro dos fretes e dos favorezinhos.
Agora agraciaram Jorge Sampaio, aquele modesto homem com muitas razões para ser modesto, convencidos de que isso lhes servirá de alguma coisa.
A Academia não devia prestar-se a estes cházinhos embrutecedores em que uns figurões levantadotes passam a mão pelo pêlo de uns outros homenzinhos empalhadotes.
Felizmente, por uma vez posso orgulhar-me do facto de haver em Portugal quem não alinhe nas "rebajas" das honrarias.
Lições de Velha Goa
Ao guia de Velha Goa pergunto se subsistem ressentimentos da colonização portuguesa. Categórico responde que não, que só os hindús é que têm preconceitos desses, e que os cristãos de Goa têm pelo contrário saudades, tanto que procuram esquecer que os portugueses tinham por hábito mandar cortar mãos a mendigos escolhidos ao acaso, um gesto de publicidade para dissuadir o roubo…
Povo ladroeiro
Numa estrada entre Panjim e Ponda o guia, decerto inspirado pela sua própria comissãozinha, leva-me a uma loja de souvenirs. Para não o desiludir compro uma banalidade por um preço banal, mas por falta de rupias peço o preço em dólares: para me enganarem fazem um câmbio astronómico para o valor em rupias. Apercebo-me, assinalo-o, mas não insisto, que o preço em dólares parece-me aceitável. Eu saio satisfeito, mas imagino a muito mais intensa sensação de triunfo que deve ter tido aquele bando, fazendo jus a uma reputação desgraçada que já vai sendo milenar.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Alta Autoridade de meter o bedelho
A ERC é o mais rematado exemplo de uma intenção partidocrática levada ao extremo do absurdo. Liderada por um semi-académico trampolinista e composta por gente que só apressa o passo quando se trata de ir buscar a féria, a ERC tem-se empenhado tenazmente em fazer parte do problema, coisa em que converge com o que de melhor se faz em matéria de regulação. Mete o bedelho, atrapalha, estorva, mas Deus a livre de resolver seja o que for (salvo o fim do mês dos augustos Conselheiros)
Agora vão acabar por afastar da RTP o Prof. Marcelo, decerto em nome da liberdade de expressão e da independência editorial do canal público de TV. Como é sector público, para a ERC é vara larga; já se se tratasse de sector privado, para mais com fumos de Espanha, aí a entidade metia (meteu) o rabo entre as pernas. Rosna com quem pode, em suma, revelando aptidões bem darwinistas.
Ainda bem que a ERC não tem que supervisionar o saneamento básico da cidade de Lisboa: estaríamos já a chafurdar naquela matéria que jorra das cabecinhas daqueles ornamentos dourados amesendados em mais uma glória de Abril.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Adopção por Homossexual versus Adopção Gay
Anda por aí uma balbúrdia em torno do tema da adopção Gay.
Não escondo que sou contra – embora creia que, desta feita, não por homofobia (que assumo).
Todavia não vejo, no caso, necessidade de soerguer penosamente uma Teoria Geral por sobre a minha epidérmica repugnância pela consagração, ou sagração, jurídica da figura.
Acho que o argumento de que a adopção Gay é a "engorda para pedófilos" vale tanto como o argumento de que a identidade sexual, ou as preferências sexuais, dos adoptantes não são influentes na configuração da personalidade do adoptado, e até na futura determinação das suas opções.
Se houvesse Teoria Geral, deveria antes apontá-la contra a politização do assunto: a admissão de lobbies gravitando em torno de pretensas "identidades sexuais" é um recuo civilizacional, para os tempos em que se admitia a menorização cívica de pessoas ou grupos que, pela mais crua estigmatização, eram culturalmente representados como seres "sexualmente sobredeterminados", como seres predeterminados a uma espécie de servidão sexual (hoje a pornografia alimenta-se ainda desses estereótipos, sem dúvida fazendo apelo às pulsões "reptilíneas" do nosso bolbo raquidiano).
Se houvesse Teoria Geral, seria contra essa repolitização de uma vontade de "servidão ao sexo" que reemerge nas vestes de "identidade sexual", seria contra esse recuo civilizacional que se acoita numa expressão despudorada e arrogante da "power politics".
Talvez os arautos da causa tenham algum ganho com isso. Não decerto aqueles que, sem se privarem das gratificações e implicações das suas vidas sexuais, não querem ficar confinados a elas, não querem reivindicar estatutos cívicos através delas, não querem ser ghettizados por elas, não querem ser glorificados nem crucificados por elas (e menos ainda glorificados por pseudo-crucificações).
Não sou contra a adopção por um homossexual.
Sou contra a adopção por alguém que queira exibir, nesse acto de adopção, a sua condição homossexual – como se através dessa exibição esse alguém pudesse, por averbamento, alterar a qualificação jurídica (e, através dela, a qualificação moral e política) do acto.
É contra esse alarde desvirtuador que manifesto a minha repugnância – mais esse corolário da degeneração civilizacional em que se tornou a "sexual politics".
domingo, 17 de janeiro de 2010
Le Money
Lê-se que restam dois candidatos à Vice-Presidência do BCE. O candidato português destaca-se pela sua "super visão", o que o habilita especialmente para a "supervisão".
O outro candidato quem é? Será francês? Ora deixa-me adivinhar...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Mais JanSIONISTA do que nunca!
Hoje correu a notícia de que o exército israelita anda em busca da refractária Bar Refaeli (na foto).
Com mil diabos, quando assentei praça não havia taratas destas em exército nenhum do mundo!
Imagino que quando a señorita Refaeli engrossar as fileiras do exército ela vá servir para desmoralização dos fundamentalistas islâmicos – isto é, daqueles que não reservam os seus mais ternos sentimentos para a intimidade de rapazinhos, de bodes e de camelos…
Que me perdoem os empedernidos esquerdistas que ainda se comovem com a boina e a barba mal semeada do Che; e que me perdoem os empedernidos direitistas que veneravam a efígie de José António e colaram por cima, faute de mieux, o poster de Ahmadinejad: mas por aqui, com a incorporação da recruta Refaeli, completa-se a minha conversão ao sionismo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Golfinhos portugueses
Longos serões de contra-relógio dão nisto, alguns devaneios teriofílicos pensando na inteligência e na graciosidade dos golfinhos. Estes foram fotografados ao largo da Madeira. Fotos repousantes, a ver se me fazem dormir (finalmente)...
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Where have you gone, Joe DiMaggio?
A realidade imita a ficção: Mrs. Robinson seduz mais um jovem promissor. Faltaram Simon & Garfunkel, o Sol da Califórnia e alguém a dizer que o futuro está nos plásticos. O remake na Irlanda é mais triste mas mais picante, repleto que está de alusões subliminares à ilha da intolerância.
Pelo lado positivo, constatamos que na Irlanda não são só homens a seduzir os rapazinhos...
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
E de Eric Rohmer
Já me ia esquecendo - foi Eric Rohmer, mais do que ninguém, que trouxe para a grande tela aquela tensão íntima que dilacera a alma do francês educado: a perene oscilação entre a devassidão libertina e a austeridade jansenista (aparentemente nem os mais educados perceberam que Deus nunca perdoará o que os franceses fizeram dele).
No Dafundo
Enquanto na TV um ancião proclama que tudo "é derivado ao clima atmosférico", no Dafundo circula-se por todos os meios.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Sexpressions: what else?
Fomos alertados por algo que poderia prima facie ser levado à conta de atentado ao pudor: a exibição de uma cientista lusa em vários estádios (ou estadios?) de exaltação sexual.
Não se trata, contudo, de atentado ao decoro público. É que tudo indica que a Senhora deve ser adepta do pelagianismo, a noção (à época tida por herética) de que nascemos sem pecado original, visto que o não herdámos de Adão e Eva.
Logo, o que exibe em público resulta da mais edénica inocência. Dispensa-se a erecção de um pelourinho (honni soit…) para castigo da impenitência, e tolera-se a opção teológica.
Para esclarecimento dos mais incautos, ela não é, portanto, plagiadora: é pelagiana.
+++
Não nos foi possível, pelas razões supra exibidas, partilhar com os nossos leitores algumas imagens da exposição. Contudo, em câmara oculta conseguimos captar o equivalente pelágico aos estados de alma (soit-disante) da Senhora – ou seja, o equivalente oceânico.
Uma pelagiana pelágica: what else?, como agora se diz…
Lurdes Rodrigues na FLAD
Em rigoroso exclusivo, imagens da chegada da Senhora à primeira reunião da FLAD. Veja-se como ela teve que dar algumas cotoveladas para criar o seu próprio espaço.
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