O novo Ashram minimalista

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

A cores e a 3D

A Presidência com paredes de vidro
http://www.flickr.com/photos/whitehouse/

Tipo-Topografia

Quem disse que o alfabeto é uma mera invenção? Um australiano andou seis meses a observar o Google Maps, e olhem o que descobriu! (clicar para ampliar)

..., we have a problem

O excesso de solicitações é paralisante, e no meu caso embota-me a lucidez (já não sei o que disse e a quem o disse, oiço-me numa infindável repetição, aborreço-me). Se eu me fizesse cobrar por elas, estava rico.
O Ashram já serviu de muita coisa ao longo destes anos, anda na fase de servir de refúgio nos (brevíssimos) intervalos das solicitações.
[À distância, e com estas nuvens, até Houston parece bonita]

O outro lado

Há momentos em que atravessamos a mais negra das noites da angústia – julgo que acontece a todos, é um dos temperos com que nos é servida a existência, vegetaríamos se não o sentíssemos e o não sofrêssemos. Mas a vida acaba por retomar quase sempre os seus direitos por sobre as cicatrizes emotivas e os sobressaltos, e enquanto não recebemos o golpe final há sempre um inconsciente sorriso, ou uma gargalhada incontida, que surgem a interromper-nos o silêncio da resignação. Às vezes surpreendo-me à espera desse pequeno milagre de recobro. Às vezes dá-me para reconhecer que o momento é amargo.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Um intervalo de realidade

Hoje os nossos pensamentos vão para um pai aflito.

Pânico

Com a facilidade com que se transmite, mesmo que tenha uma baixíssima taxa de mortalidade a gripe «suína» pode converter-se num cataclismo. Suponha-se que se converte numa pandemia e mata apenas 1 pessoa em cada mil: teríamos 6 milhões de mortos. Compreende-se o alarme e as medidas extremas que estão a ser preparadas. LER

O Euro e o argumento dos negreiros

Num inquérito divulgado há uns dias uma maioria de concidadãos nossos revelava a sua convicção de que o Escudo nos teria protegido um pouco melhor do que o Euro do impacto da crise financeira. Isto é absolutamente certo, é o velho problema dos «choques exógenos assimétricos» nas integrações monetárias. O Euro pode ter muitas vantagens, mas apresenta este risco do «desarmamento cambial», que agora começa a revelar-se com toda a amplitude.
Tudo o que é bem-pensante (leia-se, os tachistas federalistas) veio criticar o obscurantismo do zé-povinho, ironizando até. O argumento é o de que não há alternativa para o Euro.
Conheço bem esse argumento da ausência de alternativa – o mesmo argumento que tornava uma fatalidade obedecermos aos «ventos da história», ainda quando ingenuamente, e teimosamente, perguntávamos quem eram os oráculos que determinavam a direcção desses ventos. É o argumento dos negreiros, que andaram séculos a insistir na ausência de alternativa ao esclavagismo.
Andamos sempre um pouco atordoados com a nossa circunstância, sempre um pouco avassalados com a inércia dos nossos hábitos, e a imaginação contrafactual (do que pode ser e não é, do que deve ser e não é) representa um grande esforço, um esforço que a própria falta de imaginação representa como desproporcionado e inglório.
Os eurólatras, tal como os negreiros de outrora, exploram habilmente esse atordoamento, e sobressaltam-se ao mínimo indício de inquietação alheia. Eles que se tranquilizem: ainda não é desta que o que pode ser e que o que deve ser triunfará do sentimento agrilhoado da inevitabilidade.

NY



Tóquio (um vídeo chillout *****)

Domingo, 26 de Abril de 2009

Bertrand du Guesclin à portuguesa

Pronto, com ou sem «milagres de fritura» ele já era um ponto de referência, e assim continuará - agora talvez num registo mais devoto e menos explorado pela sanha bélica do «franchising nacionalista», que se esquecia de que Álvares Pereira foi ele próprio uma importação da gesta dos proto-marechais de França, os «condes do estábulo», entre eles o magnífico Du Guesclin.

Sábado, 25 de Abril de 2009

Um retrato lapidar

"a esquerda queria distribuir, queria sonante e, sobretudo, queria poder; daí destruirem tudo, despejarem do Estado, das Forças Armadas, da Universidade e da Banca quem do ofício sabia e empurrar os meninos ricos a brincar às revoluções para o poder. Foi o que se viu. Quanto à direita, ficou como era e como é e será: absolutamente narcotizada, incapaz de abrir um livro, com sol e touros a debroar as manias de grandeza e pasmar-se perante o passado remoto que não fez ou, mais grave, não soube merecer"
COMBUSTÕES

Um dia heróico


O que mais recordo de há 35 anos é a coragem inaudita demonstrada pelas forças armadas: junto aqui dois testemunhos visuais de como a tropa se comportou heroicamente, mesmo quando emboscada e alvejada pelos tiros da reacção (olha ali os dois taratas em queda na máscara, enfrentando o IN...).
Uma palavra de apreço também para o fotógrafo, que pôs a sua vida em risco para obter estes dois instantâneos.

O 25 de Abril explicado PELO povo

Cansados de explicações do 25 de Abril AO povo, fomos ouvir o próprio povo, e percebemos não só que o 25 de Abril vive no coração do povo, mas também que a grande revolução de mentalidades está consumada!
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Na realidade, o documentário foi feito por um esquerdóide qualquer: grande tiro pela culatra!

A politologia do vocabulário básico

Nada enche mais intensamente de temor reverencial o pobre espírito deste Vosso criado do que a menção de uma profissão nova. Há minutos via na TV a reprise de um debate em que participava uma «politóloga» – ena pá, politóloga! (espero não me ter enganado na grafia da designação).
Se me perguntassem a seco o que é, eu diria que é uma mistura de uma política com uma astróloga – mas não, era uma senhora de aparência simpática e modos cuidados, de sua graça Marina Lobo. Muito afirmativa, categórica, a Senhora parecia pretender apoiar-se numa qualquer ciência: aparentemente, deduzi, na «politologia», uma espécie de «estudo científico da política» (tema empolgante, algo entre os hábitos procriativos das catatuas e as migrações do escaravelho da batata).
No melhor pano cai a nódoa, contudo: tendo alguém objectado que uma hipótese formulada pela preclara cientista não era viável, ela reponta: "se não for essa, são outras quaisqueres".
Muito bem! Para primeira introdução à «politologia», já vou confortado!
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(na foto, um politólogo em pleno esforço)

Outro que tem a mania de que é Napoleão

Leio no suplemento do Sol, e logo na capa, que o senhor Barroso pretende não receber ordens de ninguém. Dada a posição que ocupa, isso só pode significar uma de duas coisas, e ambas preocupantes:
a) que afinal virou casaca, não para a social-democracia (como os maldosos insinuavam), mas sim para o anarquismo - cansado que estava de receber ordens de maoístas;
b) que julga que é Imperador.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

A magia do «less is more»

A ligação polaca

Um duelo de gigantes

Mesma data, dias diferentes

Uma adenda a MISS_PEARLS: Shakespeare e Cervantes morreram na mesma data, não no mesmo dia. A data é 23 de Abril de 1616. Simplesmente, Cervantes morreu na data do Calendário Gregoriano (o actualmente em vigor), e Shakespeare na do Calendário Juliano (que os britânicos só abandonaram em 1752).
Shakespeare morreu, por isso, dez dias depois… na mesma data. (conferir)
Dava para um romance, e tem dado para alguma especulação – por exemplo, que ambos seriam a mesma pessoa, ou que pelo menos o Don Quixote seria do mesmo autor do teatro «shakespeareano» (nomeadamente Francis Bacon: exemplo).

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Los Dones (Borges)

Los Enigmas (Borges / Aznar)

Lisboa podia ter ficado MUITO melhor



Quando o incêndio começou, o equipamento pesado dos bombeiros não conseguiu aproximar-se por causa destes canteiros, destas aberrações estéticas que atulharam a Baixa Lisboeta, talvez a querer-lhe antecipar uma morte para a qual iam contribuindo. Um crime de lesa-Lisboa. Não me esqueci, nem esquecerei, do nome dos responsáveis: ficam para a História da Ignomínia cá do burgo.

Lisboa podia ter ficado melhor

O projecto inicial para as Amoreiras.

No meu top ten

Hubris no Dubai

Júpiter (ou São Pedro) responde à arrogância dos arranha-céus

Ils sont fous, ces japonais!

(em Osaka)

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

My Kind of Town: the Windy City





O penitente e a meretriz da Babilónia: Peter Singer na Quinta Avenida

Sobre Sir Joshua

"Of Sir Joshua Reynolds, he [Samuel Johnson] said, "Sir, I know no man who has passed through life with more observation than Reynolds.""
James Boswell, LIFE OF JOHNSON

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Wannsee II sob a égide da ONU

Dou razão à ONU: uma conferência contra o racismo (*) tem que ter participação de racistas, como o famigerado Mahmoud Ahmadinejad, pois de outro modo não se passaria das generalidades. Os críticos da excelsa organização por detrás do evento foram, portanto, longe de mais, com a exigência de que uma iniciativa desse teor se privasse do contributo precioso dos praticantes e dos especialistas. Uma pena Eichmann e Mengele já terem partido, o contributo que eles não dariam para a elaboração do comunicado final! (mais AQUI)
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(*) Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Outras Formas Relacionadas de Intolerância – conhecida, e já imortalizada, com o enternecedor epíteto «Durban-II», apesar de decorrer em Genebra (estou certo de que foi porque Genebra não quis ver o seu nome conspurcado).

Até 20 de Maio: Taurus (30º)



Domingo, 19 de Abril de 2009

Sábado, 18 de Abril de 2009

A propósito: grandes novidades sobre Cleópatra!

Lições de descaramento equilibrista

Título na imprensa:
Presidente da República falou de «empresários submissos ao poder político» e apelou à responsabilidade social dos gestores. (LER)
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Corajosa atitude, daquelas que se costuma associar aos murinos quando a escuna adorna (ou aderna).
Já agora, por cá gostávamos de saber:
a) Quem é que lhe terá financiado as campanhas eleitorais em que andou metido todos estes anos – já que, aparentemente, não foi nenhum «empresário submisso»…
b) A que instituição bancária, repleta de «empresários submissos», terá ele andado associado, no hiato que medeia entre a saída de São Bento e o ingresso em Belém…

Um negócio de mercearia que acabou em casamento


Com a extrema felicidade verbal e com a severa acutilância a que nos tem habituado, o Confrade Combustões tece algumas oportunas considerações sobre a «Nova» Europa (AQUI):
"Hoje, a Europa é aquele Petit Julien de 60 cm a urinar torrencialmente decretos, decisões, regulamentos e directivas sobre a dimensão do carapau, a percentagem de sebo dos champús, as compatibilidades electromagnéticas das máquinas de barbear, a segurança dos brinquedos, a elasticidade dos preservativos, as medidas preventivas contra a febre aftosa, a dimensão das seringas e outras coisas da mais alta relevância. Uma Europa de fulaninhos e fulaninhas rendendo culto ao positivismo de contabilidade, sem sonho e sem luz, uma Europa do miserabilismo que se esconde por detrás das gestões, dos marketings, das estatísticas sem estadística, das finanças sem economia, da politiquice sem Política. É uma pena, mas é a realidade que teima em cobrir de ridículo a Europa."
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O diagnóstico está perfeito.

Esquizofrenia no Patriarcado - ou: para onde é que afinal vai o dinheiro?


Alguma coisa não joga certo na compatibilização destas duas notícias:
1) Cardeal pede donativos para o apoio às vítimas da crise (LER)
2) Prédios de 16 andares e nova catedral à beira-Tejo (LER)
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Afinal o dinheiro destina-se a quê?

Para tirar teimas: Susan Boyle em "Cry Me a River"

Na rota dos Dharma Bums (in memoriam Jack Kerouac)



Uma voltinha por Hozomeen e Ross Lake
(clicar para ampliar)

Second Summer of Love

Jansen, o dominicano

O fim das espécies?

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Para um jovem amigo

"A baby is God's opinion that the world should go on"
Carl Sandburg

First Summer of Love

Cidades gémeas



De cima para baixo: Portland e o Monte Hood, Tóquio e o Monte Fuji, Seattle e o Monte Rainier.

Good night and good luck

From the Hollywood Hills
(clicar para ampliar)

O partido da devoção

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

5- A voz dos ímpios

"I won't take my religion from any man who never works except with his mouth"
Carl Sandburg

4- A voz dos ímpios

"The people who are regarded as moral luminaries are those who forego ordinary pleasures themselves and find compensation in interfering with the pleasures of others"
Bertrand Russell

3- A voz dos ímpios

"La religion existe depuis que le premier hypocrite a rencontré le premier imbécile!"
Voltaire

Hozomeen, North Cascades

"Hozomeen, Hozomeen, most beautiful mountain I ever seen ... but what a horror when I first saw that void the first night of my staying on Desolation Peak waking up from deep fogs of 20 hours to a starlit night suddenly loomed by Hozomeen with his two sharp points, right in my window black... Over 70 days I had to stare at it"
Jack Kerouac

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