O novo Ashram minimalista

domingo, 23 de outubro de 2011

Letargia momentânea


Percorrendo freneticamente continentes e mesmo este país neurótico de norte a sul, o Jansenista não tem tido o tempo nem a cabeça nem o talento de regressar aos banhos lustrais no jacuzzi do Ashram. Há-de voltar mais para o Natal, no tintinábulo das memórias e no silêncio dos ausentes.
Há-de voltar.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O mais comovedor discurso feminista


No matter how much women prefer to lean, to be protected and supported, nor how much men desire to have them do so, they must make the voyage of life alone, and for safety in an emergency they must know something of the laws of navigation.
(...)
The talk of sheltering woman from the fierce sterns of life is the sheerest mockery, for they beat on her from every point of the compass, just as they do on man, and with more fatal results, for he has been trained to protect himself, to resist, to conquer. Such are the facts in human experience, the responsibilities of individual. Rich and poor, intelligent and ignorant, wise and foolish, virtuous and vicious, man and woman, it is ever the same, each soul must depend wholly on itself.
(...)
Whatever the theories may be of woman's dependence on man, in the supreme moments of her life he can not bear her burdens. Alone she goes to the gates of death to give life to every man that is born into the world.
(...)
And yet, there is a solitude, which each and every one of us has always carried with him, more inaccessible than the ice-cold mountains, more profound than the midnight sea; the solitude of self. Our inner being, which we call ourself, no eye nor touch of man or angel has ever pierced.
(...)
Such is individual life. Who, I ask you, can take, dare take, on himself the rights, the duties, the responsibilities of another human soul?

Elizabeth Cady Stanton, "The Solitude of Self", 1892 (LER)

Steve Jobs

Nas primeiras páginas da sua magistral biografia de Sigmund Freud, Peter Gay sublinha que ele foi dos poucos que, graças à sua marca pessoal, morreu num mundo diferente daquele em que tinha nascido.
Pode dizer-se algo de semelhante, hoje, de Steve Jobs, um incansável criador de símbolos e de referências num mundo que se rendeu completamente a eles.
No seu discurso de Stanford foi simples e directo acerca daquilo que acaba de vitimá-lo, e com isso averbou uma vitória sublime sobre o medo.
Deixa o mundo diferente. E naquilo que se lhe pode atribuir, deixa o mundo melhor.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Desterrado e indignado

Sento-me molemente diante da televisão, aqui nestas longes terras, e vejo um painel com umas palmas espalmadas nuns moldes em bronze, e uma "curadora" (espécie que devia ser reservada à produção de queijos) a anunciar que se trata de um monumento à República.
O que é que uns cascos moldados em bronze nos dizem sobre a República?
Irá o painel disputar primazia com o imorredoiro monumento de expressionismo fálico que simboliza o 25 de Abril?
Irá a Coroa Britânica processar-os por acumularmos aberrações inestéticas num parque que ainda leva o nome do Príncipe de Gales (inexplicavelmente, ainda ninguém se lembrou de lhe chamar parque Catarina Eufémia)?
Não poderia estabelecer-se uma moratória (de um século pelo menos) na edificação de monumentos em Lisboa?
Não poderíamos exportar, a preços módicos (ou mesmo com uma subvençãozinha nossa) os nossos "artistas"?
É nestas alturas que me sinto mais luterano / calvinista / maometano: devemos abster-nos de representar ou celebrar simbolicamente as coisas que mais respeitamos. Por mim, respeito Lisboa, respeito Eduardo VII, respeito a República – gostaria que a idolatria e a iconolatria ficassem exclusivamente centradas no glorioso 25A, talvez com uma sub-secção dedicada às glórias da nossa adesão ao Euro (no pedestal gravados os discursos de 1999 a 2002, e os cascos dos europeístas em bronze).

sábado, 1 de outubro de 2011

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