O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Em cento e três anos...



O Confrade BIC_LARANJA lançou este desafio que eu achei difícil: identificar a rua. Alguém se antecipou, e restava-me imaginar o que se veria hoje daquele ângulo da Visconde de Santarém: fui ao Google Maps / Earth, tomei por referência o prédio sobrevivo (seta vermelha) e o Campo Pequeno (seta amarela) e o resto é o que se vê.
p.s.: Em tempo - no Largo do Leão há outro prédio sobrevivo, na linha recta entre a seta amarela e a seta vermelha, pintado de cores escuras em 1908 e hoje de um esplendoroso azul cerúleo (vulgo azul-cueca). Se a memória me não falha, funciona por lá uma escola que está na génese de um empório universitário. Lá ao fundo, na foto de 1908, as vertiginosas encostas da Paiã, de Famões, de Casal de Cambra, entre Odivelas e a Porcalhota.

domingo, 11 de setembro de 2011

Meditações pré-prandiais


Um novo leitor de MP3 do tamanho de uma moeda, lá dentro a discografia completa de Kurt Elling (menos de 2 GB), os novos óculos aerodinâmicos e a t-shirt mais fresquinha que já se inventou, e lá fui passear-me num clip-clop suave pelas margens do Tejo, de encontro uma vez mais aos fantasmas de atletismos passados. Algumas caras conhecidas tentando adivinhar-me por detrás dos óculos impenetráveis, uma brisa ainda suave, o Tejo vazio e eu em meditações, daquelas que só a solidão voluntária consente (ou seria a moleza da música? – tenho que substituir o Kurt Elling pelos Van Halen). Ia a pensar no documentário extraordinário que vi ontem no National Geographic HD com G.W. Bush, e no modo como aquilo confirmou que, contra a opinião das harpias do politicamente correcto, ele é uma boa pessoa e foi um grande presidente, um fazedor que substituiu o espectáculo e a retórica pela simples necessidade de responder ao imprevisto (ter que traçar o seu próprio caminho). Um interregno no circo da política, porque de vez em quando acontecem coisas verdadeiramente importantes e genuinamente graves.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Enigma de fim de dia e de fim de festa

Agora que o BCP deixou de valer mais do que uns patacos, porque é que ninguém o compra? E porque é que tanto sábio-gestor-aventaleiro deixou o banco desvalorizar-se deste modo? A quem é que isto aproveita? Sinceramente escapa-me algo.

O poderoso chefão




O título brasileiro para The Godfather ocorreu-me ao ver as imagens do neo-promotor Lula da Silva em pavoneios proto-capitalistas pelo milieu lusitano.
O homem já nem disfarça, vem à cata da comissão para "intermediar investimentos", e célere reúne com a marginalidade pseudo-empresarial do futebol e com os sorvedouros de subsídios daquilo que em Portugal passa por mundo dos negócios.

Como se dizia numa impagável versão do bunker de Hitler, "quem nunca comeu melado quando come se lambuza" (VER). Sic transit a glória da esquerda sindicalista!

O caranguejo português

Há dois tipos de pessoas no mundo: as que nasceram para facilitar e as que nasceram para atrapalhar (a vida própria e a alheia). Como nos últimos dias tenho tropeçado numa remonta infindável de empatas, é sempre com um sorriso de alívio que me cruzo com gente capaz de responder e de corresponder com eficiência e sem lamúrias. Nesses momentos chego a acreditar que nasci entre gente melhor. É uma crença fugaz, claro.

Pedido


Quando a banca implodir e nos congelarem as contas será possível eu saber com uns dias de antecedência?
Gostava de gastar o dinheiro numa viagem que nunca fiz, e que depois não farei se o sistema financeiro demorar muito a recuperar do tombo. Eu tinha algum dinheiro poupado a pensar noutras coisas. Mas agora começo a perceber que o meu dinheiro, como o dinheiro de todos, não vai chegar incólume ao fim do prazo que tinha estabelecido para a realização dessas coisas, e por isso já me contento em concretizar pequenos sonhos avulsos e mais imediatos.
Avisam-me?

21 milhões de anos atrás, uma explosão em Messier 101...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Novo Mundo, Velho Mundo


Relendo Ruy Castro (o que eu gosto de ler Ruy Castro!) e o seu Anjo Pornográfico, lembrei-me de duas observações contrastantes de Nelson Rodrigues que eu subscreveria nos meus momentos mais desanimados: "O brasileiro é um feriado", e "A Europa é uma burrice aparelhada de museus".
Touché!

Irresistível sing-along


O Brasil profundo


Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Vinicius de Moraes
 

Piauí


Uma raridade nos tempos que correm: uma revista para quem gosta de ler!
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Espetada ortográfica


Vinha a ler um jornal da linha do novo acordo ortográfico e deparo-me com uma notícia de um evento com "espetadores". Pensei de imediato numa sorte de varas, ou de bandarilhas, até que caí em mim e percebi que tinha sido a raiz "spec" a ser toureada. Isto vai ser muito, muito difícil. É a troika que impõe o acordo ortográfico?

Festim de pedra


A história conta-se em poucas palavras: o predador envelheceu, e na última conquista as coisas correram mal; juntou aditivo ao combustível para ajudar ao arranque do motor (se é que me faço entender) e acabou no Hospital. Em pânico, regressou com juras de amor eterno a todas as que se lhe tinham cruzado no caminho, e uma aceitou essa remate crepuscular. Seria cómico se não fosse tão patético. Como quase tudo na vida.

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