O novo Ashram minimalista

domingo, 18 de setembro de 2011

DSK: ele é bom rapaz, um pouco tímido até


O varrasco já começou a admitir, pianinho: diz que cometeu uma falta moral mas que não houve violência, sendo portanto que está a jogar com a semântica de "violência" (claro, o que não é violência para ele pode ser violência para a vítima, mas isso não interessa); pouco antes já finalmente tinha admitido ter tentado beijar a jornalista francesa, para acrescentar que se sente caluniado (de quê? quer-nos fazer acreditar que, se tem havido receptividade, teriam ficado pelo beijo casto?).
Voltemos à "faute morale": em que consistirá ela se não houve violação frustrada? Pedirá ele desculpa de quê? Não tendo havido violência, que será que lhe pesa na consciência? Ter ferido o pudor da vítima com exibicionismos ou solicitações? Por que não especifica? Aliás, por que não explica a tentativa de fuga?
Em tudo isto há um déjà-vu, o nosso velho Bill Clinton, a desmentir com toda a veemência ter tido relações sexuais, e depois, ameaçado com provas científicas, tentando reescrever a semântica de "sexo" (aquilo que, na sua mentezinha porca, contava e não contava como "sexo").
Ora se Clinton logrou manter-se Presidente de uma grande potência, porque não poderá Strauss-Kahn alcandorar-se à presidência de uma ex-potência fanada? Habilitações manifestamente não lhe faltam.

Austeridade contada às crianças (2)


Criança-prodígio toca violino. Para se saber se é mesmo prodigioso, pede-se-lhe que toque sem cordas. Prodígio é saber tocar sem cordas; logo, na falta desse teste jamais se saberia aquilo de que a criança seria verdadeiramente capaz: com cordas qualquer um toca, é demasiado trivial. Se alguém se interrogar acerca da necessidade das cordas para que haja som, e portanto música, responda-se-lhe que isso é assunto para adultos, que as crianças não têm nada que se meter em assuntos sérios.

Austeridade contada às crianças (1)


Pianista procura emprego. Receita: vai-se-lhe cortando os dedos um a um até que ele demonstre capacidade para tocar piano. Há-de ser um grande pianista – mas primeiro exige-se que seja um pianista austero. Se alguém perguntar se um grande pianista precisa dos dedos, responda-se-lhe que isso é assunto para adultos, que as crianças não têm nada que se meter onde não são chamadas.

A Troika comenta o défice na Madeira

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Em cento e três anos...



O Confrade BIC_LARANJA lançou este desafio que eu achei difícil: identificar a rua. Alguém se antecipou, e restava-me imaginar o que se veria hoje daquele ângulo da Visconde de Santarém: fui ao Google Maps / Earth, tomei por referência o prédio sobrevivo (seta vermelha) e o Campo Pequeno (seta amarela) e o resto é o que se vê.
p.s.: Em tempo - no Largo do Leão há outro prédio sobrevivo, na linha recta entre a seta amarela e a seta vermelha, pintado de cores escuras em 1908 e hoje de um esplendoroso azul cerúleo (vulgo azul-cueca). Se a memória me não falha, funciona por lá uma escola que está na génese de um empório universitário. Lá ao fundo, na foto de 1908, as vertiginosas encostas da Paiã, de Famões, de Casal de Cambra, entre Odivelas e a Porcalhota.

domingo, 11 de setembro de 2011

Meditações pré-prandiais


Um novo leitor de MP3 do tamanho de uma moeda, lá dentro a discografia completa de Kurt Elling (menos de 2 GB), os novos óculos aerodinâmicos e a t-shirt mais fresquinha que já se inventou, e lá fui passear-me num clip-clop suave pelas margens do Tejo, de encontro uma vez mais aos fantasmas de atletismos passados. Algumas caras conhecidas tentando adivinhar-me por detrás dos óculos impenetráveis, uma brisa ainda suave, o Tejo vazio e eu em meditações, daquelas que só a solidão voluntária consente (ou seria a moleza da música? – tenho que substituir o Kurt Elling pelos Van Halen). Ia a pensar no documentário extraordinário que vi ontem no National Geographic HD com G.W. Bush, e no modo como aquilo confirmou que, contra a opinião das harpias do politicamente correcto, ele é uma boa pessoa e foi um grande presidente, um fazedor que substituiu o espectáculo e a retórica pela simples necessidade de responder ao imprevisto (ter que traçar o seu próprio caminho). Um interregno no circo da política, porque de vez em quando acontecem coisas verdadeiramente importantes e genuinamente graves.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Enigma de fim de dia e de fim de festa

Agora que o BCP deixou de valer mais do que uns patacos, porque é que ninguém o compra? E porque é que tanto sábio-gestor-aventaleiro deixou o banco desvalorizar-se deste modo? A quem é que isto aproveita? Sinceramente escapa-me algo.

O poderoso chefão




O título brasileiro para The Godfather ocorreu-me ao ver as imagens do neo-promotor Lula da Silva em pavoneios proto-capitalistas pelo milieu lusitano.
O homem já nem disfarça, vem à cata da comissão para "intermediar investimentos", e célere reúne com a marginalidade pseudo-empresarial do futebol e com os sorvedouros de subsídios daquilo que em Portugal passa por mundo dos negócios.

Como se dizia numa impagável versão do bunker de Hitler, "quem nunca comeu melado quando come se lambuza" (VER). Sic transit a glória da esquerda sindicalista!

O caranguejo português

Há dois tipos de pessoas no mundo: as que nasceram para facilitar e as que nasceram para atrapalhar (a vida própria e a alheia). Como nos últimos dias tenho tropeçado numa remonta infindável de empatas, é sempre com um sorriso de alívio que me cruzo com gente capaz de responder e de corresponder com eficiência e sem lamúrias. Nesses momentos chego a acreditar que nasci entre gente melhor. É uma crença fugaz, claro.

Pedido


Quando a banca implodir e nos congelarem as contas será possível eu saber com uns dias de antecedência?
Gostava de gastar o dinheiro numa viagem que nunca fiz, e que depois não farei se o sistema financeiro demorar muito a recuperar do tombo. Eu tinha algum dinheiro poupado a pensar noutras coisas. Mas agora começo a perceber que o meu dinheiro, como o dinheiro de todos, não vai chegar incólume ao fim do prazo que tinha estabelecido para a realização dessas coisas, e por isso já me contento em concretizar pequenos sonhos avulsos e mais imediatos.
Avisam-me?

21 milhões de anos atrás, uma explosão em Messier 101...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

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