O novo Ashram minimalista

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pedido


Quando a banca implodir e nos congelarem as contas será possível eu saber com uns dias de antecedência?
Gostava de gastar o dinheiro numa viagem que nunca fiz, e que depois não farei se o sistema financeiro demorar muito a recuperar do tombo. Eu tinha algum dinheiro poupado a pensar noutras coisas. Mas agora começo a perceber que o meu dinheiro, como o dinheiro de todos, não vai chegar incólume ao fim do prazo que tinha estabelecido para a realização dessas coisas, e por isso já me contento em concretizar pequenos sonhos avulsos e mais imediatos.
Avisam-me?

21 milhões de anos atrás, uma explosão em Messier 101...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Novo Mundo, Velho Mundo


Relendo Ruy Castro (o que eu gosto de ler Ruy Castro!) e o seu Anjo Pornográfico, lembrei-me de duas observações contrastantes de Nelson Rodrigues que eu subscreveria nos meus momentos mais desanimados: "O brasileiro é um feriado", e "A Europa é uma burrice aparelhada de museus".
Touché!

Irresistível sing-along


O Brasil profundo


Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Vinicius de Moraes
 

Piauí


Uma raridade nos tempos que correm: uma revista para quem gosta de ler!
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Espetada ortográfica


Vinha a ler um jornal da linha do novo acordo ortográfico e deparo-me com uma notícia de um evento com "espetadores". Pensei de imediato numa sorte de varas, ou de bandarilhas, até que caí em mim e percebi que tinha sido a raiz "spec" a ser toureada. Isto vai ser muito, muito difícil. É a troika que impõe o acordo ortográfico?

Festim de pedra


A história conta-se em poucas palavras: o predador envelheceu, e na última conquista as coisas correram mal; juntou aditivo ao combustível para ajudar ao arranque do motor (se é que me faço entender) e acabou no Hospital. Em pânico, regressou com juras de amor eterno a todas as que se lhe tinham cruzado no caminho, e uma aceitou essa remate crepuscular. Seria cómico se não fosse tão patético. Como quase tudo na vida.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Drop-dead gorgeous


Paris lindo de morrer, com aquela fontalidade e simplicidade pictórica com que um verdadeiro amante pode olhar (e olhando, venerar) a coisa amada. O enredo é postiço e inconclusivo, num interminável "name-dropping" próprio de yankees embasbacados. Mas que importa, depois do banho de beleza e do final com Léa Seydoux?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

Amanhã vou trautear Morricone



Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los.
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Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos; nos outros, apenas duramos.

Padre António Vieira

domingo, 14 de agosto de 2011

II


"As travellers go around the world and report natural objects and phenomena, so faithfully let another stay at home and report the phenomena of his own life."

Henry D. Thoreau (Diário, 19/8/1851)

I


"The heroic books, even if printed in the character of our mother tongue, will always be in a language dead to degenerate times"

Henry D. Thoreau, Walden

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Uma morte distante e próxima


Não é por estar há muito anunciada que ela dói menos, nem é por estar longe que sinto menos a revolta. A morte escolhe, ou não escolhe, mas nega e rouba e desfaz. Há pessoas que o mundo não merece, de tão boas e criativas que são. Melhor deixá-las partir. O vazio que elas deixam pode fechar-se ao peso da inércia e da indiferença, na voragem do tempo; mas não se fecha por substituição. Nem tudo se equivale, nem tudo se repete.

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