Passos Coelho incita Lufthansa à compra da TAP: LER
O novo Ashram minimalista
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
O Brasil profundo
Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.
Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.
Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve
Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.
Vinicius de Moraes
Espetada ortográfica
Vinha a ler um jornal da linha do novo acordo ortográfico e deparo-me com uma notícia de um evento com "espetadores". Pensei de imediato numa sorte de varas, ou de bandarilhas, até que caí em mim e percebi que tinha sido a raiz "spec" a ser toureada. Isto vai ser muito, muito difícil. É a troika que impõe o acordo ortográfico?
Festim de pedra
A história conta-se em poucas palavras: o predador envelheceu, e na última conquista as coisas correram mal; juntou aditivo ao combustível para ajudar ao arranque do motor (se é que me faço entender) e acabou no Hospital. Em pânico, regressou com juras de amor eterno a todas as que se lhe tinham cruzado no caminho, e uma aceitou essa remate crepuscular. Seria cómico se não fosse tão patético. Como quase tudo na vida.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Drop-dead gorgeous
Paris lindo de morrer, com aquela fontalidade e simplicidade pictórica com que um verdadeiro amante pode olhar (e olhando, venerar) a coisa amada. O enredo é postiço e inconclusivo, num interminável "name-dropping" próprio de yankees embasbacados. Mas que importa, depois do banho de beleza e do final com Léa Seydoux?
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Amanhã vou trautear Morricone
Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los.
- - -
Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos; nos outros, apenas duramos.
Padre António Vieira
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Uma morte distante e próxima
Não é por estar há muito anunciada que ela dói menos, nem é por estar longe que sinto menos a revolta. A morte escolhe, ou não escolhe, mas nega e rouba e desfaz. Há pessoas que o mundo não merece, de tão boas e criativas que são. Melhor deixá-las partir. O vazio que elas deixam pode fechar-se ao peso da inércia e da indiferença, na voragem do tempo; mas não se fecha por substituição. Nem tudo se equivale, nem tudo se repete.
Que venha
Concordo inteiramente com o Confrade Combustões:
Num país reles e molenga como o nosso, ao menos que de vez em quando se possa confiar num político menos ornamental e invertebrado do que aquilo que é costume! Tem defeitos? Claro! Muitos, variados! Mas ao menos não é como os cómicos que andam por aí a engalanar-se na ágora e que cabem todinhos, cada um deles, na caracterização de um único defeito.
domingo, 7 de agosto de 2011
Personagem vem de "per sonare", "soar através"
"Ainda bem que telefona, estava eu para telefonar-lhe, entro no outro dia na Almedina e oiço a sua voz, fui espreitar e percebi que era uma palestra, mas como estava com pressa não percebi o tema, era o quê?"
Este "sair do armário cibernético" não podia passar sem danos colaterais: eu podia agora gastar anos a explicar, que algumas pessoas jamais entenderiam, pela simples razão da implausibilidade, que eu não sou apenas aquilo que elas pensam, ou que eu não me esforço para caber naquilo que elas pensam de mim.
Shades
Senta-se ao meu lado num estado de permanente agitação. Lê de óculos escuros, porventura para não ser reconhecida, e a leitura é impecavelmente intelectual, ou seja totalmente apropriada para uma travessia do Atlântico. Abandona-a quase de imediato, levanta-se e senta-se, arruma e desarruma. Fico com a vaga impressão de que não cabe bem dentro da pele, e que há um stress qualquer a corroer-lhe as entranhas. Chegados, agita, empurra, apressa-se, corre, ultrapassa, e adivinho que algures no fim da linha há alguém que vai ser surpreendido com uma explosão.
Estive para interpelá-la e para iniciar uma conversa que sabia que a interessaria, sobre um amigo comum que a amou profundamente e que ainda hoje recolhe com minúcia – sim, amorosamente – todos os estilhaços de uma dessas explosões. Do que vi, fiquei sem perceber que fascínio doentio o terá levado a aproximar-se sem as cautelas, sem as distâncias, devidas. A conversa, é claro, não se iniciou.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O estado das Finanças
Avizinha-se o caos e uma sessão prolongada de devorismo (vulgo "programa da Troika"), e foi por uma unha negra que um grupo de notórios assaltantes perpetrava o 3º assalto consecutivo ao BPN (assim o banco fica com a Genco "Pura" Olive Oil, companhia de respeitáveis capitais mistos luso-angolanos, e não com aquele grupo desgarrado de facínoras financeiros de que só o afamado porta-voz, descapuçado, já fazia tremer).
No meio disto, aparece o ministro, rapaz de falas articuladas, num tom enunciativo desfasado uma semi-colcheia do ritmo, arte que só conhecíamos em João Gilberto. Tem a bonomia de um Tonecas, mas olhando-se melhor surpreende-se nele um laivo de rebeldia mal contida, assim uma explosão anunciada de r'n'b desgrenhado, logo ao virar da esquina. Ponham-lhe umas maracas nas mãos, atribuam uma viola-baixo à capitosa secretária de Estado do Tesouro (o tom com que ela disse "imparidades" é todo um programa), e imaginem-nos a ambos a saltitar o "Not Fade Away", um último instante antes do grande trip ácido e da epifania do honky tonk.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
Dia de quê?
I beg your pardon?
O dia do "Je T'Aime Moi Non Plus"?; do "Love to Love You Baby"?
O tempora O mores! Felizmente que temos o grande explorador / orientalista / pornógrafo / poliglota / diplomata Richard Francis Burton para esclarecer tudo no seu Hindu Art of Love. Há coisas que não mudam, valha-nos a ciência.
Um terraço panteísta
"A few minutes ago every tree was excited, bowing to the roaring storm, waving, swirling, tossing their branches in glorious enthusiasm like worship. But though to the outer ear these trees are now silent, their songs never cease. Every hidden cell is throbbing with music and life, every fiber thrilling like harp strings, while incense is ever flowing from the balsam bells and leaves. No wonder the hills and groves were God's first temples, and the more they are cut down and hewn into cathedrals and churches, the farther off and dimmer seems the Lord himself."
— John Muir
sábado, 30 de julho de 2011
Crónica de 19/8/2007
Quando eu era menino (como na velha canção de ninar) lembro-me de sentir uma estranha fascinação com os «contrails» (os «condensation trails» que os aviões deixam acima de uma determinada altitude). Na praia via-os formarem-se a distâncias incríveis, lentos, silenciosos, rasgando um trilho muito direito no céu azul em direcção ao horizonte. Raramente via o avião, salvo ocasionalmente numa súbita cintilação, mas adivinhava que ele estava muito perto do início do cone de vapor; era bizarro como se formavam aqueles cristais de gelo enquanto eu torrava na areia, custava-me a entender que entre mim e o Sol houvesse alguma zona intermédia que não fosse escaldante.
Curiosamente, imaginava sempre que o destino do avião era o Brasil (hoje imagino que nem sempre, para passarem àquela altitude os aviões não tinham descolado da Portela, possivelmente vinham de Madrid e sobrevoavam-nos de oriente para ocidente já a mais de 30 mil pés). Sentia uma imensa pena de ficar, e uma inveja difusa dos que partiam: para mim o Brasil, bebido nas fotos do Cruzeiro e da Manchete, era um país fascinante e colossal, um país de mulheres belíssimas, eternamente jovens e perenemente bronzeadas, o país de edifícios de Niemeyer plantados no meio da paisagem luxuriante, um país de festas e sofisticação, de bossa-nova e Jorginho Guinle, do virtuosismo de Érico Veríssimo e da música «lounge» de Sérgio Mendes (hoje, décadas de erosão pelas telenovelas quebraram irremediavelmente o encanto).
Se me dissessem que a bordo do avião se dançava com as hospedeiras (loiríssimas) e que tudo era primeira classe e que todos iam felizes, ninguém ia trabalhar e todos regressariam apenas quando quisessem, eu teria acreditado, melancólico que ficava com aquela minha pobre prisão na areia, em terra, sonhando, sonhando. Hoje, que já fui e voltei e vi, acho que nada se compara com a deliciosa inocência crédula daquele menino que se punha a recriar, à sua dimensão, a iconografia social do «jet-set» e as delícias de um país inexistente, e que se resignava a regressar, ao fim de tarde, arrastando as chinelas sob os pés incrustados de areia, à sua casa do lado errado do oceano.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
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