O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quase de volta


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Vinicius de Moraes, Pátria Minha

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Alvaro e as estrangeirices


O Ministro-qualquer-coisa quer ser chamado pelo nome próprio, e percebe-se-lhe o tique estrangeirado. Compreendo o alarme social, num país em que todos temos nomes longos como os dos príncipes, e vergamos ao peso dos títulos.
Relativizemos:
a) Na Alemanha a coisa é bem pior, e os pedigrees aparecem incorporados no nome, com arte e panache: as pessoas anunciam-se a elas mesmas com os títulos de nobreza de sangue ou noblesse de robe, e transbordam de vaidade com isso.
b) Na tradição anglo-saxónica predominam efectivamente (com excepções) os nomes curtos e a igualização do "Mr.". Mas que ninguém se iluda com a forma: tentem alguma familiaridade com esses ornamentos da nação de "windbags" e de "arrogant pricks", e verão o que vale o tão republicano "Mr."…
Por mim, uma nação de "Drs.", agora arvorados em "mestres bolonhenses", serve-me perfeitamente: se isso os alegra, se isso lhes incute algum sentido de civilização, tanto melhor, é preferível a cuspirem na sopa ou a baterem na patroa e nos catraios. Quando acabarmos de sair do século XIX, coisa que ainda não conseguimos alcançar, talvez nos lembremos de prestar menos atenção à ostentação de privilégios – sobretudo quando, vencido o analfabetismo maciço, eles deixarem de ser verdadeiros privilégios.

domingo, 26 de junho de 2011

Eu hoje acordei no Índico…


… a concordar com mais uma verdade incómoda, daquelas que só são proferidas por pessoas livres: o que nós compramos na instrução básica dos nossos filhos não é tanto educação como segregação (ANA).
Pensar que se muda isto é puramente utópico: isto nunca mudará. Pior ainda, países mais "evoluídos" do que o nosso prolongam essa segregação até ao ensino superior (e o mesmo sucederia por cá, se o ensino superior privado não fosse o que é).

sábado, 25 de junho de 2011

You fell behind, Clarence Clemons

DNA, FHC e Tragédia (ao modo Burlesco)


Quiçá para enfunar as velas da sua visibilidade, decaídas na calmaria do seu ocaso, Fernando Henrique Cardoso deve ter-se lembrado de Agamemnon em Áulis e resolveu também ele sacrificar propiciatoriamente a prole, no caso um filho "fora do casamento", no holocausto da opinião pública (felizmente, hoje as vitimizações tendem a ser menos literais).
O paralelo não termina aqui, curiosamente: tal como o velho Agamemnon encornado, e depois morto, em Micenas, por Clitemnestra – "hubris" ou vingança da filha Ifigénia? – também o nosso patusco FHC acaba de saber que o filhote, o mesmo que ele vergonhosamente arrancara do anonimato… afinal não era dele!
A moderna Cassandra foi rebaptizada DNA, e a ela os méritos do dénouement: LER

Próximos episódios: outro filho de FHC (Orestes ou o seu equivalente) sai a vingar esta morte simbólica da masculinidade paterna, para por sua vez sair de cena acossado pelas fúrias benevolentes (na sua versão moderna, os jornalistas)?
Esperemos um Ésquilo brasileiro à altura para relatar tudo isso (com uns pozinhos de Petrónio, comme il faut para os tempos que correm).

Uma nova frente de resistência?


Muito judiciosas as observações de Ferreira do Amaral sobre a inevitabilidade da saída do Euro, e em especial a referência a uma crónica indecisão, uma dificuldade em tomar-se atempadamente as decisões, quando elas têm ainda custos e impactos colaterais limitados, quando ainda é possível manter uma margem de decisão e razoabilidade.
Adaptando a velha boutade, ao contrário dos Bourbons esquecemo-nos de tudo; mas, como os Bourbons, obstinamo-nos em não aprender absolutamente nada.
Vamos acabar por beber o cálice do Euro quando ele já se tiver tornado venenoso. É melhor contarmos com isso.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Xylofene político; ou, no fim sou eu que não presto


Na viradeira dos últimos dias temos visto entrar em transe, como sempre entra, muito "Adventista da 23ª Hora" e muita "Virgem Refeita". E mesmo os ícones mais encardidos têm sido desinfestados, desempoeirados e polidos ao seu pristino fulgor – como também invariavelmente sucede. O fervor predomina.
Na voragem tropeça-se na memória, contudo, e essa às vezes é embaraçosa.
Há uns anos uma pessoa dirigiu-se a um serviço que eu mais ou menos ordenava, a oferecer os seus préstimos. Como essa pessoa era jubilada, estava entendido que ofereceria gratuitamente os seus talentos. Antes de sair pede para dar-me uma palavrinha, e a palavrinha era a ver se arranjávamos um meio de lhe pagar por debaixo da mesa. Como eu gosto muito de situações dessas, comecei logo a gozar o prato e disse que tinha que haver papelada; sugeriu então a venda de bens inexistentes, digamos assim o equivalente a uma facturação falsa. Pessoa inteligente, a certa altura alega pressa e sai; até hoje, e já lá vão mais de dez anos, estamos (melhor: outros estão) à espera do brinde dos seus talentos.
Nos últimos dias vi que aspergiram Xylofene nesse ícone outrora carunchoso, e vejo-o agora a brilhar imensamente por sobre a Grei.
A democracia é assim: renova, releva, refaz, redime, repristina.
Mais uma razão para, durante a viradeira, estarmos todos compelidos a não dizer mal dos novos santinhos, fresquinhos e engomados que surgem nos altares da devoção popular.
Todos, não, que há sempre um ou outro como eu: que não presta, que diz mal, que só se lembra de inconveniências.

Haverá forma mais simples de dizê-lo?


Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

W.B. Yeats, 'He Wishes for the Cloths of Heaven'

A viradeira, ou, 1777 redux

domingo, 19 de junho de 2011

Questionário literário


Interpelado por Carla, aqui vai:

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
A Recherche, de Marcel Proust. Da próxima vez, vou relê-lo acompanhando a leitura gravada dos primeiros livros (uma gravação que obtive há pouco tempo).
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Inúmeros. Destacam-se o Ulysses, de James Joyce, por desfocado e chato; e Alexander to Actium, de Peter Green, por fascinante mas demasiado denso.
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Da capo (i.e., vide # 1).
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Muitos. Exemplos: Felix Krull, de Thomas Mann; O Milagre Segundo Salomé, de Rodrigues Miguéis; Manuscrit Trouvé à Saragossa, de Jan Potocki.
5. Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
Possession, de A.S. Byatt.
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
BD, Henry de Monfried, Alphonse Daudet – estilo pictórico-onírico-bucólico, variações sobre o escapismo, portanto, sem grande propósito de edificação moral (felizmente).
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Amor de Perdição, Camilo. Porque sou português.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Os que fazem sonhar, que arrebatam, que acompanham. Os que o fazem mesmo, não os que a reputação e o comércio dizem que fazem (detesto modas literárias, abaixo Bolaño!).
9. Que livro estás a ler neste momento?
Estive a ler no avião o 1822 do Laurentino Gomes. Divertiu-me mais o 1808. Nos próximos dias não vou ler nada de livros.
10. Indica dez amigos para responderem a isto.
Os amigos dos meus amigos meus amigos são. Indico portanto a Miss_Pearls e ela que indique 19 amigos, que os tem (9 por mim + 10 por ela). Fico-lhe desde já agradecido.

sábado, 18 de junho de 2011

Eu e Yeats


Com um grupo de sofisticados e divertidos paulistanos, falámos de Yeats, e a conversa interpelou-me, genuinamente.
Transportei-me mentalmente para o paralelo de

The children learn to cipher and to sing,
To study reading-books and histories,
To cut and sew, be neat in everything
In the best modern way - the children's eyes
In momentary wonder stare upon
A sixty-year-old smiling public man.

Uma passagem que vivo subliminarmente, mutatis mutandis, quase no dia a dia, na sua literalidade e no simbolismo de me sentir envelhecer – contra os meus desejos, como Yeats.

O who could have foretold
That the heart grows old?

Lembrei-me das verdades telúricas de Crazy Jane, e do florescimento dialéctico da liberdade através da rebelião das nossas servidões:

'Fair and foul are near of kin,
And fair needs foul,' I cried.
'My friends are gone, but that's a truth
Nor grave nor bed denied,
Learned in bodily lowliness
And in the heart's pride.

Lembrei-me da resistência do amor e da saudade por entre as fibras da nossa decadência e do que significa a conspiração de saudade e fidelidade e tristeza.

But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face

Yeats? Tomo-o por arauto da alienação indesejada que nos vai fazendo sair de cena, um a um, num processo que não dispensa a submissão individual, a subida ao patíbulo; que não nos permite, passada a fronteira em que enfunámos as velas, regressar da Bizâncio em que os pássaros dourados chilreiam sem se cansarem porque na verdade estão mortos, exalam já (sempre) a dimensão eterna da fatalidade:

Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.

Um bardo para almas empedernidas pela resignação, mas reconditamente inconformadas. Lê-lo perturba cada vez mais, quanto mais envelheço (envelhecemos). Lembro-me de tê-lo dito ontem. O resto consigno-o aqui, numa pausa do meu regresso.

domingo, 12 de junho de 2011

Partida



Vou andar uns dias por fora, e já sei que a cidade vai parecer assim, à distância (tão sofisticada como Sassetti & Lins).
Saio com Sol e numa tempestade, no meio de notícias lancinantes. Imagino já todo o sofrimento acabado e pregunto de que é que ele valeu. Ficarei ao longe, ansioso com ecos, com uma resignação cansada, vendo desfilar imagens e sons numa cruel indiferença. Ninguém merece ser devorado assim, lentamente, num crescendo de dor. É tão brutal que se esfuma o próprio conceito de mérito.

sábado, 11 de junho de 2011

No paraíso da misoginia

Não bastava toda a porcaria antecedente: era possível ir mais baixo ainda, e o Sr. Strauss-Khan não hesitou. Aí andam fotografias dele a sair do tribunal e arrastando pelo braço a esposa. Não se contentou com as humilhações consumadas na penumbra dos quartos e alcovas: quis exibir a Senhora em parada, como um troféu cavernícola, talvez para ostentar, com a presença da desgraçada, fosse o perdão dela, fosse a contrição dele.
A pobre mulher até é possível que tenha perdoado, e até que o tenha feito com um nível convincente de voluntariedade.
Agora qualquer homem com um mínimo de educação, de respeito, de dignidade, teria proibido – insisto, teria proibido – que a mulher aparecesse em pública ostentação de uma desmiolada solidariedade para com alguém que acabara de admitir ter-lhe faltado ao respeito de modo objectivamente imperdoável. Em circunstância alguma poderia ela ter sido exibida desta forma – por mais que ela consentisse, ou quisesse.
Eu sei que essas ostentações chifrudas vão muito ao gosto do público americano, e parece que todo o pulha e violentador acaba por arrastar para a ribalta essas pseudo-esponjas morais duplamente vitimizadas, a tentar uma derradeira prestidigitação de valores a partir da afronta: talvez exibi-las seja o "ultimate power trip", a inebriante sensação de um género de impunidade ilusória que assenta na não menos ilusória convicção misógina de que a estupidez feminina, sendo ilimitada, tudo perdoa e apaga.

Nobre Povo


O pessoal de bordo da TAP anunciou greve em nome da protecção da segurança dos passageiros. Desconvocou-a a troco de viagens gratuitas para o pessoal e respectivas famílias.

Mestres não há muitos: este acaba de fazer 80 anos


quinta-feira, 9 de junho de 2011

As pequenas histórias da Grande História


O Monsenhor senta-se na limousine e, enérgico, arranca em conversação com o intérprete: "Que pensa da situação? Chissano? Que pensa? Sabe que eu sou da velha guarda?". O intérprete, um pouco intimidado, lá vai respondendo que sim. "E Mandela e Mbeki, que pensa?". Silêncio diplomático do intérprete. "Sabe que eles estão nisto pelo dinheiro ("they are in it for the money"), não sabe?". Silêncio. Acrescenta, irónico: "A mim deixaram-me a Bíblia nas mãos para me entreterem enquanto eles avançavam para o ouro e para os diamantes". Ri.
Esta frustração do Arcebispo diz tanto acerca da sua genuína vocação episcopal como os seus remoques dizem sobre o carácter dos visados.
Na opinião pública mundial são todos uns anjos. Parece que ninguém os quer examinar mais de perto; e assim se faz, e fará, a Grande História.

Ministério da Cultura para quê?


Manifestamente não necessitamos de um Ministério da Cultura, agora que temos em Belém gente capaz de subrogar-se na tarefa, e com proveito: amanhã mesmo vai ser condecorado um "bouquet" de actrizes de telenovela.

Santorini: uma versão mais meditativa





Santorini: upgrade de vistas





Santorini: comecemos por uma casa foleira (mesmo assim, a vista...)





terça-feira, 7 de junho de 2011

O desmancha-prazeres volta a atacar (duas notas)

1)
Quando a questão é levar-nos suavemente até à bancarrota, que nos espera, inelutável, antes mesmo do fim da próxima legislatura, ao menos seria de esperar uns coveiros agradáveis para preencher o quadro do Governo.
Os palpites que se sucedem são deprimentes. Para a pasta da Educação já vi desenterrado um "expert" de Ciências da Educação que é das pessoas mais imbecis, incompetentes e venais com que me cruzei até hoje. Já agora, para as Finanças, não poderia ir buscar-se um daqueles administradores desempregados do BPP ou do BPN, quase todos social-democratas?
2)
E parece que, numa singular repristinação das Terçarias de Moura (aos livros, patriotas!), e, à falta da Beltraneja, vamos ter uma outra "personalidade" oferecida em refém à estranja para credibilizar os nossos esforços na gestão da usura. Para manobra propiciatória, talvez mesmo começarmos a pensar nuns quantos bodes expiatórios, ou até numas virgenzinhas a oferecer em holocausto ao Moloch-Baal do envididamento. O Governo é que não, que os estrangeiros já não acreditam na palavra "governo" quando é proferida em português.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A 25.a Hora


Conhecendo como conheço a nova remonta, dotado que sou de memória sólida, e tendo perdido um minuto a observar os esgares devoristas da clientela efusiva (em especial a mais imberbe e ávida), sei que nada de bom se seguirá.
Mas sou eu que sou assim, não sei que mosca me mordeu para ter começado a desconfiar destes piquenicões partidocráticos.
Devo talvez estar a ficar reaccionário de novo, ou então é a idade que está a tornar-me cada vez mais céptico e rezinga...

Curioso mas pequenino, a devorar numa tarde

Excepcional, e devorado em dois dias

domingo, 5 de junho de 2011

One more for the road


Ouvi na rádio, vinha a caminho de Lisboa, entorpecido da auto-estrada e de preocupações diluídas no mais impecável smooth jazz da rádio portuguesa. O Rádio Blogue ia acabar! Ia acabar? Percebi que era apenas a respectiva leitura às tardes de sexta-feira; mas depois, lendo no próprio site, vi que era coisa muito mais radical, definitiva.
Ainda não conheci pessoalmente a Carla (isso só sucederá para o mês, se entretanto não me fizer substituir pelo meu primo), mas os desafios que ela lançava neste Rádio Blogue eram uma excelente base para discussão civilizada, com elegância mas sem reverência, para a consolidação de uma espécie de "confiança intelectual", uma quase-"cumplicidade virtual" que pode bem passar por ser um sucedâneo cibernético da amizade.
Lamento que a rotina nem sempre me tenha permitido sequer ler o trecho semanal, e menos ainda corresponder a todas as interpelações intelectuais. Eram sempre motes a merecer glosa.
Paciência, o diálogo continuará, deo juvante, por outras paragens, e estou certo de que a mesma chama intelectual da autora alumiará outras veredas.
As coisas que valem a pena são as que estão vivas; e essas têm um momento de geração e um de corrupção, têm a beleza do que é efémero e a abstracta dignidade daquilo que só na memória perdura incorrupto. Imagino os prodígios de equilíbrio que o Rádio Blogue exigiu, expondo-se tão abertamente num meio muito menos controlado do que aquele que é o dos blogues sem rádio. Eu não teria sido capaz, mas por isso mesmo é que nunca tive, não tenho nem terei a consagração blogosférica da Carla.
Aristóteles, o conceptualizador desse movimento de geração e corrupção, entendia que alguma coisa perduraria, um grande elo unificador das percepções transitórias desse movimento perpétuo: chamou-lhe "substância", o que fica quando tudo passa. É, Carla, o Rádio Blogue teve substância, ou, se quisermos o equivalente culinário e farta-brutos, foi coisa "de sustância", um repasto gratificante; efémero como todos os repastos, inesquecível como os bons repastos.

Um novo Ashram (um Shangri-la mexicano!)





sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dinheiro, Obama e borlas


No elogio a Souto Moura, Barack Obama enalteceu o facto de ele ter construído um estádio de futebol que permite borlas. Algum anti-capitalismo? Não: veja a razão pela qual Obama apareceu na cerimónia (spoiler: não foi por ser fã de Souto Moura).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Buy a Porsche?

Pela primeira vez, a maioria dos meus amigos tem, de mim, uma percepção que destoa daquela que eu próprio tenho. Preocupa-me, mas não consigo interiorizá-lo: é estranho; é crítico.

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