O novo Ashram minimalista
domingo, 1 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Tragédia e dignidade
O filme mais abaixo (des Hommes et des Dieux) evocou no meu espírito os Diálogos das Carmelitas, de Bernanos (o paralelismo é óbvio), e daí à versão de Poulenc:
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Lá de Nova Iorque, ele via e conhecia o país como ninguém...
"os enfáticos Doutores que parecem ter nascido, como flores secas, estampadas entre as páginas de alguma enciclopédia literária.
E que importância terão eles ou terá isto tudo, a não ser em terra de escassas e superficiais leituras (e leitores!), e muita prosápia omnissabichona?"
José Rodrigues Miguéis, Diário Popular, 24/6/1976
domingo, 24 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
És grande, ó professor em duas universidades!!!
Deliciei-me a ler o manifesto de um catedrático das berças que faz malas para vir a Lisboa servir como deputado. De contrição à cabeça, jurando resistir às tentações desta Babel moura, o homem cobre-se daquele ridículo involuntário de que só são capazes as almas semi-virgens (eu sei, uma impossibilidade).
Proclama-se importante, em alusão indesejada às «forças vivas» de que se alimenta(va) o caciquismo provinciano. Ostenta tudo o que tem a perder e o sacrifício missionário que o move, em referência inconsciente ao «mandato indeclinável» com que as «forças vivas» soíam descer, e descem ainda, à (ou sobre a) Capital.
Falta porventura apenas realçar um pouco melhor as ideias de vocação (assim um chamamento à Joana D'Arc) e de desígnio patriótico, noções que decerto lhe mereceriam despedidas ainda mais lancinantes à partida do Foguete para Lisboa, numa tarde de nevoeiro, no cais de Campanhã.
Lá no ermo de que jorrou, entre arroubos patrióticos, este novel e levantadote deputado, as gentes acabrunhadas já o imaginam em tardes de oratória a reviver o Porto Pireu garrettiano; quando o virem a alçar e baixar o rabo em votações de rebanho, lá sublinharão o quão prudente foi na assimilação da disciplina de voto; quando o virem a dar o dito por não dito, enlevar-se-ão com o «sentido político», com a argúcia florentina; hão-de sonhá-lo a ministro, de qualquer coisinha que seja, e as cartas de empenhos das gentes do ermo acumular-se-ão à espera desse momento; já o imaginam regressado em glória e com uma comenda, nédio e opinativo, importante – mais importante ainda.
As funestas gentes do reviralho lá sugerirão que ele se vendeu ao governo, que ele engordou no negócio da cidade, que ele se perdeu na dissipação e no vício da batota e das brasileiras, e que assim o comendador que regressar um dia não mais será o impoluto filho da terra.
Inveja, pura inveja, a habitual cabala da mediocridade contra aqueles que, com sacrifício da sua própria grandeza, fazem as malas e embarcam numa grandeza muito superior, a do sacrifício de serem deputados da nação em Lisboa. Um dia haverá, lá nas berças, um fontanário a comemorar a magnificência do gesto; e isso sempre bastou, e basta, para tudo redimir.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Recobrar o sentido das coisas
Acorda estremunhado e não chega a acordar, remói-se e revira-se e os olhos parecem não se fixar. Esbraceja e suspira, volta a virar-se e solta um «papá», um misto de gratidão reconfortada e de censura por não ter sido eu a adormecê-lo. Fecho a porta, não sei se feliz se abalado por estas elementaridades existenciais da condição humana.
Para quê ler?
Quando tudo conspira para nos desanimar deixa de valer a pena resistir, é mesmo melhor desanimarmos. Há lutas que não interessam, e talvez seja a isso que se resume a sabedoria, saber-se parar, saber-se perder. Às vezes penso que todos os bons livros que li apontam na mesma direcção, na da invulnerabilidade, e que tudo na vida é uma tenaz resistência na direcção oposta. Outras vezes penso, ao contrário, que não haveria bons livros se a vida não fosse tão resistente e frustrante como ela tende a ser, se não fosse preciso fugir dela e não restasse, para isso, a vereda do intelecto.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Euro, a grande burla
Se eu tivesse paciência para isso, ia desenterrar aqueles discursos com que, por longos anos, fomos atordoados com as virtudes e excelências da nossa adesão ao Euro.
Não foi há muito tempo, prometeram-nos (e não foram só os políticos portugueses) uma espécie de paraíso com a nossa entrada para um «clube de grandes», para uma «zona monetária óptima» na qual nos veríamos finalmente livres da provecta e obscurantista tradição de macroeconomia discricionária, soberanista, autárcica.
Lembro do desdém petulante com que o meu eurocepticismo era acolhido entre «sábios» que hoje tudo renegam. Vi-me desde então, e até recentemente (até à «viradeira» dos europeístas), ostracizado por aqueles que então lideraram a ladainha do Euro, e até hoje se serviram abundantemente dela.
Temos agora a prova clara daquilo para que o Euro servia: para nada, e decerto não para nos livrar dos nossos males macroeconómicos – ou pelo menos para fazê-lo de modo tão bom ou melhor do que os instrumentos da nossa tradição obscurantista.
Graças ao Euro estamos financeiramente doentes. Eu sei que é prático, é giro, andar pela Europa sem fazer câmbios - mas a este preço???
Tratou-se, portanto, de uma grande charlatanice, da venda de uma banha da cobra que não tratava, prevenia ou curava nada daquilo que verdadeiramente nos interessava como nação. Os charlatães, entretanto, agitam ameaças de que o abandono da mezinha é muito pior do que a persistência nela. No meio das pessoas honradas, a promoção de ideias desse teor e calibre costuma cair sob a alçada criminal.
Tratou-se, portanto, de uma grande charlatanice, da venda de uma banha da cobra que não tratava, prevenia ou curava nada daquilo que verdadeiramente nos interessava como nação. Os charlatães, entretanto, agitam ameaças de que o abandono da mezinha é muito pior do que a persistência nela. No meio das pessoas honradas, a promoção de ideias desse teor e calibre costuma cair sob a alçada criminal.
Ser grande
Hoje estávamos na homenagem a um querido mestre e pus-me a pensar naquilo que faz a grandeza das pessoas. Deve ser o facto de elas representarem tanto, e tantas coisas distintas, para uma diversidade de pessoas. Lembrei-me de que os meus caminhos e os dele se cruzaram ininterruptamente nos últimos 35 anos, e que 35 anos é quase uma vida; e lembrei-me de tanta coisa que eu teria para contar – e que todos os outros que se acotovelavam à minha volta teriam decerto para contar também, de forma polícroma e polifacetada, cada um rendido à sua maneira, na sua íntima assimetria, às irradiações dessa grandeza.
Ser feliz
Há uns dias um amigo brasileiro recordava os seus tempos de Lisboa. Trabalhava num call-center, ganhava umas centenas de euros por mês, mas bastava-lhe: tinha um quarto, passeava com as colegas, ia "de trem" até Sintra ou Cascais a tomar um café ou um doce, andava entregue às suas rotinas. Regressou a São Paulo, e remata "aqui em Lisboa fui feliz e não sabia, é caso de o dizer".
Pensando bem, é uma lição tirada das pequenas alegrias, muito útil quando andamos atormentados com a perda das grandes benesses que julgávamos serem-nos devidas.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Um país poceirão
Quando pensamos que das próximas eleições sairá mais do mesmo, custa a entender o tom da indignação com os vira-casaquismos – que só agora começam, e se multiplicarão pelos meses mais próximos.
O Dr. Nobre, encostado no capital de reputação que lhe advinha da "indústria do altruísmo", resolveu agora liquidar os seus créditos numa comedoria qualquer. Que mal há nisso? Não é melhor ou pior do que qualquer outro, apenas cai (para os que se iludiam com ele) de mais alto no pântano do mercenarismo.
O país não está assim: o país é assim – reles, molenga, arranjista, abjectamente sobrevivo. Provoca um tédio mortífero, que nenhum valor consegue abalar.
Recostamo-nos todos nas nossas certezas aburguesadas de que no fim alguém cuidará de nós, e é com um misto de apatia e pavor reprimido que vemos os outros, todos, um a um, a genuflectirem perante o prato de lentilhas. Censuramo-los com veemência até que chega a nossa vez, e formulamos o preito de menagem com aquela íntima revulsão que nos faz conservarmos a ilusão de que, apesar de tudo, a liberdade se preservou.
Hoje tornámo-nos todos em Dr.s Nobres. Ele apenas percebeu a coisa antes de nós.
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Obrigado a todos os que se lembraram
Tell me not in mournful numbers,
Life is but an empty dream!
For the soul is dead that slumbers,
And things are not what they seem.
Life is real! Life is earnest!
And the grave is not its goal;
"Dust thou are, to dust returnest",
Was not spoken of the soul.
In the world's broad field of battle,
In the bivouac of Life,
Be not like dumb, driven cattle!
Be a hero in the strife!
Lives of great men all remind us
We can make our lives sublime,
And, departing, leave behind us
Footprints in the sands of time.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
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