O novo Ashram minimalista

sábado, 19 de março de 2011

Posso escolher a prenda para o dia do pai? (1)



Ofício de comentador


Curioso o pânico contido dos comentadores habituais perante a manifestação «demagógica» dos «à rasca». Tudo o que não venha já «enlatado» e «entalado» pelo espartilho oligárquico, pela disciplinazinha partidocrática, pelo respeitinho pela marca registada, merece a mais viva repulsa, que a ordem estabelecida à sombra dos «idola fori» estrebucha quando se sai fora do figurino.
«Espontaneidade», essa, só a encomendada pelos monopolistas da coisa, os detentores do alvará «revolucionário», que vão tocando a carneirada por praças e avenidas ao rufar saudoso dos tambores de há 35 anos. Coisa de mor espanto - não é? -, que não se protesta já como soía!
Ocorre-me a ideia de «wohlgeordnete Freiheit», a liberdade bem-ordenada a que aludia Kant - o mesmo que venerava Jean-Jacques Rousseau e ironicamente reconhecia que a paz perpétua pode designar tanto um projecto nobre e remoto como as campas de um cemitério, desenhadas na tabuleta de um albergue.

Libertações

Durante uma época terrível morreram-me diversos amigos. Agora, felizmente, só perco aqueles que não me reconhecem o direito de trabalhar, ou seja, aqueles que têm ciúmes do meu trabalho e do meu tempo. Antes assim, ninguém sofre, e eu continuo a trabalhar livre deles, que para o trabalho não tenho, infelizmente, uma alternativa disponível.

Cachaça não é água, não

A Lusa Atenas, sempre atenta aos desígnios do mundo,vai conceder o "doutoramento honoris causa" ao ex-presidente Lula. Dos méritos científicos do agraciado só conhecemos a perícia etílica, pelo que nos perguntamos se não seria de atribuir o galardão um pouco mais para norte, na Bairrada, sob o alto patrocínio de Luís Pato e com abundantes saúdes ao deus Baco.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nem tudo é mau

Nussbaum e o otium cum dignitate


Martha Nussbaum reflecte sobre o empenhamento dos académicos na política, e remata com uma corajosa objecção. Sim, há Cícero, mas há também Platão em Siracusa e Heidegger em Freiburg. Há uma outra dimensão de realização pessoal e colectiva que não tem que ficar presa ao registo dessa servidão glorificada que inebria os «clercs» no caminho da «trahison». LER

Subsidiar a formação de Cartéis (bailinho jurídico)


Sempre imaginei que a lei comunitária, tanto ou mais do que a lei portuguesa, fosse oposta à formação de cartéis, ou seja, àquelas combinações que visam repartir zonas de distribuição ou restringir a produção total para alcançar, com isso, algumas rendas monopolísticas.
Sempre imaginei que era em larga medida o combate aos cartéis que animava o direito europeu da concorrência e justificava a existência de Autoridades da Concorrência.
Erro meu: os cartéis existem às claras, são apoiados pelos governos da zona PIGS e pretendem até ter o apoio comunitário – é o que sucede com a produção de azeite, que pelos vistos todos apoiam que deva ser cartelizada, e deva sê-lo de forma subsidiada.
Melhor, duplamente subsidiada: primeiro pela UE, depois pelos consumidores, que suportarão a subida de preços. Não é em vão que, no norte, «azeiteiro» tem outro sentido... LER

Muitos anos de inalação de pó branco deram cabo dos neurónios de Benicio del Toro


Foi para Cuba enaltecer as virtudes concentracionárias daquela cloaca caribeña: LER

Um sonho realizado

Não é todos os dias que realizamos um sonho há muito alimentado. Hoje (ontem) vi Kurt Elling ao vivo, num concerto absolutamente fantástico, delirante, triunfante. Não me lembro de ter visto melhor do que isto; melhor do que o sonho.

quarta-feira, 16 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Amanhã

 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Baltazero, crónica mundana


Vejo nos noticiários assomar a face prazenteira de um velho conhecido, agora candidato a leão-mor. Ao tempo que não o via. Está na mesma!
Leão-mor já o era há vinte e tal (ou será trinta e tal?) anos, quando, com toda a evidência, gozava do estatuto do mais bem sucedido predador da selva noctívaga lisboeta.
Um seu antecessor (e, ao que sei, apoiante) na causa leonina tinha mais reputação. Mas, creiam – de ver claramente visto – que não se comparava a este campeão, no que toca a taxa de penetração no mercado e a taxa de cobertura do território.
O homem era, digamos, sistemático. Qual Hans Rudel na frente russa, nenhum blindado lhe resistia. No fim de noites de estúrdia e dissipação em boîtes da moda (às quais, confesso, assisti), a fila da clientela ajuntava-se, direi mesmo, acamarinhava-se, junto do grande artista, e ele pura e simplesmente nada indeferia. Como nos fuzileiros, ninguém era deixado para trás.
Nós, admiradores invejosos, chegámos a pensar que por alcunha tinha tomado um verbo transitivo ("mais uma que é baltazada…"), e não poucos procuraram ir à boleia do sucesso (às sobras, como soía dizer-se). O homem era amigo do seu amigo, e de uma inesgotável generosidade. Diria mesmo que, em matéria de alcova, lhe puxava para o socialismo.
Presumo que nessas matérias ande mais sossegado, que a idade não perdoa; mas nunca se sabe. A agremiação leonina que se acautele (Achtung!), não vá acontecer-lhe como ao batalhão de vítimas – das mais tenras bacorinhas às mais calejadas onças – que outrora lhe cruzaram o caminho.

domingo, 13 de março de 2011

Momento bom (mal posso esperar pela adaptação cinematográfica)

Momento mau

O que as televisões não mostraram...

Pois é, mas graças ao serviço público que aqui se presta, ficamos a ver o momento mais destacado da Manif de ontem. No caso, à rasca ficaram os alvos da contestação, que já se visualizavam enforcados "à la lanterne"...
Quanto à qualidade musical, essa perde para os Homens da Luta, mas também não se pode ter tudo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fim de festa


De vez em quando alguém sobredotado pega em milhões de palavras avulsas e, como se pegasse num pulso, faz um diagnóstico conciso e certeiro sem desperdiçar uma única palavra. Eis o Estado da nossa nação política nesta leitura IMPERDÍVEL.

O misterioso apelo à juventude no discurso da posse: descobrimos a fonte!

Este animal estará à solta em Lisboa no dia 16 (Kurt Elling & Liquid Soul redefinem o standard de Dizzy Gillespie)


Tudo passa (ainda os Homens da Luta)


Curiosa a repulsa "old money" da ex-juventude, entretanto amesendada, nédia-pingue na sua barbacã de privilégios, contra a juventude "new money" que se abeira dos contrafortes.
Não menos típico que o que é inteiramente novo seja incompreendido pelo paradigma "incumbente". Do género: "Então esta canalha irreverente anda a querer agitação e demonstra falta de respeito? Ao menos que o façam como nós fizemos, atordoando-nos com tabaco e álcool e outras substâncias, entre luzes psicadélicas e ao batuque do "radical chic"! Escarnecem de tudo, não há respeitinho? Ao menos que o façam com o desdém auto-complacente com que nos julgámos fin-de-siècle, versados em mundanidades! Ao menos não os deixem entrar no Lux-Frágil, não lhes ensinem a comer sushi!"
Repetimos incessantemente essa tensão geracional, um dia acordamos velhos (os que não nasceram já velhos) e o mundo aparece-nos mais desestruturado, mais avacalhado, mais entrópico. A moral parece-nos dissoluta, as certezas parecem esvaídas, refugiamo-nos irreversivelmente na harmonia retrospectiva de lembranças.
Mas não foi tanto o mundo que mudou.
O que mudou fomos nós, estamos velhos, estamos a sair de um mundo que não pára, que não nos isenta, que nos persegue e por fim nos mata e nos substitui, mesmo no interior das mais impregnáveis e ebúrneas torres de menagem.
 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vivam os Homens da Luta!



"Hegel observa algures que todos os factos e personagens de grande importância na História do mundo acontecem, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: da primeira vez como uma tragédia, da segunda como uma farsa"
(Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte)
É a citação que se impõe, por várias razões, com o triunfo cançonetístico – inteiramente merecido – dos Homens da Luta. Não posso deixar de sorrir vendo reduzidos a farsa os ícones sagrados do tsunami abrileiro, observando este auto-retrato titilante de um povo propenso ao ridículo involuntário.
Demorou a chegar, é o que digo; e prefiro mil vezes esta segunda volta, a da farsa irreverente, à tragédia pomposa que foi o original.

Em busca de alguma paz


"So in America when the sun goes down and I sit on the old broken-down river pier watching the long, long skies over New Jersey and sense all that raw land that rolls in one unbelievable huge bulge over to the West Coast, and all that road going, and all the people dreaming in the immensity of it... and tonight the stars'll be out, and don't you know that God is Pooh Bear?"
- Jack Kerouac, On the Road

Sonhei com a West Coast


"I woke up as the sun was reddening; and that was the one distinct time in my life, the strangest moment of all, when I didn't know who I was — I was far away from home, haunted and tired with travel, in a cheap hotel room I'd never seen, hearing the hiss of steam outside, and the creak of the old wood of the hotel, and footsteps upstairs, and all the sad sounds, and I looked at the cracked high ceiling and really didn't know who I was for about fifteen strange seconds."
- Jack Kerouac, On the Road

Sonhei com um velhinho cadeirão Eames

domingo, 6 de março de 2011

Raízes

 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Divertimentos em casa alheia


Fui convidado e, muito agradecido, aprouve-me dizer ISTO.

Estou a ver mal ou não ando bem da cabeça? (2)


Anunciava-se na televisão que agora é possível poupar-se na gasolina, coisa como uns cêntimos por litro: basta ter um ipad (umas centenas de euros) e conexão wireless à Internet (umas dezenas de euros mensais). Serei eu o único a duvidar de que haja aqui poupança?

Estou a ver mal ou não ando bem da cabeça? (1)


Vi o documentário "Inside Job" e saí de lá com uma dúvida: todas as culpas são assacadas à desregulação, mas conclui-se que, onde havia regulação, os reguladores não fizeram nada. Serei eu o único a ter notado aqui uma contradição?

quarta-feira, 2 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Os Alemães São Loucos, ou, O Caso do Barão Trepador


Lê-se que o ministro da Defesa germânico, o Barão Carlos Teodoro, se viu forçado a pedir a sua demissão por ter sido apanhado num caso de plágio.
Um caso de fidalgo bem nascido… mas nascido na terra errada…
Tivesse o teutão sido gerado neste canteiro lusitano e a censura tinha sido aplauso. Com os fumos de plágio a sua carreira ascendente teria levado um impulso mais vigoroso do que se houvera fumos de santidade. E o Barão via-se a breve trecho, não alcandorado na Presidência do Ministério - que uma só falta, e para mais de plágio, lhe não dá currículo para tanto -, mas ao menos soprado para as gloriosas plagas de uma Vice-Presidência, de uma Reitoria, de uma comissão para eventos culturais.
Ó Barão, anda para Portugal, larga essa canalha tudesca que, invejosa, quer emporcalhar a veia latina que te aguçou o engenho! Anda, vais ver como é porreiro ser plagiador em Portugal, é título de honra e faz-te credor de todas as comedorias e prebendas.
Vais ser grande aqui, Carlos Teodoro; montas banca de consultor nessas matérias e num ápice verás rojados a teus pés mais santinhos e ex-votos do que os que colocam a Sousa Martins. Tens a vida garantida, "no público" ou "na privada".
Aqui vais sentir-te entre irmãos, e renegarás asinha esses fariseus que presumiram de censurar-te e de desdenhar o modo esforçado como procuraste subir.
Anda, Barão plagiador, ala para este couto de trepadores: aqui ninguém enjeitará baldas dessas, aqui somos solidários, aqui sabemos o que é a vidinha, aqui precisamos de mais lideranças caldeadas nessa forja!

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