O novo Ashram minimalista
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Velhos favoritos 2 (Patricia Barber)
if i were blue
like David Hockney's pool
dive into me and glide
under a California sky
inside your mouth and nose and eyes am i
.
if i were blue
like Edward Hopper's afternoon
lift the sash to air the breeze
let my summer flush your cheek
lie supine beneath the soft and gentle season
.
would that this were that
this is more like black
dark as darkest indigo
sickly sweet and ripe
like nothing
smothering light
.
bring on the pelting rain
palpable sensual pain
like Goya in his studio
in the thick of night
absence is
dull and silent
………………….
if i were blue
a pale Picasso blue
as beauty is to sorrow
let me cover you in sleep
and in your melancholy i would give you peace
.
if i were blue
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Walk like an egyptian
Agora que finalmente parecem ter-se esgotado as toneladas de cinismo com as quais todo o bicho careta agoirou que os egípcios não estão maduros para a democracia (uma variantezinha do argumento que alimentou a crapulice da descolonização lusa), vamos ver o que vem a seguir. Estou curioso. Claro que a democracia comporta riscos; quando deixa de os comportar é geralmente porque foi confiscada e se converteu em pura retórica de uma oligarquia – não menos geralmente cercada da "muralha de aço" do conformismo envergonhado que é a própria raiz do cinismo político.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Celebrámos sem ti
Mon père, ce héros au sourire si doux,
Suivi d'un seul housard qu'il aimait entre tous
Pour sa grande bravoure et pour sa haute taille,
Parcourait à cheval, le soir d'une bataille,
Le champ couvert de morts sur qui tombait la nuit.
Il lui sembla dans l'ombre entendre un faible bruit.
C'était un Espagnol de l'armée en déroute
Qui se traînait sanglant sur le bord de la route,
Râlant, brisé, livide, et mort plus qu'à moitié.
Et qui disait: "A boire! à boire par pitié !"
Mon père, ému, tendit à son housard fidèle
Une gourde de rhum qui pendait à sa selle,
Et dit: "Tiens, donne à boire à ce pauvre blessé."
Tout à coup, au moment où le housard baissé
Se penchait vers lui, l'homme, une espèce de maure,
Saisit un pistolet qu'il étreignait encore,
Et vise au front mon père en criant: "Caramba!"
Le coup passa si près que le chapeau tomba
Et que le cheval fit un écart en arrière.
"Donne-lui tout de même à boire", dit mon père.
.
[Victor Hugo]
Faria 88 anos
Lembrei-me especialmente dele há dias, por causa do aniversário, e de tudo o que ficou por dizer e fazer, e de como fiquei para aqui um pouco à deriva, no meio dos fragmentos do abandono.
Meditei se estou a ficar mais parecido com ele, como é suposto acontecer, e concluí que sim e não. Não, porque estou a divergir nalgumas paixões intelectuais, nos rumos da minha realização pessoal, na minha aceitação de um mundo novo. Sim, porque cada vez mais percebo que foi assim mesmo que ele quis que sucedesse, e que ele batalhou discretamente para que eu, seguindo outros rumos, vendo outros horizontes, chegasse ao fim um pouco menos amargo com o mundo, um pouco mais conciliado com a vida.
Eu sempre procurei a aprovação dele e ele sempre se esquivou a dá-la, e era sempre por terceiros que eu descobria o juízo que ele fazia de mim. Percebo-o agora, não quis moldar-me, não quis que eu repetisse no meu mundo e na minha geração os temas, os valores, os erros e os confinamentos intelectuais da geração dele (que ele abominava, "estranho numa terra estranha" como ele era). De tudo o que lhe devo, e que é quase tudo, talvez o que mais releve hoje, entre os sobressaltos da saudade, é o tão pouco que lhe devo – o tanto que ele, com as aparentes reservas e recusas de aprovação, evitou doutrinar-me ou conduzir-me aos seus interesses e juízos.
O problema é que acho que ele também tinha feito isto em relação ao meu avô, e por isso em última análise sim – sim, à medida que vou trilhando o meu próprio caminho estou a ficar cada vez mais parecido com o meu pai.
-
(republicado)
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Sobressalto jansenista
Hoje li (mais) umas linhas sobre Paulo de Tarso, sobre o apóstata filisteu que se fez apóstolo – e fi-lo por imperativo de consolação interior, como quem busca mais elevados exemplos por entre a imundície moral que borbulha em redor. Consolou-me a distância do impiedoso Século I, perturbou-me a hipótese de a Estrada de Damasco ser apenas uma invenção de Lucas, doeu-me o contraste com a falta de rumo e de convicção da nossa idade, submersa em auto-glorificações e micro-justificações que tudo exaltam e tudo nivelam.
Já passaram pela Terra melhores seres humanos.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Outra questão de tempo
No outro dia, confrontado com a perspectiva de ter que herdar alguns livros entre os quais naveguei na meninice e na adolescência, fui visitar o lote e abracei-me a velhos amigos de que não me lembrava mais. Alguns estão amarelecidos dentro das suas capas magníficas, e voa entre eles a memória de um tempo em que me concentrava sem mais solicitações numa leitura pausada e silenciosa. Senti a «vertigem proustiana» dos meus anos acumulados e a profundidade de um longo trilho cujos primeiros passos já esqueci; a vida é um meandro de meandros, mas lembrá-la assim, na companhia desses amigos silenciosamente eloquentes, confere-lhe alguma linearidade. Talvez os releia, relendo-me à luz oblíqua da altura que a acumulação de anos me atribui – recolocando-me, por entre a aspereza das folhas e a asma das saudades, num tempo que a distância ajuda, paradoxalmente, a estender e a condensar.
O regresso de um Jansenista Honorário
Andou perdido, ou recolhido, nas brumas do silêncio - mas ei-lo que volta cheio de vigor, a avivar a velha chama, até com a intenção de repristinar-se como um «jovem do Restelo». Uma saudação amiga, e a lembrança de que do Restelo agora valem mais do que nunca os velhos, os que advertiram, os que adivinharam a Pátria apagada.
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