O novo Ashram minimalista
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Outra questão de tempo
No outro dia, confrontado com a perspectiva de ter que herdar alguns livros entre os quais naveguei na meninice e na adolescência, fui visitar o lote e abracei-me a velhos amigos de que não me lembrava mais. Alguns estão amarelecidos dentro das suas capas magníficas, e voa entre eles a memória de um tempo em que me concentrava sem mais solicitações numa leitura pausada e silenciosa. Senti a «vertigem proustiana» dos meus anos acumulados e a profundidade de um longo trilho cujos primeiros passos já esqueci; a vida é um meandro de meandros, mas lembrá-la assim, na companhia desses amigos silenciosamente eloquentes, confere-lhe alguma linearidade. Talvez os releia, relendo-me à luz oblíqua da altura que a acumulação de anos me atribui – recolocando-me, por entre a aspereza das folhas e a asma das saudades, num tempo que a distância ajuda, paradoxalmente, a estender e a condensar.
O regresso de um Jansenista Honorário
Andou perdido, ou recolhido, nas brumas do silêncio - mas ei-lo que volta cheio de vigor, a avivar a velha chama, até com a intenção de repristinar-se como um «jovem do Restelo». Uma saudação amiga, e a lembrança de que do Restelo agora valem mais do que nunca os velhos, os que advertiram, os que adivinharam a Pátria apagada.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Uma tarde diferente
Há pessoas tão naturalmente boas que senti-las por perto é avassalador. Hoje duas delas cruzaram os seus caminhos na minha frente, e foi uma feérie. O vento no Cabo da Roca suspendeu-se, a chuva na Serra de Sintra deixou de molhar, e nem dei pela passagem pela Marginal de regresso a Lisboa. Falámos todos de coisas miúdas e alegres e as coisas grandes e tristes não se atreveram a uma aproximação. Por alturas de Carcavelos virámos todos a cabeça para vermos um pôr-de-sol demasiado belo, e as duas pessoas naturalmente boas na minha presença concederam-me a sabedoria do seu silêncio; serenaram-me. E depois retomaram o furacão das palavras, em órbitas e epiciclos de inteligência e graciosidade. Uma tarde inesquecível, terminada em entoações portuguesas e brasileiras na Senhora do Monte, por sobre o rendilhado de luzes de uma cidade irremediavelmente triste.
sábado, 29 de janeiro de 2011
A Parca
Às vezes nos meus sonhos de meninice pergunto pelo Avelino, o Avelino que tinha uns calções demasiadamente curtos e um riso demasiadamente nervoso, um olhar esquivo, mas que era esguio e corria mais do que os outros, e era generoso. Onde anda o Avelino? Que aconteceu?
Se me lembro de mim jovem adulto penso no Pedro, o seu charme compulsivo, o seu sorriso contagiante, a sua desconversa permanente, a sua recusa quixotesca dos valores do conformismo, a alegria solar. Mas depois busco-o e ele não aparece, enigmaticamente.
E o Jorge, apanhado em flagrante em Sintra, gargalhando aristocrático e nervoso enquanto a parceira fugia do marido que não os tinha visto, para onde fugiu ele também? O menino Jorge da velha ama, que lhe trazia bolinhos a altas horas quando ele chegava da estúrdia?
Se penso no início do Outono oiço o marulhar do oceano e a voz sincopada e grave do Zé Luís, e quando me dirijo a ele inesperadamente a conversa diverge para o silêncio e para o vazio das ruas que percorríamos. De onde virá o vento que arrostaremos da próxima vez?
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Que têm eles todos em comum?
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A parca dirige a dança macabra nos momentos mais inesperados e deixa-nos, atónitos, a carregarmos o eco de trajectórias incompletas – a carregarmos a perplexidade que é a sobrevivência, e que é a memória - para seres nos quais ela persiste e interpela.
Às vezes gostava de ser epicurista na forma de encarar a morte; a memória e a ausência dos amigos não mo permitem; estou de certo modo prisioneiro deles.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Parabéns
Parabéns ao Confrade COMBUSTÕES, agora que os seus trabalhos recomeçam a frutificar e a ascender "in luminis oras". Ainda há quem trabalhe pelo espírito e para o espírito!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A lei moral em mim
"A segunda visão, ao contrário, realça o meu valor, como inteligência, pela minha personalidade, à qual a lei moral revela uma vida independente da animalidade, e mesmo de todo o mundo sensível, ao menos na medida em que se pode inferir da determinação conforme fins que essa lei confere à minha existência, e que não se confina às condições e limites desta vida, antes se estende até ao infinito."
O céu estrelado sobre mim
"A primeira visão de uma pluralidade imensa de mundos reduz-me de certo modo à minha insignificância, na minha condição de criatura animal, que deve restituir a matéria que a compõe ao planeta (um simples ponto no universo), depois de ter sido dotada de uma força vital (não se sabe como) durante um curto lapso de tempo."
Immanuel Kant, Crítica da Razão Prática, AK, V, 162
domingo, 23 de janeiro de 2011
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