O novo Ashram minimalista

domingo, 23 de janeiro de 2011

A questão do momento

A única questão que se impõe no momento é esta: como é que o país vai aguentar mais uns anos sem Presidente?

Pensamentos para longe deste chafurdo





sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cumprir

Cumpri um dever. Bem ou mal, está cumprido, no meio de difíceis tempestades mentais, e sobre um pano de fundo de amargura. Há deveres que gostaríamos de não ter que cumprir, mas que uma vez cumpridos nos trazem um pequenino laivo de satisfação (ou será de alívio?).

Impensável

Falando com um dos poderosos da (nossa) terra, adverti para os gravíssimos efeitos recessivos que terão os cortes salariais.
"Mal menor", replicou.
Lembrei que a tributação da banca tem praticamente ainda todo o caminho por percorrer, e que ao menos por essa via teríamos a recessão mitigada.
"Impensável".

Será que ainda voto Cavaco?


Nas actuais circunstâncias, parece-me o homem mais adequado: é o que tem mais ar de coveiro.

Coisas que melhoram com o tempo


O meu escapismo favorito: Tiburón, Golden Gate





domingo, 16 de janeiro de 2011

Represálias contra Cantanhede


A propósito de um assassinato brutal e obsceno algumas vozes indignadas chegaram ao ponto de censurarem uma manifestação de apoio ao assassino, usando nas suas alegações o argumento de que o apoio ao assassino de um homossexual é manifestação de homofobia.
Isso é sinistro, evoca a fria lógica das represálias, já que pretende estender a culpa para aqueles que se atrevem a demonstrar simpatia pelo culpado.
Pode haver, não nego, homofóbicos que queiram aproveitar a ocasião para manifestarem o seu apoio ao assassino, afinal o executante de tanta violência frustrada.
Mas, por mim, basta-me que haja amigos ou familiares do assassino nessa manifestação para eu declarar aqui mesmo toda a minha simpatia pelo evento.
Aqueles que amam o assassino (no sentido de amizade, ternura, compaixão, misericórdia até) não fazem mais do que o seu dever moral demonstrando a sua solidariedade humana. Não se lhes pode pedir que o julguem – isso haverá quem o faça, e quem o fará, espero, com a maior severidade e rapidez.
Eu diria até que esses que amam o assassino nem sequer têm o direito de o demonstrarem, porque o amor é superior e anterior ao direito, e o direito não tem que se imiscuir nesses sentimentos básicos de coesão da espécie. Manifestam-se, e é tudo.
Devemos respeito; deveríamos respeito sempre pelos resquícios de civilidade cristã que restassem no âmago das nossas consciências – mas pelos vistos isso é esperar demasiado; devamos respeito ao menos por obediência à «regra de ouro», sabendo colocar-nos na pele daqueles que inocentemente continuam a amar um assassino, imaginando da nossa parte o que seria se o crime tivesse sido cometido por alguém que amamos.
No nosso universo crasso e legalista ninguém pára um instante para reconhecer esta primazia afectiva que nenhum direito pode indeferir. Chegámos ao grau zero da ética no meio deste holocausto de brutalidade e alarido, de maniqueísmo e caça às bruxas.
Hoje sou de Cantanhede.

Desde que o Dakar emigrou para terras civilizadas…




Ausências


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eurinho


O Sr. Mourinho, modesto, apareceu a dizer que o facto de ter falado em português foi motivado pela consciência de que daria uma alegria aos compatriotas, numa altura em que há poucas alegrias por cá. Afasta-te Dom Sebastião, já tens sucessor! Magnânime o gesto, não me admirava que lá mais para a frente ainda o figurão tentasse cobrar-nos qualquer coisinha por isso.
Para já, e se é verdade o que ele disse, talvez fosse uma ideia saírmos do Euro, a raiz de todas as nossas actuais encrencas, e criarmos o nosso próprio Eurinho, uma homenagem ao nosso mister special one, uma moeda de que nos orgulhássemos, uma moeda eloquente.

Para levar para a nova casa

Lembrando Helen Hunt & Jack Nicholson


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

De Ira


Nestes tempos de paixões frívolas e ridículas, refresca-me a releitura dos estóicos:
"Em breve exalaremos o nosso último sopro. Entretanto, enquanto perdurarmos, enquanto estivermos na companhia dos homens, cultivemos a humanidade. Não sejamos causa de medo ou de perigo para ninguém. Desdenhemos danos, injustiças, injúrias e escárnios e suportemos com grande ânimo os nossos males passageiros: porque, como costuma dizer-se, num esfregar de olhos já a morte nos alcançou."
Séneca, De Ira, 3.43.5

Serenemos


Música del Japón. Avaramente
De la clepsidra se desprenden gotas
De lenta miel o de invisible oro
Que en el tiempo repiten una trama
Eterna y frágil, misteriosa y clara.
Temo que cada una sea la última.
Son un ayer que vuelve. ¿De qué templo,
De qué leve jardín en la montaña,
De qué vigilias ante un mar que ignoro,
De qué pudor de la melancolía,
De qué perdida y rescatada tarde,
Llegan a mí, su porvenir remoto?
No lo sabré. No importa. En esa música
Yo soy. Yo quiero ser. Yo me desangro.

Jorge Luis Borges

Um regresso a Jorge Luis Borges


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Constitucionalissimamente

m aplauso para a frontalidade de Luís Menezes Leitão na denúncia da balbúrdia constitucional que assola o país (AQUI)
Como a área temática anda atafulhada de gente verbosa e voluntariosa, nunca me surpreende que de lá saiam as opiniões mais díspares e contraditórias, todas alegadamente reportadas ao mesmo texto de referência – e nem que as mesmas pessoas digam uma coisa e o seu contrário, que isto na torrente das palavras (e das paixões que as motivam) às vezes perde-se o fio à meada.
Isso não é grave, e para isso é que serve o "speaker's corner" em Hyde Park: diz-se umas coisas em tom mais ou menos solene e o público vaia ou aplaude livremente enquanto não chega a hora de lanchar.
O que é grave – e mais de uma vez já o disse aqui – é que estes chilreios dogmáticos, estes trinados doutrinários à nossa Lei Fundamental, vão acabar no Tribunal Constitucional, vão converter-se em legitimações de actos concretos, com directo impacto na vida das pessoas: ora desse foro de comissários não se pode esperar nada de bom, e por mim ele era abolido imediatamente, as questões constitucionais voltavam para uma Secção do Supremo Tribunal de Justiça e ao menos passaríamos a contar com um pouco menos de servilismo perante os grandes da política.
Quanto ao resto, sim, estamos perante um Estado sério: um Estado que se encarniça tributariamente sobre quem não pode fugir, um Estado que desrespeita as suas obrigações contratuais exclusivamente para com os seus credores mais fracos. Sim, deve ser isso que designam por "socialismo"…

O problema de nascer duas vezes

Modesta questão: perguntar a um político o que ele fez ao dinheiro é insultá-lo? Entre muitos outros, Zédu e sua filhota empresária Isabel dos Santos aguardam ansiosamente pela resposta.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Proponho que este seja o novo hino nacional


Crise? Qual crise?

Tem razão o João Gonçalves (AQUI): a explosão das vendas de automóveis em Portugal para "antecipar" o "agravamento tributário", além de revelar uma preocupante falta de consciência do que são condições de mercado (ninguém aparentemente se lembrou da possibilidade de, retraindo-se a procura, os concessionários terem que suportar, ao longo de 2011, uma parte do agravamento tributário), revela uma alarvidade consumista e ostentativa que é um dos mais eloquentes testemunhos do nosso provincianismo carroceiro. E sim, o português médio não apenas trata melhor o carro do que a família: é na carroça que projecta o essencial dos seus valores de florescimento pessoal.

Para fiscalizar as contas do Estado... o Sr. Pinto Barbosa, que fiscalizava o Banco Privado Português!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lambuzamento virtual

Deve haver uma razão pela qual a febre infantiliza tantos os homens. Hoje sonhei acordado com wafers de baunilha, o que certamente não me sucedia há decénios. Ainda me passou pelo espírito pedir para comprá-las, mas não sei se no subconsciente não emergiu a ideia de transgressão, ou a consciência de que coisas dessas têm que ser pedidas à mamã.
Fiquei-me pelos antipiréticos, que não dão para abrir a meio para nos lambuzarmos com aquele creme hiper-calórico.

Retribuindo uma lembrança: Amor de Juventud, c/ Gal Costa & Pedro Aznar


Há fotografias que fazem sonhar... sonhar...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Nec mergitur: the Kindness of Strangers

Agora que, como na 2ª Carta a Timóteo, quase só resta a consolação de se ter travado o bom combate e de se ter guardado a fé, já surpreende a regularidade do encómio que deixou de ser merecido (se alguma vez o foi), sobretudo numa hora de sabedoria crepuscular. Tomo-o por um gesto de empatia entre desconhecidos, esta coisa descarnada e arquetípica que o meio propiciou, acrescentando mais uma às nossas formas gregárias. OBRIGADO!

Boavental Sousa Santos, o paranólogo


"Acaba de receber uma bolsa de 2,4 milhões de euros do European Research Council para ajudar a Europa a ver o mundo." (daqui)
Um parasita encartado, portanto, a receber óbolos milionários a troco de fazer coisa nenhuma. O personagem, arrotando moedas, acha que os mercados cometem crimes contra a humanidade e alonga-se em pérolas como estas:
"Porque é que o Saddam Hussein morreu? Saddam, que foi agente dos EUA, que fez guerra contra o Irão a mando dos EUA, a quem quiseram passar tecnologia nuclear, começou a cometer um erro: começou a ver a debilidade do dólar e a querer pôr grande parte das suas reservas de petróleo em euros."
&
"Mas o WikiLeaks tem algumas debilidades. Uma que é conhecida é que Israel foi poupado. Toda a gente esperava que, havendo uma libertação de documentos, Israel fosse o país mais embaraçado. Suspeita-se hoje que havia um acordo entre o Julian Assange e o primeiro-ministro israelita. Por vontade de Julian Assange? Porque a Mossad é uma agência de serviços secretos que não olha a meios para destruir os seus inimigos? Nunca saberemos."
Nunca saberemos, ó Boaventura? Porquê esse súbito assomo de modéstia? Viraste céptico, camarada? Então não é a Mossad que faz tudo acontecer no mundo? Não sabes que foi ela que lançou uns tubarões no Mar Vermelho para embaraçar o turismo egípcio? Esse teu cepticismo torna-te suspeito, ó camarada! Às tantas os 2,4 milhões de euros são financiamento de Telavive…
Não sabes? Ora, ora, não sejas modesto, tu mesmo me enviaste esta fotografia do colectivo do Wikileaks:

The Joker (they call me Maurrrrice): Kurt Elling revisita a Steve Miller Band


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