O novo Ashram minimalista

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cátedras de propriedade familiar



Parece que em Itália os postos universitários voltaram a ser propriedade familiar: LER.
Felizmente por cá estamos livres dessa praga…

East Side Story (um talibã e a namorada)


West Side Story (à entrada do Campus)


terça-feira, 28 de setembro de 2010

O irmão de Margarethe



Ludwig Wittgenstein era um místico, profundamente interpelado pelas possibilidades de designação e recriação do mundo através da linguagem (o "1º" Wittgenstein), que um dia cortou as amarras e se tornou num puro e radical nominalista, com um soupçon de cepticismo (o "2º" Wittgenstein). O "1º" demoliu o projecto de fundação da matemática através da lógica (Russell & Whitehead tiveram a honestidade de reconhecê-lo). O 2º evidenciou o carácter arbitrário, puramente consuetudinário, das "âncoras lógicas" nos "jogos de linguagem".
Ele ficará como um dos grandes "trituradores" do projecto de glorificação da lógica que animou efemeramente os círculos do positivismo analítico.
Ludwig Wittgenstein via a lógica (como a linguagem) como uma escada descartável, para chegarmos a um patamar (para lá do qual, como em Kant, a evocação mística ou a estesia poética recobravam plenamente os seus direitos). Não pode dizer-se senão que a lógica é, nele, muito subalternizada.
Podemos, pois, acordar sem termos que chegar a acordo.

Bonito de mais para ser verdade: vista de Cholula (Puebla, México) para o Vulcão Popocatepetl


 

Novos incentivos para a época de Inverno: Saucony Grid Jazz 13 (inaugurados hoje mesmo)


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O ambiente na Universidade de Columbia


 

Notícias da Universidade de Columbia



A venerável instituição faz pela vida e não renega o óbolo de uns patacos. Precisa mais de dinheiro do que as Universidades portuguesas, pelo que o que vamos dizer a seguir é essencialmente uma história edificante (daquelas que devem ser contadas à mocidade).
Um bom dia o capataz Mexia, que é fiel mandatário da terceira parte da Santíssima Trindade, resolve – mandatado – agradecer em géneros os bons ofícios do Prof. Pinho, que quando era ministro não oficiou menos no altar dessa devoção trinitária (e por tabela foi engordando o capataz).
Os dois são funcionários da mesma casa, entendem? E o patrão soube agradecer, mandando o Pinho lá para o posto que ele deve ter revelado que desejava. Vá lá não ter dito que desejava antes ser Príncipe de Gales! Não, foi modesto no pedir, o Pinho é camarada.
Passemos à ciência na supradita Universidade. Parece que estavam à espera do Pinho, e agora que ele lá está as coisas finalmente funcionam. Atribuíram-lhe a Cátedra Maizena, com a dupla justificação de ele aludir à mesma com frequência, e de lá nos EUA se desconhecer a Farinha Amparo, em que se estriba o currículo da luminária.
Tal era o interesse em tê-lo que a Universidade de Columbia, que costuma pedir de dote 100 milhões de dólares por cada neófito, desta feita quedou-se pelos 3 milhões, haja em vista as qualidades do mestre luso e a credibilidade dos padrinhos (esclareçamos o leitor possivelmente confuso: na Universidade de Columbia são os Professores que pagam para dar aulas, e não o contrário).
Ai mas o melhor está para vir quando chegarmos à época de exames! O rigor de Pinho é de mais longa fama do que a do Brandy Constantino, vai ser o bom e o bonito, agora é que o estudante americano vai ver como elas mordem. Por cá aguardamos ecos: e vamos ver se se confirma o rumor de que quando ele aprova, cumprimenta o aluno, mas quando reprova faz-lhe um gesto alusivo que agora caiu na moda!

sábado, 25 de setembro de 2010

Há 100 anos: o idílico declínio da Rússia czarista (3)


Momento Candide



O folclore da dívida, do endividamento, do colapso, já cansa – um exercício neurótico que acaba a confundir os embaraços financeiros de um Estado mal gerido com a perspectiva económica de pessoas que, no seu universo privado, dão o seu melhor e prosseguem e prosseguirão contra tudo e todos porque não têm alternativa, por muito que a paranóia oficial insista em asfixiá-las, triturá-las, em continuar o seu sórdido exercício ideológico de alienação.
Por mim, que arda Constantinopla, que toda a grande meretriz do fogo fátuo da política soçobre, que venha a tirania ou a anarquia, enquanto houver portões no Ashram isso ficará como ruído distante, nunca como paixão ou como pretexto.

Sexta - sábado


Tinha que acontecer em Portugal: plágio de capas!



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A uma leitora atenta



O Ashram nunca foi e nunca será puritano.
As jovens que se meneiam uns posts abaixo ao ritmo do "trance" são magnificamente constituídas, daí que revê-las seja a minha "revisão constitucional".
Na sua beleza são também, como todas as formas naturais de beleza, demonstrações da existência de Deus. Privarmo-nos de contemplar essas formas de beleza é que seria uma ingratidão para com o Criador – seria um desprezo pela sua obra (estou a falar a sério).
De resto, o Ashram não é puritano nem anti-puritano, não é nada – e nesse ir-se fazendo, sem baias, está todo o gozo do seu autor (como há uns anos a subtilíssima autora do Bomba notava, dizendo aproximadamente que no Ashram nunca faltam surpresas e raramente há linhas rectas).

Há 100 anos: o idílico declínio da Rússia czarista (1)


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Praemonitio (vel admonitio?) Ashramiensis



O/a amante que resvala para a condição de manteúdo/a já sabe que está sempre a um passo do repúdio. Vive do favor da mancebia, e os frutos que saboreia têm a graça, o pétillant, mas também o desvalor, da coisa efémera.
Pode chorar quando o repúdio chega; mas chorará, se alguma moralidade lhe restar, não tanto pela ingratidão do repudiante, mas mais pela própria fraqueza de ter consentido trinar na gaiola dos favores.
A seriedade do carácter não consente inebriamentos na dependência. A seriedade repudia favores que trazem afixado o preço. A seriedade reclama a ataraxia da independência, a pobreza honrada daqueles que, por integridade da alma, repudiaram a orgia (Provérbios, 15:17).
O velho Cincinato regressou à lavoura quando sentiu a missão cumprida, e nem um mês tinha passado da sua consagração como Ditador. Tempos houve, pois, em que as luzes ainda apontavam para aqueles que serviam outros valores que não os da glorificação pessoal e do pequeno ganho hedónico da solicitude mercenária.
Como o velho Platão estava enganado! Nenhum nível de conhecimento, nenhum grau de aculturação, resgatam o carácter para a virtude. A sagesse ética tem algo de inato e de herdado, e o resto deve-se à sorte de a estátua interior que policia a nossa conduta não se ser confrontada com demasiadas tentações: foi por isso mesmo que, passada a arrogância e o deslumbramento cognitivistas, Immanuel Kant se rendeu à exaltação rousseauniana da moralidade do homem comum e sobre ela edificou a sua teoria moral – advertindo que não há verdadeira liberdade, mas mero império de paixões, a Schwärmerei partidária, fora desse espaço de contenção e disciplina.
Tenho pensado muito nesses mortos ilustres quando oiço cacarejar aqueles janotas que querem usurpar-lhes a tradição.

Ecos de Port-Royal


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Carrilho, o Novo Baiano



Manuel Maria Carrilho, em entrevista ao Expresso, diz que não quer acabar os seus dias (profissionais) como político ou como diplomata (o què? só porque lhe arranjaram o gancho em Paris já é diplomata?), mas sim como professor, como académico, porque é aí que está a sua verdadeira vocação.
Se está a ser sincero, cabe fazer-se-lhe a pergunta que outrora dirigiram ao Rei Pirro: o que é que está a impedi-lo de alcançar imediatamente aquilo que deseja? Peça a demissão hoje, amanhã volta a dar aulas e a fazer exames. É simples.
Parece-me antes que, com afirmações dessas, ele está a parecer-se com os proverbiais baianos que só falam da Baía, a Baía para aqui, a Baía para lá, mas o Diabo que carregue alguém que pense sequer em tirá-los do Rio de Janeiro.
E é verdade também que do baiano se diz que não nasce: estreia…

nesse céu onde o olhar / é uma asa que não voa



É um daqueles bens que raramente aparecem no mercado, e rapidamente voltam a sair dele. Desta vez talvez a crise o faça permanecer mais tempo; o preço é absurdamente alto (para um simples e exíguo T3), o prédio já não é recente – aquela magnífica fachada circular que paira sobre o Largo do Rato; a vizinhança partidária não é das mais recomendáveis. Mesmo assim, se eu fosse milionário este apartamento não me escapava. As imagens explicam a razão principal. As outras razões guardo-as para mim.




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Estudar desenvolve o cérebro



A Setôra é o máximo, ficámos a saber que o dia tem 24 horas, e que se a gente se portou bem no ano passado este ano vamos receber presentes, ou pelo menos damos felicidade à família, e vamos ficarmos muita, muita, muita bonzinhos, e o Menino Jesus vai-nos livrar daquela gente, sei lá, que não estuda e não respeita os Setôres e até vai para o pátio fumar e falar de porcarias, e agora já sei que quando se fala de Ano Lectivo é giro esbugalharmos os olhos e dar pulinhos na cadeira porque é emocionante obedecermos aos Setôres e ficarmos a ler bem e falar bem e sermos bonzinhos no desporto do cérebro que é uma coisa que os meninos bem de todo o mundo querem, e que nos permite estarmos bem na classe e até dormirmos bem e até alimentarmo-nos bem, o que deixa de fora o Dimas que o pai é desempregado e ele não se alimenta bem e por isso só se ri e diz "porreirinho" a tudo e também esbugalha os olhos e dá pulinhos a falar de queques e galões, e a Setôra diz que se orgulha de nós porque vamos longe mas eu tenho colegas que já chegam de longe porque fecharam as escolas deles e agora para estarem bem e dormirem bem e pensarem bem e falarem bem e desenvolverem o cérebro têm que vir na carreira, mas eu sei que a Setôra nos deseja aquilo que o Pai Natal deseja a todos os meninos que conseguiram aprender e que querem melhorar e ir mais longe e estão concentrados nas aulas e obedecem muito, muito, muito, e dão esmola aos pobrezinhos, e a Setôra deseja tudo de bom para os alunos portugueses o que deixou triste a Natália, que dorme bem e come pequeno-almoço e é a melhor aluna da turma mas a Setôra não lhe deseja nada porque ela é Ucraniana.

Aí vem a regionalização outra vez!


Ouve lá, ó pá



No Estado de Nova Iorque as estatísticas anunciaram orgulhosamente que se chegou aos 650 mil residentes milionários (leram bem, 650.000). Deve certamente suceder assim porque eles têm leis laborais mais rígidas do que as nossas, e porque respeitam, muito mais do que nós, as "conquistas irreversíveis" dos trabalhadores empregados (à custa dos outsiders). Ou talvez seja porque há muito confiam em revisões constitucionais para lhes assegurarem o ganha-pão. Alguma coisa há-de ser, havemos de descobri-la e havemos de demonstrar que nós é que temos razão. Estamos bem, estamos protegidos.

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