O novo Ashram minimalista

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

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sábado, 11 de setembro de 2010

Uma sequela do 11 de Setembro



Nove anos  já sobre um daqueles poucos momentos dos quais poderá dizer-se que inflectiram instantaneamente vários dos rumos da História.
Quero hoje lembrar apenas umas das consequências remotas em que me vi envolvido: a adesão da extrema-direita e da extrema-esquerda às mais imbecis teorias da conspiração acerca do evento (o Loose Change sobretudo, mais tarde o Zero Investigation, o Fabled Enemies, uma bateria de documentários do mesmo teor). A pose, de um e de outro lado dos extremos, era a mesma: olímpica indiferença pelos factos – até pelos testemunhos visuais acessíveis! – na medida em que eles não favorecessem os preconceitos e os credos.
Da extrema-esquerda pouco sei. Mas custou-me ver, no outro extremo, gente que eu julgava conhecer, alguma pessoalmente e outra de reputação, tão disposta a malbaratar um (já modesto, admitamos) capital de credibilidade a favor da mais crapulosa subjugação à parcialidade e ao fanatismo – mesmo em pessoas que, sei-o, profissionalmente estavam e estão adstritas à mais rigorosa objectividade na análise dos factos.
As minhas (já poucas) esperanças sobre a seriedade de ex-correligionários desmoronaram-se no meu íntimo com o ímpeto das próprias torres. A cegueira das paixões não se deixa atrapalhar nem com as evidências mais directas, e aquilo que se vê é filtrado e descartado por uma "super-narrativa" que aprisiona os fanáticos num sonho de pureza e congruência que se converte numa condicionadora "categoria do entendimento".
Ingenuidade a minha não o ter descortinado inteiramente antes do rescaldo do 11 de Setembro (embora já o vislumbrasse nas ladainhas anti-semitas, património comum dos dois extremismos). Talvez por comodidade eu tenha presumido que um mínimo de honestidade intelectual era tão sólido e confiável como as torres – antes de terem caído.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os sete processos Casa Pia



Por efeito da chicana judiciária ficámos, não com um, mas com vários processos Casa Pia. É por isso que, de cada vez que oiço alguém falar sobre o assunto, tenho primeiro de esforçar-me por determinar a qual dos processos se faz referência.
1) Num, digamos o central, foram cometidos crimes; e, como sempre faz, a Justiça dos homens condenou quem pode e como pode (que haja quem tenha fugido da justiça não é razão para exonerar quem quer que seja). Nem tudo o que devia ter sido punido o foi; e as punições ficam aquém do que poderia esperar-se.
2) Noutro processo, alguns polícias e magistrados tomaram a "feeding frenzy" de jornalistas como se fosse a ribalta dos "famosos" nalgum reality-show, e descompuseram-se, malbaratando o pouco que restava de respeitabilidade no ofício.
3) Noutro processo, a opinião pública não se satisfazia com o facto de alguns cobardes terem cevado a sua cobardia num exercício de poder sexual sobre menores, e de com esse gesto terem demonstrado a sua absoluta impotência para cometimentos mais viris ou para outras empresas no crime – e vai de presumir, por isso, que em cada um deles habitava um Tony Soprano, capaz de afogar em sangue a quebra de presumíveis "pactos de silêncio" que obviamente nunca existiram (quem alguma vez acreditaria em vítimas menores e pobres daquilo que os próprios perpetradores possivelmente nunca consideraram um crime, mas apenas uma aberração vergonhosa, uma devassidão inconfessável?).
4) Noutro processo, emergindo do anterior, os culpados tentaram a chantagem do "passa-culpas", um esforço de diluição de responsabilidade e de vitimização que, mais do que generalizar a dúvida, permitiria relativismos e presunções de inocência junto dos espectadores do "reality-show" policial (pois, ao rodearem o Bibi de armas e ao protegerem-no com coletes anti-bala, não estavam as próprias autoridades a acusarem já os demais indiciados de terem entre eles um complot para silenciarem o "chibo"?).
5) Noutro processo ainda, tentacular este, as mesmas instâncias de recurso que se preparam para destruir o processo "central" fizeram uma triagem política, autorizando um novo tipo de chicana judiciária em torno da "impunidade selectiva" de alguns notórios poltrões, mais um factor de desautorização para todos os envolvidos (parecia poder concluir-se que tudo se resumia a mais um episódio do embate partidário, e os crimes acabavam reduzidos a pretextos nesse infindável psicodrama).
6) Numa penúltima variante, alguns chicaneiros profissionais foram alternando entre a ameaça e o choro para fazerem crer que tudo no processo era emocional, irracional, tudo era fruto de preconceitos atávicos, de velhos hábitos de delação e de infâmia, buscando novos bodes em holocausto - um isco usualmente infalível para uma sociedade piegas e carpideira e sempre a um passo da paranóia.
7) E um último processo foi o da renovada violação das vítimas, agora na mera dimensão moral, achincalhando-as, expondo-as, denegrindo e procurando confundir os "delatores", desenterrando e amplificando fraquezas humanas e sujeitando-os a um crivo de "moralidade" e de "carácter" de que tudo o resto era dispensado.
Bem urdido, este tentáculo processual.
No silêncio dos seus gabinetes, alguns juízes viram as provas, aplicaram o direito e condenaram. São seis processos contra um. O único que é, e deve ser, válido, não tem qualquer hipótese de sobrevivência, num país deslumbrado e atordoado pelos outros seis, e que verdadeiramente quase só discute esses outros seis processos, qualquer deles muito mais vibrante e garrido. Não tenho a menor dúvida de que neste momento os desembargadores se preparam para destruir o processo "central", com a mesma rapidez com que procederam à "triagem de acusações" dos políticos indiciados. E estou certo de que tudo soçobrará, como é hábito, numa babel de recriminações regateiras num país que quase já só é alarido.
Restam duas consolações, naturalmente não-jurídicas: alguma justiça foi feita, no sentido de que alguma da impunidade acabou, e acabou mesmo; e o pouco de crente que resta em mim diz-me que o pior castigo destes pedófilos está ainda por vir.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Au revoir, Alain Corneau


Tombeau pour M. de Sainte-Colombe

Desde que fui regressando ao burgo, a uma cadência hipnótica (apesar de ser a jacto, as esperas nas ligações fazem de tudo uma espécie de «limbo zen»), soube que morreram Laurent Fignon, Frank Kermode, José Torres e Alain Corneau.
Fignon lembra-me uma época de maior paixão pelo ciclismo, quando me parece que havia mais emoção e imprevisibilidade.
Frank Kermode simplificou-me muita coisa que na primeira leitura permanecera complexa, foi um inexcedível cicerone por muitas alamedas culturais.
José Torres lembra-me os meus tempos de infância, e um fascínio pela grandeza das coisas simples e eficientes que o meu subsequente cinismo foi sujeitando a erosão, e de que hoje tenho uma saudade que às vezes sinto como quase-crepuscular.
Alain Corneau foi o autor de "Tous les Matins du Monde", um filme sublime povoado por jansenistas e por música e estética jansenista – e uma das razões (não a principal) do crisma deste ashram.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A sombra de Gungunhana

O que vemos de notícias de Moçambique faz ferver o sangue, mas é claro que todas as inferências lógicas e legítimas que a análise da situação autoriza estão hoje bloqueadas pelo "politicamente correcto".
Digamos apenas que é uma sorte, uma imensa sorte, não termos que viver naquele inferno dominado pelo terror, pela iniquidade, pela ostentação – uma jaula gigante entregue à feroz territorialidade primata que demonstra que alguns séculos de esforço pouco fizeram para melhorar milenares hábitos de violência tribal e de exploração da miséria.
No fim, talvez possamos concluir que apenas contribuímos com a erradicação do canibalismo (até ver) e com as armas com que os sobas intimidam (e não tarda nada voltam a matar) os seus súbditos.
Os vencedores desta crise moçambicana serão obviamente, e uma vez mais, aqueles que souberem demonstrar a mais vigorosa crueldade. Vão celebrá-lo, como sempre, com o aprofundamento da iniquidade – ou não fossem eles vizinhos do soba Mugabe e dos sobas que engendraram a Disgrace lapidarmente retratada por J.M. Coetzee.
Pobres mulheres e crianças que têm que suportar aquele inferno. Nós, que estamos de fora, temos uma sorte infinita.

Talvez da próxima...


A fronda ortográfica (ou, como escrever nos jornais em três simples passos)

Um país que decreta como é que o seu povo escreve – aliás, que decreta tudo, devendo haver por aí algures uma portaria a decretar para que lado é que o Tejo corre – é um país que desconfia das capacidades de evolução orgânica da própria língua. Não admira que nela pontifiquem os novos "levantadotes do verbo", aqueles que, menos tendo investido na sondagem interna da evolução da língua, na captação dos seus cambiantes e das suas potencialidades, agora, menos prisioneiros da tradição, se estribam no solavanco induzido pelos bonzos da ortografia. Decretar a própria língua tem isto, presta-se a estas usurpações pelos pés-rapados da cultura.

Um despique à sombra de Django


Escolher quem não somos

Parece que o treinador Mourinho disse algures que não é o Harry Potter. Que diabo, o outro não tinha dito também que não é a Rainha de Inglaterra?
Não quero ficar atrás: por mim, não sou o Príncipe de Gales.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

U-TOPIA, U Street

Pede dois angus burgers e duas Sierra Nevadas (strong ale) e para ali fica a desbobinar a sua vida de venturas, aventuras e desventuras, enquanto eu devoro a minha metade (a hora é tardia). Tem 65 anos e recorda o seu activismo dos sixties, de como estava presente no discurso "I have a dream" (estava longe, ouviu mal, achou o Luther King Jr. demasiado enfático e com a cadência pomposa de um evangelista, só mais tarde se comoveu a ler o texto). Como bom "liberal", vê fascismo em todo o lado e eu nem me atrevo a avançar uma opinião minha. Divorciado há demasiado tempo, namora com mulheres da idade das filhas, e frequenta bares que manifestamente já há muito deveria ter deixado de frequentar. Não importa, vende saúde e revela-me, com o ar mais convicto possível, que tenciona pedir a reforma aos 90 anos.
O DJ residente arranca com um sampling furioso e estridente, ao mesmo tempo que a iluminação cede perante a feérie estroboscópica. Pega do telemóvel, liga à filha mais nova e, empunhando o aparelho, aproxima-se das colunas ("queria que ela ouvisse, partilhamos este gosto musical; sinto muito a falta da companhia dela; mas já falei de mais a meu respeito", remata enquanto mistura a Sierra Nevada com um copázio de bourbon e saúda efusivamente, com excessiva familiaridade, uma barmaid).

Um sentimento muito yankee (vê-se por todo o lado)

Canção do bandido: Johnny Halliday interpreta Julio Iglesias



Com perdões àqueles que julgavam o Ashram imune a ataques de foleirice.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A obesidade pseudo-libertária



Alguns dos comentários que tenho lido sobre a questão das crianças obesas e sobre a responsabilidade dos pais na prevenção dessa obesidade deixam-me muito surpreendido – porque agitam uma bandeira libertária até ao absurdo, muito para lá do que pode fazê-lo um libertário genuíno. Se não temos colectivamente o direito de chamar esses pais à responsabilidade por considerarmos que se trata de questão privada – então pergunto com que direito suspenderemos o poder paternal das Testemunhas de Jeová para realizarmos transfusões de sangue nos seus filhos menores (e podíamos ir mais longe ainda, perguntando com que legitimidade imporemos então a escolaridade obrigatória, ou com que direito retiraremos o poder paternal em casos manifestos de toxicodependência dos progenitores).
Dirão: e com que arrogância presume de decidir o que é um libertário "genuíno"? Passo, e prefiro remetê-los para o recente, mas já clássico, artigo de Cass Sunstein e Richard Thaler, "Libertarian Paternalism Is Not An Oxymoron" (AQUI).

As ironias auto-referentes de um libertário (un vrai, un dur, un tatoué)


Quando cantam, parece que estão sós.


domingo, 29 de agosto de 2010

Chilreios


Quando somos crianças o mundo faz sentido porque acabámos de descobri-lo. Quando somos crianças a realidade não é refractária aos nossos sonhos, e por isso povoamos a realidade de ursos falantes e de elefantes voadores que são mais bonzinhos e perfeitos do que os adultos. Quando somos crianças somos omnipotentes porque somos capazes de transitar do choro ao riso apenas com um carinho, com uma macacada ou até com umas cócegas. Quando somos crianças quem manda no nosso mundo somos nós, porque circunscrevemos o mundo ao espaço da nossa atenção e dos nossos refúgios; e rejeitamos eficazmente o resto, intimidando os adultos com as nossas birras e os nossos protestos. Permitimo-nos a crueldade porque não sabemos senão ser autênticos; permitimo-nos a impertinência porque sem ela seríamos insignificantes; somos caprichosos porque essa é a única força que nos resta num mundo que se rege pela força; somos ruidosos porque somos jovens mamíferos vulneráveis que reclamam protecção e alimento. Ao longe soamos como passarinhos que chilreiam pelas mesmas razões do que nós.

Outra nortada


Falharemos este ano o nosso habitual encontro na confluência da R. Florêncio Granate e da R. do Norte.
Infelizmente, desta vez saberei que não é para o ano que poderei emendar esta falha; saberei mesmo que essa falha já não vai a tempo de ser emendada, e que eu viverei com a amargura de não ter podido prolongar até ao seu horizonte natural tudo o que esses encontros significavam para mim.
E havia ainda tanto para dizer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lapidar

No Korean War Memorial em Washington DC:

"FREEDOM IS NOT FREE"

Lobo Bobo

Finalmente percebi o que é que Lobo Antunes disse que irritou os valentões que querem intimidá-lo.
Mas aquelas mistificações sobre chacinas não são perfeitamente inócuas, de inverosímeis que são?
Ou será que não existe, nos registos da tropa, forma de desmentir, com números e nomes, o que ele diz? Não será possível encontrar ao menos um camarada do mesmo batalhão ou companhia capaz de contradizê-lo?
Partir-lhe o focinho, por sua vez, o que é que provaria? Não é verdade que os bandidos mandam partir o focinho aos cúmplices que se chibam?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ainda a guerra colonial

Agora que se reabre fugazmente o dossier (perdão, dossiê) da guerra colonial, não posso deixar de lembrar a mais judiciosa observação sobre esses tempos, da autoria do sempre sagaz Henry Kissinger, que caracterizava nestes termos sintéticos o problema quase-paradoxal da assimetria básica numa guerra de guerrilha: ao guerrilheiro basta não ser derrotado para averbar uma vitória; já para o exército convencional a ausência de vitória representa uma derrota.

O império do termos

A cultura yankee está totalmente rendida à cultura do "termos" – do copo isotérmico que todo o cidadão vaidosamente empunha em qualquer ocasião. Na rua, passam aos magotes viciados de cafeína ostentando os seus copázios de mistela. Temos uma reunião, uma conferência – e os presentes sorvem ruidosamente, e com deleite, um qualquer derivado de café de denominação difícil e imaginativa. Olham para mim com estranheza, decerto atribuíndo a um lapso persistente da minha parte a ausência do bendito mini-balde de café com tampinha e palhinha. Imagino-os de "termos" em punho a irem dormir, ou a entrarem na casa de banho.
Com horror do vácuo, a superação de um vício é imediatamente acompanhada da irrupção explosiva de um outro. Sinal do progresso, antes a cafeína do que o tabaco, entretanto totalmente banido (ou clandestino).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mr. Jansenist Goes to Washington

Uma temporada longe da piolheira permite uma relativização e um distanciamento valiosos – uma espécie de banho lustral para se poder ir em frente.

Contra o Lobo Antunes, Marchar, Marchar!

Uns tropas andam por aí a anunciar que "partem o focinho" a Lobo Antunes – tanto quanto percebo porque ele coloca em questão o comportamento da tropa no ultramar.
Os que se portaram bem por lá viverão quando muito na recordação e no ressentimento pelo desfecho – e não andam aí a tentar, num espúrio desagravo, esfregar a honra no "focinho" de um septuagenário canceroso, cobrindo-se de ridículo e tornando-se suspeitos da (mais uma) reles cobardia. E isso porque nenhuma versão de que se passou – mais a mais assumidamente romanceada – os melindrará, até porque os mais inteligentes perceberam que o protagonismo pretérito não os converte em proprietários do correspondente registo histórico.
Dos demais, dos idiotas que passaram a pontificar na tropa desde o glorioso 25A, recordo os meus tempos de combate direitista em que, ao tom do

Oh Laurindinha, vem à janela. / Ver o teu amor, (ai ai ai) que ele vai p'ra guerra.

Entoávamos:

Ó Zé Povinho, vem à janela. / Anda ver os tropas (ai ai ai) a fugir da guerra / Anda ver os ricos oficiais / A darem a vida (ai ai ai) nos mares de Cascais

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A/C JG: Sim, cantei



No trecho acima, os solistas éramos eu e a Alexina (como vê, o meu anonimato não é matéria de dogma…)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Rumo a norte

Férias, para mim, não são este desterro em paragens demasiado quentes e modorrentas.
Sinto a falta do vento, das ondas, do poente chapado no mar, da neblina matinal e da nortada vespertina; do frio nos ossos lentamente retemperado pelo Sol, da calçada irregular, de uma mistura (em subtis percentagens) de gaivotas e andorinhas, de nuvens acastelando-se no mais impiedoso e romântico dos oceanos; do chilreio das crianças, do cheiro a café, a maresia, a frango, a maresia, a peixe seco, a melão, a maresia e a pão quente, dos rituais pausados das "férias à antiga", da contemplação das memórias de traineiras que já não regressam mas que ainda visualizamos a deixarem o seu rasto de limos pela areia; de uma outra noção de tempo, sem relógio, guiada apenas pelos cambiantes de luz e pelo fôlego das marés; e, mais importante, da memória do abraço de familiares e amigos que connosco arrostavam estoicamente esses verões contingentes e caprichosos, preenchendo em conversas (também "à antiga") as irrupções da invernia, com ou sem vigorosas marchas rumo a Norte, sempre ao vento, um vento implacável, um vento vivo.
São memórias demasiado doces de verões salgados para que possam contra elas competir as torrentes de SPAs, Resorts e Aquasplashs betonados, ajardinados e sem alma com os quais hoje se preenchem, numa sucessão sem referências e por isso não-memorável, os meus verões de fachada, do lado errado do Cabo da Roca.

Já fui viciado neste trecho (que ouvia em loop em longas viagens de carro)


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