O novo Ashram minimalista
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
À memória de António Manuel Couto Viana
(…)
Não nasças! Nada temos que te dar:
Mirrada a mirra, o oiro gasto
E o incenso apenas a incensar
O ladrão que roubou o rebanho e o pasto.
(...)
Excerto de um poema dedicado a Manuel Maria Múrias
António Manuel Couto Viana, Nado Nada (1977)
(cit.)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mar por mar, preferia…
"...this poor haunted canyon which again gives me the willies as we walk under the bridge and come to those heartless breakers busting in on sand higher than earth and looking like the heartlessness of wisdom --Besides I suddenly notice as if for the first time the awful way the leaves of the canyon that have managed to be blown to the surf are all hesitantly advancing in gusts of wind then finally plunging into the surf, to be dispersed and belted and melted and taken off to sea --I turn around and notice how the wind is just harrying them off trees and into the sea, just hurrying them as it were to death --In my condition they look human trembling to that brink --Hastening, hastening ---In that awful huge roar blast of autumn Sur wind."
Jack Kerouac, Big Sur
quarta-feira, 9 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Extrapolando de uma leitura de A.
A passagem do tempo ensina-nos duas ou três coisas sobre a vida que invariavelmente ignoramos quando somos mais jovens:
- Que a vida é sempre imprevisível, no sentido de que é muito mais o que nos acontece do que aquilo que fazemos acontecer.
- Que a vida é um exercício solitário entre intermitências de companhia, no sentido de que a identidade que transportamos é infinitamente mais próxima do que tudo o que nos é exterior.
- Que a vida nos impõe compromissos, ambiguidades e pequenos vexames, corporais e morais, no sentido de que toda ela é uma travagem num plano inclinado, sem retorno.
Por isso é que precisamos tão crucialmente de nos reimaginarmos, de vivermos ficcionadamente o que não vivemos, de impormos algum sentido e valor àquilo que irremediavelmente experimentamos sem sentido e sem valor, de deambularmos no tempo, para trás e para a frente, construindo o que é inacessível e julgando resgatar o que efectivamente está perdido.
Por isso as nossas vidas pardacentas precisam de uma demão de contra-factual a colori-las – nem que seja na insinuação risquée, no double entendre, na verbalização transgressora, na imaginação aventureira, na frivolidade, uma forma habilidosa e gratificante de, burgueses sedentários, permanecermos amarrados ao cais quando a nossa inquietação nos dita que, como nas palavras do poeta, navegar é preciso.
Dois puzzles para constitucionalistas
Depois de termos andado tantos anos a pensar que o ensino obrigatório visava proporcionar às crianças e jovens o convívio com os da sua geração, a partilha de valores, a socialização do conhecimento, descobrimos agora que não, que é uma corrida – que estimula os fugitivos e proporciona até um atalho para os retardatários.Um preclaro especialista vai ao ponto de asseverar que assim é que é, e que "as normas constitucionais estão pensadas para pessoas normais, não para as excepcionais" (MARAVILHA), sendo portanto que 1) os sobredotados não estão sujeitos aos limites constitucionais e 2) os sobredotados podem sair mais cedo do sistema, mesmo mandando às urtigas a socialização e o convívio geracional.
Dois problemas para os constitucionalistas cá da tabanca: 1) O Júlio acha-se sobredotado para o gamanço, em especial o de carteiras no eléctrico 28 – logo, as detenções pela bófia são inconstitucionais, não é? 2) O pai do Kléber acha que o catraio, que já tem 11 anos, é um sobredotado – pode portanto acelerar-lhe o ensino e pô-lo aos 12 anos a dar uma mãozinha das 9 às 6 lá na oficina, então não?
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O Vinicius tem razão (II)
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Vinicius de Moraes
O Vinicius tem razão (I)
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Como lidar com terroristas (e não-terroristas)
Quando foi preciso defender os nossos interesses na Guiné, fomos até Conakri partir os cornos a uns quantos terroristas que por lá se abrigavam; ainda tentámos limpar o sebo ao Sekou Touré e conseguimos libertar alguns prisioneiros nossos.
Matámos sem hesitar algumas dezenas de soldados da Guiné-Conakri, e umas dúzias de civis pagaram com a vida a imprudência de estarem no local inoportuno no momento inoportuno.
Nem preciso entrar no detalhe acerca daquilo que, séculos antes, Afonso de Albuquerque fez e mandou fazer à moirama que por único pecado tinha o de pretender opor-se à expansão da cruz e do comércio – bastará lembrar que os desgraçados, acorrentados uns aos outros, se degolavam mutuamente à dentada para não terem que sofrer às mãos dos portugueses.
Não me sinto nem mais nem menos orgulhoso de ser português por sê-lo à custa de tanto sangue e de tanta crueldade. A história das nações fez-se e faz-se assim, com a crueza de entidades que, imunes ao pactum subjectionis ao Leviatão (o pacto de renúncia mútua à força), se reservam a prerrogativa de se afirmarem e se auto-preservarem usando a brutalidade e o medo como razão última.
Não sei em que é que Israel tem que ser diferente; não sei porque é que deveria deixar terroristas medrarem à sua porta, ou porque é que deveria sujeitar os meios da sua auto-preservação aos frívolos ditames da larilice ética.
O comboio O desejado
Agora que chegam notícias de que Portugal vai colaborar com Marrocos no projecto da Alta Velocidade, fico com a certeza de que um dia veremos o TGV irromper numa manhã de nevoeiro, vindo da estação de Alcácer-Quibir.
terça-feira, 1 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Six degrees of Maurice Schumann
Era eu um rapazinho estudioso quando um dia o Proviseur do Lycée Français me convocou, e a mais dois ou três dos meilleurs élèves, para cumprimentarmos Maurice Schumann, na altura de passagem por Lisboa como Ministre des Affaires Étrangères no Governo Chaban-Delmas.
O briefing foi emocionante – sendo um dos heróis da France Libre, íamos cumprimentar uma daquelas figuras que andava na mitologia francesa de então (talvez mais intensamente do que nunca, dadas as recentes humilhações indochinesa e argelina). O momento foi breve, não sei se houve fotografias, mas recordo-me de uma figurinha insignificante e amável. Ponho-me agora a pensar que, com aquele aperto de mão, entrei involuntariamente no universo histórico daqueles que o cumprimentaram, entre eles, imagino, a fina-flor de vivos e mortos da Résistance. Quantos? Era engraçado ver a lista, se houvesse uma.
Momento Panteísta no Ashram I
The gross heathenism of civilization has generally destroyed nature, and poetry, and all that is spiritual.
John Muir
Ainda há saudosistas
Nas repúblicas dos cafres, é tão fundo e amplo o abismo entre os sobas e o pé-rapado que a política é a glorificação máxima, é o bilhete de lotaria premiado.
Acho por isso deprimente que por cá se dê tanta importância à política e aos políticos, um sinal inequívoco de cafrealização.
sábado, 29 de maio de 2010
Dennis Hopper
Na minha adolescência tive, anos seguidos, um poster do Easy Rider no meu quarto, e sucedeu ficar longamente, enquanto adormecia, a meditar nos ícones distantes da liberdade "hippie" que eram, para mim, Peter Fonda e Dennis Hopper. Confesso que simpatizava mais com o primeiro, talvez por causa do seu sorriso generoso, talvez por ser irmão da Barbarella. Mas o segundo ficou o lado porventura mais "shady", um digno sucessor cinematogrático de William S. Burroughs, no contraponto "beat" aos rastos luminosos de Kerouac e Cassady.
Talvez hoje ao deitar-me consiga por momentos recriar a visualização do poster, a bandeira americana no depósito da chopper de Fonda, e reimaginar alguns devaneios rodoviários com ambos pelo wild west (escusado dizer que só vi o filme muito mais tarde, e foi a total desilusão).
Kick start and chopper along!
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