O novo Ashram minimalista

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

A má sina dos blogues situacionistas




Tenho seguido nas últimas semanas dois blogues situacionistas, o Jugular e o Regra do Jogo. Descontando alguns amigos que tenha nalgum deles, confesso que a experiência tem sido pouco instrutiva e sobretudo pouco edificante.

Há situacionistas de talento? Claro que os há, sempre os houve.

Há situacionistas desprendidos? Ainda deve haver um ou dois, devem ser esses meus conhecidos que escrevem num desses blogues.

Há situacionistas não-capturados pela rede dos fretes e dos lobbies (ou como é que raio se escreve a palavra)? Tenho-me convencido de que não: gente que presumia inteligente salta alegremente para a defesa do indefensável, para a negação das evidências e para o insulto das dissidências.

Há situacionistas identificáveis por qualquer outro talento que não seja o de… serem situacionistas? Infelizmente há: e digo infelizmente porque nesse caso ser-se situacionista é puro desperdício, é um dispêndio de energia na repetição das ideias feitas, dos slogans ocos e dos «soundbytes» (ou lá como é que isso se escreve agora) que hoje comandam o «registo» da política.
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Luís XIV teve o talento de reconhecer que para se ver livre das frondas nobiliárquicas tinha que arrastar a corte para fora de Paris, e dar origem a uma narrenschiff de pavões emasculados, que dissipariam a sua energia centrífuga em certames de frivolidade e subserviência, em uníssonos de glorificação balofa, mostrando o rabo ao macho-alfa como babuínos submissos.

Não se fez melhor, desde então, em matéria de situacionismo. Não admira que o situacionismo tenha má reputação.

Longas vidas




São os seres vivos mais velhos do planeta – algumas eram miúdas já no período helenístico, e tinham grande porte quando Cristo passou pela Terra. Fazem pensar.

Para esquecer que estou desterrado em Luanda




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A degeneração de cada geração (ou, a velha litania saudosista)


LER

Bispos renegam a reincarnação?




ê-se na Bíblia, a propósito da reincarnação no Juízo Final, que mesmo que os vermes destruam o corpo, ainda assim veremos a Deus com a nossa carne (Job 19:26).
Sempre me foi dito que por isso é que se defendia a inviolabilidade postmortem do corpo e se proscrevia a cremação. Os cemitérios estariam repletos de crentes nessa reincarnação, nesse milagre de uma segunda vida efectiva, na integridade restituída ao corpo.
Vejo por isso com alguma apreensão que a Igreja venha agora defender , em nome da solidariedade, a universalização da doação postmortem dos órgãos.
Sem qualquer ambiguidade ou ironia, aqui declaro a minha absoluta convicção no dever de solidariedade que deve determinar a doação postmortem de órgãos; e mais declaro que, após muitos anos de dúvidas e hesitações, acho boa a ideia da «presunção de dador» estabelecida para todos nós.
Só não resisto a notar a ambiguidade e a ironia que se acoitam na posição da Igreja: como é? Vamos para a solidariedade ou ficamos pela literalidade da reincarnação? Rasga-se a cartilha moral ou rasga-se a Bíblia? Vamos reincarnar mutilados de órgãos?

Jeeves & Wooster: um momento alto numa cumeada interminável de momentos altos



Bertie sings Nagasaki: extremely invigorating, Sir! (says Jeeves)



domingo, 29 de novembro de 2009

Fast Fourier Transform: uma nova forma de visualizar música ("Origine Nascota" de Ludovico Einaudi)



Um muezzin a sair do relógio de cuco


opinião pública parece querer mobilizar-se, parte por temor, parte por vassalagem aos "ventos da História", contra a opinião Suíça que quer banir a edificação de (mais) minaretes no país. A questão, na modesta opinião de um reaccionário incurável, é a de saber-se se a paisagem suíça não ficará descaracterizada com tão peculiar e irreconciliável arquitectura – como seria a de saber-se se um chalet suíço se enquadraria bem nos terraços de Meca ou na estrada para Medina.
Imagino que qualquer muçulmano bem-intencionado não se importará de professar a sua fé num local discreto e esteticamente integrado; tal como eu não requereria uns campanários altaneiros e estridentes se tivesse que professar a minha fé "in partibus infidelium".
Uma reciprocidade pela negativa, em suma – bem mais razoável, parece-me, do que esta perene auto-flagelação relativista que tudo quer conceder e se agonia com a simples ideia de se exigir algo em contrapartida.

Wanderlust e as glórias / paradoxos do ciberfeminismo (exotismos académicos)


LER

Talvez o momento mais sofisticado de sempre no Ashram: um regresso ao alaúde


Ganha-pão e prostituição, e o problema da liberdade de acesso à Internet



Quando oiço falar de mais uma iniciativa de fechar o acesso à Internet para proteger os «direitos intelectuais» dos «criadores», lembro-me sempre do lamento que Georges Brassens colocava na voz das prostitutas e dos gigolos, confrontados com a «concurrence déloyale» do «amor livre». Com efeito, que se fará do ganha-pão desses «criadores do sexo» se os amadores começam a vulgarizar a prática gratuita do acto?

Aqui vai, Concurrence Déloyale:

Il y a péril en la demeure, depuis que les femmes de bonnes moeurs, ces trouble-fête,
Jalouses de Manon Lescaut, viennent débiter leurs gigots à la sauvette.
Elles ôtent le bonhomme de dessus la brave horizontal' déçue, elles prennent sa place.
De la bouche au pauvre tapin elles retirent le morceau de pain, c'est dégueulasse.
En vérité, je vous le dis, il y en a plus qu'en Normandie il y a de pommes.
Sainte Madeleine protégez-nous, le métier de femme ne nourrit plus son homme.
Y'a ces gamines de malheur, ces grosses qui tout en suçant leur pouce de fillette,
Se livrent au détournement de majeur et, vénalement, troussent leur layette.
Y'a ces rombières de qualité, ces punaises de salon de thé qui se prosternent,
Qui pour redorer leur blason, viennent accrocher leur vison à la lanterne.
Y'a ces petites bourgeoises faux culs qui, d'accord avec leur cocu clerc de notaire,
Au prix de gros vendent leur corps, leurs charmes qui fleurent encore la pomme de terre.
Lors, délaissant la fille de joie, le client peut faire son choix tout à sa guise,
Et se payer beaucoup moins cher des collégiennes, des ménagères, et des marquises.


Ajoutez à ça qu'aujourd'hui la manie de l'acte gratuit se développe,
Que des créatures se font culbuter à l'oeil et sans calcul. Ah les salopes !
Elles ôtent le bonhomme de dessus la brave horizontal' déçue, elles prennent sa place.
De la bouche au pauvre tapin elles retirent le morceau de pain, c'est dégueulasse.


sábado, 28 de novembro de 2009

Lamber as feridas epistemológicas: Alan Sokal revisitado

(na foto, uma noitada entre montanhistas)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Desejo de tranquilidade



Nas estantes



Mes livres ne sont pas des livres, mais des feuilles détachées et tombées presque au hasard sur la route de ma vie (Chateaubriand)

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