O novo Ashram minimalista
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Bispos renegam a reincarnação?
ê-se na Bíblia, a propósito da reincarnação no Juízo Final, que mesmo que os vermes destruam o corpo, ainda assim veremos a Deus com a nossa carne (Job 19:26).
Sempre me foi dito que por isso é que se defendia a inviolabilidade postmortem do corpo e se proscrevia a cremação. Os cemitérios estariam repletos de crentes nessa reincarnação, nesse milagre de uma segunda vida efectiva, na integridade restituída ao corpo.
Vejo por isso com alguma apreensão que a Igreja venha agora defender , em nome da solidariedade, a universalização da doação postmortem dos órgãos.
Sem qualquer ambiguidade ou ironia, aqui declaro a minha absoluta convicção no dever de solidariedade que deve determinar a doação postmortem de órgãos; e mais declaro que, após muitos anos de dúvidas e hesitações, acho boa a ideia da «presunção de dador» estabelecida para todos nós.
Só não resisto a notar a ambiguidade e a ironia que se acoitam na posição da Igreja: como é? Vamos para a solidariedade ou ficamos pela literalidade da reincarnação? Rasga-se a cartilha moral ou rasga-se a Bíblia? Vamos reincarnar mutilados de órgãos?
domingo, 29 de novembro de 2009
Um muezzin a sair do relógio de cuco
opinião pública parece querer mobilizar-se, parte por temor, parte por vassalagem aos "ventos da História", contra a opinião Suíça que quer banir a edificação de (mais) minaretes no país. A questão, na modesta opinião de um reaccionário incurável, é a de saber-se se a paisagem suíça não ficará descaracterizada com tão peculiar e irreconciliável arquitectura – como seria a de saber-se se um chalet suíço se enquadraria bem nos terraços de Meca ou na estrada para Medina.
Imagino que qualquer muçulmano bem-intencionado não se importará de professar a sua fé num local discreto e esteticamente integrado; tal como eu não requereria uns campanários altaneiros e estridentes se tivesse que professar a minha fé "in partibus infidelium".
Uma reciprocidade pela negativa, em suma – bem mais razoável, parece-me, do que esta perene auto-flagelação relativista que tudo quer conceder e se agonia com a simples ideia de se exigir algo em contrapartida.
Ganha-pão e prostituição, e o problema da liberdade de acesso à Internet
Quando oiço falar de mais uma iniciativa de fechar o acesso à Internet para proteger os «direitos intelectuais» dos «criadores», lembro-me sempre do lamento que Georges Brassens colocava na voz das prostitutas e dos gigolos, confrontados com a «concurrence déloyale» do «amor livre». Com efeito, que se fará do ganha-pão desses «criadores do sexo» se os amadores começam a vulgarizar a prática gratuita do acto?
Aqui vai, Concurrence Déloyale:
Il y a péril en la demeure, depuis que les femmes de bonnes moeurs, ces trouble-fête,
Jalouses de Manon Lescaut, viennent débiter leurs gigots à la sauvette.
Elles ôtent le bonhomme de dessus la brave horizontal' déçue, elles prennent sa place.
De la bouche au pauvre tapin elles retirent le morceau de pain, c'est dégueulasse.
En vérité, je vous le dis, il y en a plus qu'en Normandie il y a de pommes.
Sainte Madeleine protégez-nous, le métier de femme ne nourrit plus son homme.
Y'a ces gamines de malheur, ces grosses qui tout en suçant leur pouce de fillette,
Se livrent au détournement de majeur et, vénalement, troussent leur layette.
Y'a ces rombières de qualité, ces punaises de salon de thé qui se prosternent,
Qui pour redorer leur blason, viennent accrocher leur vison à la lanterne.
Y'a ces petites bourgeoises faux culs qui, d'accord avec leur cocu clerc de notaire,
Au prix de gros vendent leur corps, leurs charmes qui fleurent encore la pomme de terre.
Lors, délaissant la fille de joie, le client peut faire son choix tout à sa guise,
Et se payer beaucoup moins cher des collégiennes, des ménagères, et des marquises.
Ajoutez à ça qu'aujourd'hui la manie de l'acte gratuit se développe,
Que des créatures se font culbuter à l'oeil et sans calcul. Ah les salopes !
Elles ôtent le bonhomme de dessus la brave horizontal' déçue, elles prennent sa place.
De la bouche au pauvre tapin elles retirent le morceau de pain, c'est dégueulasse.
sábado, 28 de novembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Nas estantes
Mes livres ne sont pas des livres, mais des feuilles détachées et tombées presque au hasard sur la route de ma vie (Chateaubriand)
Mobilidade total
Não costumo referir-me a novidades de software, mas esta é sensacional. Basta termos uma Pen Drive, um qualquer computador à mão, entramos, trabalhamos, saímos sem deixar rasto. Super-prático, não quero outra coisa… http://portableapps.com/
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Chimamanda Adichie, palavras sábias
O problema dos estereótipos. Falava dele no outro dia quando critiquei a tradição da «latino literature»; aqui trata-se da caricatura que continua a esperar-se da «negro – ooops! – african literature». Imperdível!
A pior forma de totalitarismo está a (re)nascer

No COMBUSTÕES, novo diagnóstico sobre um tradicionalismo que se agarrou aos despojos das naus quando bastavam algumas braçadas para chegar a terra firme – e agora depressivamente se eterniza em narrativas glorificadoras da ideia de que valeu a pena morrer afogado a uma centena de metros da praia.
Concordo com quase tudo (salvaguardadas as minhas convicções republicanas).
Gostava de sublinhar, contudo, que a nova obsessão com o baixo-ventre, que refere, não é monopólio desse tradicionalismo, bem pelo contrário – e é um dos pontos em que mais se evidencia que o velho puritanismo «moralão» se deixou arrastar para áreas nas quais só pode averbar derrotas. É que aceitar discutir os temas é já aceitar a sua politização, envolve já a resignação à queda dos anteparos do pudor e do silêncio que sustentaram, desde tempos imemoriais, a liberdade privada e o código sagrado da intimidade, procurando defendê-los da devassa inquisitória.
Se um dia tivermos que fazer o inventário dos recuos civilizacionais ao longo dos tempos, nestes últimos 50 anos terá proeminência essa «politização do corpo», essa súbita convicção de que é possível, e é legítimo, apropriar para o político, para o social, para o económico, para o jurídico, o último reduto da liberdade que essa auto-apropriação do nosso corpo pareceu configurar e propiciar, e da qual a pobre convicção libertária de John Locke julgou que toda a outra liberdade (muito menos palpável, muito mais contingente da sobredeterminação ideológica) acabaria por decorrer.
Outrora um fosso de silêncio e pudor defendia essa cidadela, mantinha os inquisidores ao largo. Hoje a charanga do totalitarismo rotulou esse fosso de «hipocrisia» e de «obscurantismo», e já marcha imparável, com a habitual estridência do «politicamente correcto» e dos «ventos da História», para nos negar essa última liberdade a-jurídica, a-política, amoral e gratuita.
Como sempre sucedeu e sempre sucederá com as irrupções do totalitarismo, a maioria aplaude entusiasmada. Estão todos prontos a deitar pela borda fora um esforço emancipador que durou 300 anos.
domingo, 22 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Morreu o Jorge Ferreira

Conheci o Jorge Ferreira há muitos, muitos anos.
Nunca mais o revi, segui de longe (e sem muito interesse, confesso) a sua trajectória política, reencontrei-o num blog: http://tomarpartido.blogs.sapo.pt/
Soube agora, com tristeza, que partiu.
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