O novo Ashram minimalista
sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Notícias da savana belga

Os abutres têm um longo pescoço desprovido de plumagem para poderem debicar mais profundamente as carcassas de animais corpulentos.
Nos últimos dias o cheiro da carniça fez-se sentir nas alcatifas de Luxemburgo e Bruxelas, e os emplumados eurocratas escanhoaram cuidadosamente a plumagem do cachaço para poderem abocanhar o seu naco, por mais distante e entranhado que este fosse.
Lá elegeram, assim, um Presidente do Conselho e uma Ministra dos Assuntos Exteriores, presumivelmente porque foram:
a) os que tinham o pescoço mais comprido;
b) os que tinham o pescoço mais desimpedido de plumas;
c) os que chegaram primeiro;
d) os que souberam incomodar menos leões e hienas;
f) os que reuniram todas as características anteriores.
O nosso maoístazinho de estimação lá se manteve, firme e hirto, as presas bem fincadas no pau de cocanha.
E assim continua esse exercício darwinista de plumagem e voracidade que agora responde, aqui na Europa, pelo nome de processso democrático de decisão.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
CollEGIATE

Como nasci no país errado para quem sinta qualquer vocação académica, consolo-me sempre que possível com viagens a locais melhores – mesmo que seja, a maior parte das vezes, pela via virtual: veja-se mais recentemente o EGIATE.
Cenas de um conúbio homossexual

"Yves Saint Laurent’s black-and-white French bulldog, Moujik, was at Christie’s in Paris this week, sniffing around the contents of his late master’s country estate, which are up for auction in a four-day sale that begins today. (Proceeds of the sale are to benefit medical research on H.I.V.) Saint Laurent (who died in June 2008) and his partner in life and business, Pierre Bergé, acquired Chateau Gabriel, a grand 19th-century house near Deauville on the Normandy coast, in 1983, and hired the interior designer Jacques Grange to recreate within its walls the hothouse atmosphere of a belle époque mansion.
Marcel Proust was the guest they had in mind. But since the author of “À La Recherche du Temps Perdu” had died in 1922, they made do with members of the Saint Laurent/Bergé clan instead. Betty Catroux; Loulou de la Falaise and her husband, Thadee Klossowski; and Anne-Marie Munoz (director of the couture house atelier), among others, were housed in guest rooms named after characters from Proust’s epic masterpiece. The couturier’s bedroom suite bore a plaque inscribed with the name of Charles Swann, a figure of bittersweet longing, who charms his way into the gilded social circles of the Faubourg Saint-Germain, while Bergé reposed under the sign of the novel’s louche aristocrat Baron de Charlus."
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Mais AQUI.
Mais AQUI.
Velhas lições sobre não-discriminação
Num velho alfarrábio empoeirado que comprei a pataco num vão de escada, de título pomposo Sexologia Forense e de bela capa lustrosa, leio que, entre as perversões sexuais catalogadas, há a violência utilizada na "refrega sexual" (já o nome diz quase tudo), tido por alguns peritos (de antanho, entenda-se) como um estimulante sexual.
Segue-se uma descrição em latim, por coincidência as instruções de um masoquista para que o seu parceiro homossexual o "estimule" através dessa violência. Mesmo sendo em latim, não ouso transcrever.
O caso é curioso porque, a páginas tantas do fólio, se classifica a violência sexual utilizada para "démarrage" como uma tara sexual (um atavismo de épocas em que Lombroso imperava, decerto); mas depois, num lampejo de presciência relativista, acrescenta-se que a tara poderia ter sido considerada, noutras longitudes e noutras eras, como uma mera "orientação carnal".
Não menos curioso, a expressão "orientação" assoma de novo a propósito da necrofilia, adornada de descrições arrepiantes – mesmo que de novo em latim (que teriam estes psicólogos forenses contra o uso do grego?).
Dentro da bela capa lustrosa acumulam-se, em suma, provas abundantes dos extremos de maldade e acrasia a que podem "orientar-se" os nossos impulsos básicos.
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Isso deixa-me preocupado, porque oiço erguerem-se de novo vozes clamando contra a discriminação de "orientações" em matéria sexual – parecendo talvez querer ocultar que é com base nessas discriminações que se soergueram, até hoje, todas as moralidades que procuraram resgatar-nos colectivamente dessas possibilidades tenebrosas.
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Invoca-se a Lei, como se a Lei não fosse serva de uma qualquer moral, mesmo que uma moralidade mínima. Que moral é essa? Como podemos defender a não-discriminação em função da orientação sexual e defender-nos da não-discriminação contra praticantes da bestialidade, contra sádicos, masoquistas, necrófilos e outros?
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Olho para a capa lustrosa da Sexologia Forense e penso que a "não-discriminação" é uma não menos lustrosa capa para uma argumentação perigosa. Perigosa porque nada mais fazemos com a nossa inteligência, e com o sentido de sobrevivência individual e colectiva que nela se estriba, do que discriminar. Até a não-discriminação tem que discriminar o que permite e não permite (e até o que exige) que seja discriminado.
Segue-se uma descrição em latim, por coincidência as instruções de um masoquista para que o seu parceiro homossexual o "estimule" através dessa violência. Mesmo sendo em latim, não ouso transcrever.
O caso é curioso porque, a páginas tantas do fólio, se classifica a violência sexual utilizada para "démarrage" como uma tara sexual (um atavismo de épocas em que Lombroso imperava, decerto); mas depois, num lampejo de presciência relativista, acrescenta-se que a tara poderia ter sido considerada, noutras longitudes e noutras eras, como uma mera "orientação carnal".
Não menos curioso, a expressão "orientação" assoma de novo a propósito da necrofilia, adornada de descrições arrepiantes – mesmo que de novo em latim (que teriam estes psicólogos forenses contra o uso do grego?).
Dentro da bela capa lustrosa acumulam-se, em suma, provas abundantes dos extremos de maldade e acrasia a que podem "orientar-se" os nossos impulsos básicos.
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Isso deixa-me preocupado, porque oiço erguerem-se de novo vozes clamando contra a discriminação de "orientações" em matéria sexual – parecendo talvez querer ocultar que é com base nessas discriminações que se soergueram, até hoje, todas as moralidades que procuraram resgatar-nos colectivamente dessas possibilidades tenebrosas.
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Invoca-se a Lei, como se a Lei não fosse serva de uma qualquer moral, mesmo que uma moralidade mínima. Que moral é essa? Como podemos defender a não-discriminação em função da orientação sexual e defender-nos da não-discriminação contra praticantes da bestialidade, contra sádicos, masoquistas, necrófilos e outros?
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Olho para a capa lustrosa da Sexologia Forense e penso que a "não-discriminação" é uma não menos lustrosa capa para uma argumentação perigosa. Perigosa porque nada mais fazemos com a nossa inteligência, e com o sentido de sobrevivência individual e colectiva que nela se estriba, do que discriminar. Até a não-discriminação tem que discriminar o que permite e não permite (e até o que exige) que seja discriminado.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
O princípio de Peter para o comum dos mortais (laureados e tudo)

Isso de se escrever "Prémio Nobel" no cartão de visita é lixado: é que depois espera-se que o sujeito dê palpites sobre tudo – e sobretudo acerca daquilo de que nada sabe.
Mas há pior do que esse «recurso à autoridade»: há a multiplicação de incongruências entre aquilo que se vai asseverando nesses palpites e aquilo que se defendeu com bases científicas – como se, de cada vez que saíssem da toca, essas "cabeças pensantes" comprometessem a arrumação da toca, as premissas de que partiram, os alicerces do seu próprio prestígio.
Veja-se o caso de Paul Krugman, a "picareta-falante" que emergiu das segundas linhas da ciência económica para hoje fazer de menestrel da «América esquerdista»: as calinadas de teoria económica vão saindo em rajada, mas ele parece não se importar. Como se lê AQUI:
"Time after time, Krugman leaves me wide-eyed with wonder at how much economics he has to forget to write those columns."
Não, amiguinhos, o fenómeno está longe de ter patente portuguesa…
O Princípio de Peter atinge até Albert Einstein
Albert Einstein foi um génio incomensurável em vários domínios (LER)
Contudo, foi um espírito com uma argúcia selectiva (LER) e sobretudo um nulo completo em matérias como a Economia (LER) (.pdf).
Dá que pensar...
sábado, 14 de novembro de 2009
Mogadíscio no Rato

Depois de ler os semanários de hoje, percebi que reina no Largo do Rato a mentalidade de cerco, e que se anda à procura de uns snipers da Força Delta para manter a populaça à distância. Há em todo o imbróglio uns traços de salvamento do Soldado Ryan, com um pelotão de patuscos magistrados a dar o peito às balas para disfarçar a caducidade do regime. E até nos «blogues fretados», repletos de assessores e de Secretários de Estados e de jotas que não conseguiram ser nem uma coisa nem outra, o momento é hollywoodesco, lembra o Forrest Gump.
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(Na foto, quando os cercos ao Rato eram mais literais: esquina da Rua de São Filipe Nery, onde hoje há um posto de Correios – a vida é uma caixa de chocolates…)
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ser Borges
El que agradece que en la tierra haya música.
El que descubre con placer una etimología.
Dos empleados que en un café del Sur juegan un silencioso ajedrez.
El ceramista que premedita un color y una forma.
Un tipógrafo que compone bien esta página, que tal vez no le agrada
Una mujer y un hombre que leen los tercetos finales de cierto canto.
El que acaricia a un animal dormido.
El que justifica o quiere justificar un mal que le han hecho.
El que agradece que en la tierra haya Stevenson.
El que prefiere que los otros tengan razón.
Esas personas, que se ignoran, están salvando el mundo.
Los Justos (Jorge Luis Borges, Obras Completas, III, 356)
Los Justos (Jorge Luis Borges, Obras Completas, III, 356)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Na morte de Robert Cameron
Se eu tivesse que contar as horas, os dias, que andei mergulhado na "Above Series" deste fotógrafo sans pareil, acho que concluiria que vivi mais do que uma vida.Nenhumas imagens me fizeram sonhar mais, me transportaram mais, me isolaram mais dessa turbulência contaminada que nos interpela com coisas chãs e feias.
NOTÍCIA
Os deuses devem andar numa fúria: primeiro o meu mestre musical, agora o visual…
Eu venho da Louisiana a tocar o bandolim

Na Louisiana um casamento interracial é proibido com o argumento de que a prole viria a ser discriminada. O racismo não é um assunto encerrado, vai-se munindo constantemente de novos argumentos.
LER
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O negacionismo do HOLODOMOR: continua o ópio dos intelectuais
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