O novo Ashram minimalista

sábado, 26 de setembro de 2009

Adeus polícia! Olá clero!

No Quénia a luta anti-corrupção passa a incluir o recurso a orações.

Os «libertadores» de Gaza afinal só queriam libertar a parte masculina…

Hamas e a opressão misógina convertida em política oficial.
LER

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Jimmy Carter: o homem do amendoim volta a falar!

Que saudades de Jimmy Carter e da sua ímpar colecção de tesourinhos deprimentes!
Agora volta à ribalta, já não para falar da calibragem do amendoim ou para explicar como é que se deixou humilhar pelo Irão, mas para asseverar que toda a oposição política a Obama tem uma motivação racista! (LER)
O estupor não morre?

Descoberta sensacional!!

O ateísmo é produzido pela preguiça!
LER
Chega a sexta-feira e sinto cá um ateísmo…

O Irão resolve um problema jurídico-teológico

Não se pode executar virgens? Não faz mal, são violadas na véspera da execução, para se lhes poder garantir uma estadiazinha no Inferno.

Se resultou em Jericó…

Rabis usam trombetas para afastar o vírus H1N1.
LER

Previsões eleitorais: 3- vamos ter coligações com o Bloco de Esquerda…

Previsões eleitorais: 2- prevê-se afluência moderada às urnas

Previsões eleitorais: 1- sondagens dão vitória nítida (na imagem, "sondeiros" em acção)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um imperdível momento zen (com Yosemite à mistura)

Timescapes Timelapse: Mountain Light from http://vimeo.com/timescapes on Vimeo.

Sacudindo o mofo

Sir Walter Scott dedica alguns prefácios a Jonas Dryasdust, o tipo do antiquário pedante e rebarbativo, livresco e árido, com que todos nos cruzamos, ou cruzámos, nalgum momento das nossas vidas. Hoje aguentei uma longa conversa – melhor, uma intersecção de monólogos – com um clone de Jonas Dryasdust. Saí com uma vontade imensa de disparar palavrões em rajada, de inebriar-me em ditirambos plebeus, de rachar de meio a meio a efígie doutoral. Respirei fundo e consolei-me e imaginar um vento de charneca escocesa a varar-me as narinas – um vento que a gente imagina nos momentos em que Walter Scott, terminados os prefácios, nos transporta até a essa grande fantasia que é a vida fora de portas, e fora dos livros.

Bloco de Esquerda



Aqui no Ashram preparamos cuidadosamente a chegada do Bloco de Esquerda ao poder (repare-se no novo corte de cabelo «à Louçã»).

A principal diferença entre Oxford e Cambridge


É que em Cambridge a Ponte dos Suspiros passa mesmo sobre a água!

Até 22 de Outubro: Libra (180º)


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Notícias do país lusito

1- a rede pedófila já averbou o seu primeiro sucesso retaliatório, de muitos sucessos prometidos – agora contra o juiz de instrução. Desgraçadamente conheço pessoalmente dois dos três executantes do «raid», e estou estupefacto com o modo como eles se prestaram ao papel.
2- o país não se comove com isto, mas vibra com as tribulações da Falsa Virgem de Belém, que protesta a sua imaculada inocência aspergindo de esterco um qualquer títere palaciano, que se prestou e servir de lastro do balão em queda.
3- o país, menorizado, não se indigna, portanto, com graves (gravíssimos) atentados à justiça e à independência judicial; comove-se apenas com a pequena intriga cortesã, com a comédia de enganos.
4- o país contabiliza, em suma, apenas as cornadas que o cabrito macho deu numa cabra repudiada; a alcateia, camuflada, agradece.

Da série "retratos do trabalho": carteiro em Veneza

A vida continua: jansenista.com.br

Crónicas Estivais: Dia 31

Escrever foi um dom prematuro, foi uma porta aberta para descobertas e aventuras, tornou-se um dever profissional e a ocasião de alguns divertimentos.
Nunca sofri verdadeiramente do «writer's block», apenas de falta de tempo para verter para prosa aquilo que vou experimentando e aprendendo e recordando – felizmente, a um ritmo que ainda não abrandou (se é que me resta ainda lucidez para aferi-lo).
Aqui no Ashram tenho dado largas à vertente lúdica e imaginativa, e aí o manancial é inesgotável, desde que continue a ter o cuidado de não ficar preso a nenhum figurino, andando sempre um passo à frente da tentação de criar um «estilo», ou uma previsibilidade, nos temas e nas formas – com a única excepção de que quase sempre transparecerá, em quaisquer temas e em quaisquer formas, o meu deslumbramento pessoal com este meio virtual que se converteu numa porta escancarada para a aprendizagem, para a reaprendizagem, para encontros e reencontros, para a partilha, para a rememoração, até para a edificação.
Um dia que feche o Ashram há-de ser por uma de três razões:
1) por falta de tempo;
2) porque surgiu uma forma tecnologicamente mais sofisticada do que esta;
3) porque finalmente me deparei com o «writer's block» e não encontrei antídoto.
Até lá seguirei a divisa de Milton no Paradise Lost (Book I, 254-255): "The mind is its own place and in itself / Can make a Heav'n of Hell, a Hell of Heav'n"
Terminam aqui as crónicas estivais, o Ashram vai escovar o sobretudo e preparar o Outono.

Plongée & Contre-plongée no Corcovado


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Crónicas Estivais: Dia 30

Cada vez que estava entre uma maioria de estrangeiros ocorria-me pensar na vida que teriam quando os perdesse de vista; observava-os e tentava imaginar. Normalmente isso traduzia-se na conjectura de uma vida muito sorridente e realizada, mas vivida em climas muito frios, em cidades muito cinzentas e húmidas. Imaginava-os apreensivos e entristecidos com o abandono do Sol e do mar, mas compensando-o com o calor afectivo de sorrisos, como se vivessem num chilrear permanente de gargalhadas, em profissões muitos disciplinadas mas muito gratificantes, com rotinas de convívio e de desporto, com valores cívicos perfeitamente interiorizados (uma espécie de sóis com luz interior no meio da escuridão do inverno).
Este ano, curiosamente, imaginei exactamente o inverso. Buscando uma explicação predominante entre as várias que me ocorreram, julgo que isso se deve ao espectáculo de sofreguidão e incivilidade a que assisti nos pequenos almoços do Hotel.
Um amigo meu costuma brindar as manifestações de impaciência com a interrogação irónica: "não te deram o pequeno almoço em casa?". Lembrei-me várias vezes da frase, vendo as hordas embrutecidas avançarem para o buffet, em três, quatro ou mais assaltos por pessoa: dois ou três tipos de sumo, feijão em tomatada com ovos mexidos, salsichas, bacon, torradas, salada de frutas, iogurtes, carradas de pão com todo o tipo de geleias, ovos cozidos, tudo rematado com grandes almoçadeiras de café com leite.
Se eu tivesse tentado uma só vez a proeza pantagruélica que vi quotidianamente praticada, teria ficado doente por uma semana, pelo menos. Como assisti apenas, saí do restaurante sempre enjoado, impressionado com a selvajaria malsã, e mais impressionado ainda com os poderes incentivadores da fórmula do «pequeno almoço incluído» – de facto, como se lá de onde chegam eles não tivessem direito a pequeno almoço, ou ele fosse excessivamente escasso.
Por tudo isto, este ano imaginei os «estrangeiros regressados» em situações que, coladas uma às outras, dariam porventura para uma segunda versão de La Grande Bouffe. Imaginei-os em quartos frios, sinistros, perversamente crepusculares, sem quaisquer factores de redenção ou compensação, entregues a sobrehumanas pulsões animalescas, saudosos dos momentos estivais em que a ilusão de gratuitidade lhes consentia soçobrarem irrestritamente em orgias de ingurgitação. Um sonho pecuário, em suma, com o Algarve a servir de manjedoura.

domingo, 20 de setembro de 2009

Crónicas Estivais: Dia 29

Deixei para trás a Internet mas trouxe o computador. Não resisti, por isso, a encher os vazios com o visionamento de alguns filmes e documentários (geralmente a altas horas), com alguns apontamentos (estas «crónicas») e com a leitura da enxurrada de artigos em que se apoia o «work in progress».
Em teoria, é um erro, a ideia das «férias grandes» é a de uma quebra radical de rotinas que consiga ter um efeito retemperador. Talvez se dê o caso de eu estar viciado nalgumas rotinas e por isso não conseguir já esse corte radical – menos incapaz, todavia, do que alguma rapaziada que tropeça nas pedras da praia por andar a dedilhar freneticamente o Blackberry (uma dúzia vi eu na minúscula praia em que andei desterrado este ano).
Por outro lado, esse vício vai contra as minhas convicções (como é suposto que, por definição, todos os vícios vão). Cheguei a uma fase da vida em que o amor das grilhetas da minha realização profissional deixou transparecer muito nitidamente o seu carácter alienador – a uma fase em que, portanto, se tornou crucial apreciar o vazio da inutilidade sobre o qual lançam raízes as coisas que verdadeiramente importam, coisas que reclamam um patrocínio na sua luta desigual contra a rotina.
Deve ser por isso que as férias gravitam em torno do simbolismo do «regresso à natureza», colocando-nos em condições de contemplação mais directa daquilo que se desenvolve a um outro ritmo do nosso, daquilo que sobrevive sem nos fazer concessões, daquilo que se impõe à nossa experiência independentemente dos juízos de utilidade e de «preenchimento» que lhe enderecemos.
Da próxima o computador fica também para trás.

sábado, 19 de setembro de 2009

Torre de David

Torre de David, Jerusalem – espectáculo de luz e som

Crónicas Estivais: Dia 28

Daqui a uns dias recomeçará em grande o circo partidário. Ao contrário do que costumam observar os «fazedores de opinião» (gente muito mais inteligente e sofisticada, admito), eu muito modestamente entendo que nas listas que se apresentam a votos há, mais uma vez, demasiada renovação de nomes.
Por mim, aquela clique corrupta que nos tem governado e que se tem governado, nas Cortes e no Paço, deveria apresentar-se a votos de forma vitalícia, sem admitir gente, ou «sangue», novo: seria uma forma muito simples e pragmática de confinar o incêndio, e de evitar que, com a sucessiva sedução de «jotas» e de carreiristas precoces, o cancro fizesse, como faz, as suas metástases entre aqueles de que depende o futuro da comunidade.
De cada vez que vejo um jovem promissor embarcar na imoralidade do carreirismo político e no mercenarismo prostibular da venda de convicções íntimas a troco de benesses, vejo uma porta fechar-se para uma realização profissional discreta e honesta, para uma vida de dedicação sincera a valores e a pessoas, para uma vida de aperfeiçoamento e de superação: e vejo abrir-se a janela da psicopatia ostentativa, do exibicionismo, da dissimulação, da paranóia, do servilismo, do sentido verdadeiramente pejorativo que pode ter a noção de egoísmo.
Infelizmente, é este «desgoverno do mundo» que erige os idola fori, e a doutrinação deixa muitos desses jovens permanentemente atordoados para aquilo que é uma vida verdadeiramente útil e louvável –atordoando-os também com os torrõezinhos de açúcar que lhes estende depois de cada habilidade completada na coreografia do parasitismo oligárquico (para o qual a doutrinação serve precisamente de libretto).
Lembro-me, em suma, daquela lapidar advertência de Melville em Moby Dick: "Be sure of this, O young ambition, all mortal greatness is but disease".

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Crónicas Estivais: Dia 27

"És tu o Pedro, o irmão mais novo do Zé?". Intrigado, confirma-mo.
Tínhamos 12 anos, eu e o Zé, e explorávamos meticulosamente os últimos gadgets (misturados com alguma literatura que na altura se considerava «adulta») que o pai, homem muito avançado, lhe enviava do estrangeiro. Um helicóptero a gasolina, na escala 1/30, um protótipo de calculadora de que era preciso montar os circuitos com conexões eléctricas (um emaranhado incrível de fios que apesar de tudo funcionava, com resultados que julgávamos milagrosos), um spirograph com o qual desenhávamos as formas mais psicadélicas, e mais isto e mais aquilo.
De vez em quando aparecia na sala o irmãozinho de 4 anos a querer brincar, e o Zé disparava-lhe, imperativo, "vai beber água!" e o miúdo, para minha estupefacção das primeiras vezes, ia mesmo!
"Sim, sou eu o Pedro, e tu quem és?", e o rosto ensombra-se-lhe como se uma nuvem negra lhe passasse nos olhos. Fito-o bem: nenhuma parecença com o irmão.
Como é natural ele não se lembra de mim, nem das brincadeiras, nem de ir beber água; mas lembra-se da morte do irmão, poucos anos depois, com uma leucemia. Nessa altura eu mudara de liceu, só soube dessa morte mais de dez anos depois – uma sensação bizarra quando penso que ele era o meu melhor amigo aos 12 anos, naquela idade em que as primeiras namoradas não tinham vindo ainda regatear a sua parte no tempo de que é tão sôfrega a verdadeira amizade.
Tenho saudades do Zé Paulo, é evidente; mas confesso que tenho mais saudades ainda daqueles tempos, e daquele jovenzinho que era o melhor amigo do Zé Paulo, e que tinha pela sua frente uma infinidade de possibilidades de realização que foram sendo descartadas, uma a uma, até hoje restarem já tão poucas (diz-me a minha melancolia que é nisso que consiste a experiência agridoce da vida adulta, aquela que precisamente foi negada ao meu melhor amigo dos 12 anos).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Ashram nas noticias graças a Kayne West

O truque está AQUI (pode introduzir outro qualquer site depois de ".us/")
Entretanto, Obama toma posição sobre a atitude geral de Kayne West:

On the Road, 2009

Mónica Almeida no NYTimes: VER

Crónicas Estivais: Dia 26

A vida é uma coisa séria, para ser tomada a sério, o mais sério possível – pejada que está de problemas, de possibilidades, de obstáculos, de perspectivas, de frustrações, de dores físicas e morais, de surpresas, de armadilhas, de alegrias, de fragilidades, que temos a obrigação de evitar ou minimizar nuns casos, e de ampliar e preservar noutros (sendo isto que se designa por sobrevivência com dignidade).
Mas a vida, se encarada como um todo, não faz sentido – bastando pensarmos na forma como termina – e por isso temos também de encará-la com distanciamento irónico, a forma moderna de não nos apegarmos demasiado a nada (para não sofrermos), ao mesmo tempo que temos que apegar-nos a tudo (porque é isto que se designa por amor à vida).
Talvez seja por isso que a vida é um grande mistério – ao menos quando, esquecendo-nos do imperativo da ironia, julgamos ter o direito de perguntar seriamente pelo sentido mais geral das coisas.

A era dos gatos fedorentos

Depois da era dos leopardos e dos leões haveria de vir a dos chacais e das hienas, e todos partilhariam, os velhos e os novos, a ilusão de constituirem o sal da terra. Estes pensamentos de Fabrizio Salina, que me ocorreram vendo a degradação tumultuada dos políticos lusitanos nos «Gatos Fedorentos», eram precedidos de outras cogitações do mesmo Príncipe Salina, e que me ocorreram também: o sono é o que querem os sicilianos, que odiarão sempre aqueles que tentarem acordá-los.

It was a very good year

Há sempre um Judas entre os herdeiros…

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Crónicas Estivais: Dia 25

Chegaram-me uns ecos de que a blogosfera anda a ferro e fogo, com intriga e maledicência a baterem o pleno, e com grande cópia de bengaladas virtuais. Não me surpreende: é o fruto expectável do tédio e da partidarização. Para quebrar a monotonia e fazer amigos, nada como tentar dar umas caneladas no parceiro mais fraco (como aqueles casais saturados que combatem o silêncio com rajadas de ridicularização dirigidas às pessoas que passam diante deles na esplanada). E isso fica muito facilitado se a matilha está identificada, partidarizada, e poupa ao maledicente o esforço de identificar vítimas, eliminando do mesmo passo o risco de insultar potenciais aliados e patronos da sua capelinha.
O mal não está no meio empregue, bem pelo contrário: um meio que amplifica estas pequenas misérias acelera o processo de eliminação e de selecção natural através do qual procuramos ficar, no final, apenas com o grupo restrito daqueles que, passadas as provas, souberam resistir. Um grupo geralmente tão restrito que parece o cruzar ocasional de alguns leopardos, e nunca a habitual matilha sobrepovoada que procura encorajar-se e reforçar-se mutuamente com uníssonos de latidos frenéticos.
Uns brasileiros muito perspicazes definiam-nos como «uma terra de primos», na qual todos são parentes de todos, e onde por isso as entreajudas e as cumplicidades são sempre especialmente intensas, mas onde também os ódios e as questiúnculas ganham o fogo e a devastação que só conseguem alcançar-se no fratricídio. Somos pequeninos, pequeninos por dentro e por fora, tal como é pequenina a capoeira que tomamos por nosso horizonte cultural, político e emotivo. Não se vê porque é que deixaria de ser assim nas comunidades virtuais que vamos compondo – elas apenas tornam mais transparente essa condição entediante da pequenez.

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