O novo Ashram minimalista

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crónicas Estivais: Dia 4

Um amigo meu, que é do Belenenses, advertiu-me de que a «silly crisis» com as "bocas ao clube" começou precisamente pelo facto de a velhada da agremiação ser singularmente desprovida de sentido de humor – e de, por estar rarefeita, tender perigosamente para a mentalidade de cerco e para a auto-indulgência glorificadora.
OK, OK, OK, o celacanto é um peixe amoroso, cheio de garra e pergaminhos; e que o Belenenses é um grande clube, cela va de soi: basta dedicar-se ao futebol, área na qual, como é sabido, tudo entre nós é grande.
E cá me vou, trauteando "where do I begin to tell the story of how great a love can be..."

Rangel, o Confessor Bufão

Aquele rapaz anafadote que, no seio do PSD, passa por inteligente acaba de cometer uma das mais monumentais gaffes de que há memória.
Quando o partido a que ele pertence está cercado de suspeitas quanto a ilegalidades e a imoralidades, quando se esperava que civilizadamente o mocito viesse enunciar o óbvio, de que acima da política, acima da lei, está a moral – não, vem defender o indefensável, que há que separar os três planos (deixando subentendido que os planos se equivalem) e que para o efeito há que ler o Príncipe de Maquiavel!
Ora este remate na própria baliza praticamente equivale a uma confissão de que houve imoralidades e quebras da deontologia política – pretendendo-se apenas que sobreleve o detalhe técnico da falta de prova da ilegalidade.
Conhecíamos o pagador de promessas, encarregado de exonerar promessas alheias; ficamos a conhecer o confessor, aquele que com gaffes levianamente revela os pecados alheios.
Como não houve intenção, o rapazito livra-se da qualificação de bufo; não se livra da de bufão, que lhe assenta como uma luva.

26 de Agosto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Associações de ideias

Je rêvais de toucher la tristesse du monde
au bord désenchanté d’un étrange marais
je rêvais d’une eau lourde ou je retrouverais
les chemins égarés de ta bouche profonde

j’ai senti dans mes mains un animal immonde
échappé à la nuit d’une affreuse forêt
et je vis que c’était le mal dont tu mourais
que j’appelle en riant la tristesse du monde

une lumière folle un éclat de tonnerre
un rire libérant ta longue nudité
une immense splendeur enfin m’illuminèrent

et je vis ta douleur comme une charité
rayonnant dans la nuit la longue forme claire
et le cri de tombeau de ton infinité.

Georges Bataille

Crónicas Estivais: Dia 3

Uns dias de convalescença em paragens inóspitas e ponho em funcionamento um acervo digital que pairava inexplorado em Hard Drives externas, a visão e revisão de alguns documentários de antanho: Nuit et Brouillard, Le Chagrin et la Pitié, Hotel Terminus (neste último, o sócio peruano de Klaus Barbie é um achado, lembra-me pelo menos metade dos palavrosos e imaginativos direitistas que fui conhecendo ao longo da vida – uma espécie de "condensado latino" do "arianismo dos pobres").
Como nos intervalos ando a ler a história da SS por Heinz Höhne (excelente), se tiver tempo passo para outro recanto das Hard Drives onde estão guardadas as séries de Ken Burns: sobre a Guerra Civil, sobre o baseball, sobre o jazz (a rever, uma perene favorita), sobre a segunda Guerra (ei-la que regressa…) e sobre o Wild West.
Ora aqui está como pode optimizar-se uma convalescença.

25 de Agosto

Quem porfia sempre alcança (2): a melhor vista privada de Lisboa

Parece que não me enganei: uma vista invejável, convenhamos.

Quem porfia sempre alcança (1): Novembro de 2007



Regressemos a Novembro de 2007:
"No lado poente do Castelo (invisível pois do Rossio / Praça da Figueira e de S. Pedro de Alcântara) está um prédio de muito mau gosto, um enxerto «so seventies» assim ao estilo «aldeamento de Alporchinhos», mas que se diz ter, no seu último andar (aquele acima da linha de árvores, a disputar proeminência com o Castelejo), a vista mais espectacular de toda a Lisboa. Um dia fui até à porta, na Rua do Recolhimento, mas achei-o ainda mais feio do que visto a partir de São Vicente (foto do topo) ou das Portas do Sol (foto de baixo). Linda, linda, é a vertente ajardinada que leva à Igreja do Menino Deus (aquele telhado à «chapéu vietnamita» que se vê à direita da foto de cima). Ficou-me atravessada a ideia da vista, contudo. Será que os olissipógrafos de serviço, gente sempre tão bem relacionada, não conhecem algum dos proprietários do local? Alguém que autorize uma foto panorâmica?"
FOTOS_2_&_3
"Como eu previra, a vista naquele último andar é magnífica, e só apanhamos aqui um bocado da panorâmica do rio. Falta a vista para a cidade - por cima do próprio Castelo!"
FOTO_1

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Crónicas Estivais: Dia 2

Nada desespera mais os meus companheiros de viagem do que a minha recusa de alinhar em cartões de fidelidade. Chegam a qualquer aeroporto e rapam logo de uma mão-cheia de cartões, "frequent flyer", "Star Alliance", um que é dourado, outro que é preto, outro que combina com cartão de crédito, outro que dá descontos nas pousadas e outro que, ao fim de três voltas ao mundo, "dá direito" (esta expressão é tudo) a cinco bilhetes no Campo Pequeno e a quatro latas de Atum Toneca.
Tenho dois argumentos simples: não sou eu que pago as viagens, pelo que os "fringe benefits" me soam, ao menos moralmente, a peculato; e se não houvesse esse prurido moral, haveria ainda o argumento decisivo de que, nesta fase da vida, não tenho oportunidade para viagens pagas do meu bolso, nas quais as "flyer miles" fizessem diferença (por outras palavras, há boas razões para estar por ora suspenso o turismo de longa distância).
Este último argumento, que sugere desperdício, é, sinto-o, aquele que mais enfurece os meus companheiros de viagem; o outro soa-lhes presunçoso e facilmente me encaixam naquelas tiradas "à Francisco Louçã" que, como se se tratasse de acne juvenil, eles esperam que o tempo acabe por resolver.

24 de Agosto

domingo, 23 de agosto de 2009

Crónicas Estivais: Dia 1

Que a atribuição de estrelas a um Hotel é coisa inteiramente arbitrária, todos o sabemos. Ao jantar, um dos empregados, que não se cala em impropérios e em incitamentos vernáculas aos colegas, desabafa alto e bom som: "estes bifes pedem cada coisa, parece que nunca tiraram férias na vida!". Considerando que são portugueses muitos dos clientes, a frase e a atitude bastam para criar todo um ambiente.

Crónicas estivais

Fui de férias com o computador mas sem a Internet. Assim, o estilo apressado dos apontamentos do blogue deu lugar a alguns textos mais longos, que irei colocando por aqui nos próximos dias. Diria que o jogo de subida à rede é temporariamente complementado por bolas do fundo do court, um estilo mais direccionado mas que reclama mais tempo, o bem escasso por definição.
Aqui vão: 31 raquetadas longas, 31 crónicas estivais.

23 de Agosto

Até 22 de Setembro: Virgo (150º)


sábado, 22 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

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