O novo Ashram minimalista
domingo, 28 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Michael Jackson
Na morte de Michael Jackson não deixo de meditar no modo como um artista talentoso degenerou tão depressa num freak show. Se na sua inocente frontalidade as crianças pudessem julgar, Michael Jackson acabaria imediatamente no inferno; antes isso, penso eu, do que a multiplicação estridente de absolvições adocicadas a que vamos assistir, em testemunho da nossa tão adulta hipocrisia.
Farrah Fawcett RIP
Le même cours des planètes
Cependant j'ai quelques charmes
Vous en avez qu'on adore,
Pierre Corneille
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Uma toada de despedida
"Um blogue pode ser um passatempo, um entretenimento fútil, um instrumento lúdico, um estendal narcisista. São utilizações correntes, e legítimas. Porém (…)"
Daqui, uma vénia respeitosa ao "Sexo dos Anjos" no seu ocaso, da parte de um Ashram que seguiu, em mais de um sentido, na direcção oposta (a começar pelo facto de cá se ter assumido o passatempo, a futilidade, a brincadeira, o narcisismo, com brevíssimas intermitências de «tom sério», mas sem qualquer concessão a «objectivos de missão», por legítimos que sejam - e são).
Bonne chance!
Testes de HIV para infantes
Os jovens a partir dos 12 anos passam a poder fazer testes da Sida, e à sorrelfa. Até aqui tudo bem, mas talvez fosse de avisá-los de que um resultado negativo não é a licença para a promiscuidade impune – porque há dezenas de outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, há ainda aquele irritante e démodé detalhe do respeito, do pudor, da auto-estima e até do amor romântico, que aconselhariam a que a mocidade não começasse tão cedo na fornicação desenfreada e na sujeição a tais testes sanitário-pecuários.Amamentação poliglota
Vejo na TV que se traduziu em várias línguas um pequeno manual de cuidados infantis: em inglês, croata, russo, etc., destinado aos imigrantes. Para que é que serve?, interroga a jornalista. – Por exemplo, para ensinar a amamentar, responde a técnica responsável.Que alívio! Como é que as imigrantes croatas e russas amamentavam antes deste utilíssimo manual?
segunda-feira, 22 de junho de 2009
O medo fundamentalista
Um amigo meu israelita dizia-me há muitos anos que a clivagem mais funda com os países árabes, a mais difícil de superar, é a do estatuto das mulheres.Om mane padme hum
Yet Brahmans rule Benares still,
A tourist-show, a legend told,
But when the morning prayer is prayed,
Rudyard Kipling, The Buddha at Kamakura
Cliché
Minutos depois, no cortejo, o marido aproxima-se e sussurra "não ligues, a gaja está bipolar". Faço o ar consternado de quem acredita.
Adiante, a família do defunto lança sonoras gargalhadas e o padre parece não ter ainda acordado.
Que vista sobre o Tejo! O dia começa bem (dentro do género «dias para esquecer»).
O nosso ambientalismo condena à morte 1 a 3 milhões de pessoas por ano
É extraordinariamente simples atacarmos as vacas sagradas dos outros; e extremamente útil fazê-lo, se o nosso objectivo for o da preservação das nossas (fica a ser uma manobra de diversão, e apazigua-nos a nossa boa consciência iconoclasta).No outro dia um círculo de illuminati debatia os 100 milhões de mulheres desaparecidas de Amartya Sen, ou seja, a abominável chacina infanticida que continua a perpetrar-se, na Índia, contra os bébés do sexo feminino.
Um horror, um dos crimes mais hediondos dos séculos XIX-XX-XXI, até porque banalizado e ocultado – concordei com os meus interlocutores.
Mas, desmancha-prazeres que sou, lembrei que talvez não estejamos melhor, já que os nossos pruridos ambientalistas são os causadores directos de 1 a 3 milhões de mortos por ano: com efeito, a campanha contra o DDT, um cavalo de batalha ideológico desde Rachel Carson, impediu num momento histórico preciso a erradicação da malária (ao menos, para sermos justos, onde essa erradicação fosse possível antes de os próprios «vectores» se tornarem resistentes ao DDT, o que era, nos anos 50 e 60, a maior parte do planeta; hoje regressou-se ao DDT nas áreas críticas, mas tarde de mais).
Olharam para mim, uns atónitos, os outros profundamente desgostosos com a minha falta de sentido de oportunidade. Mea culpa, não se faz isto às nossas vacas sagradas.
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Singer & Dawkins on Darwin
Quando os abolicionistas denunciavam os abusos contra os escravos, demonstrando a inadmissibilidade desses mesmos abusos cometidos contra o «homem branco», havia quem entendesse que os abolicionistas estavam a preconizar a extensão dessas violências contra a «raça branca».
Quando hoje Peter Singer leva ao extremo lógico a sua ética utilitarista de abolição do sofrimento em todas as espécies, os especistas, como outrora os supremacistas, os racistas e os negreiros, julgam que ele pretende despromover a protecção dos direitos humanos ao nível de violência a que sujeitamos as espécies não humanas – quando é precisamente do inverso que se trata, de um nivelamento por cima.
Aonde, Sra Ex-Ministra?
A ex-ministra Pires de Lima apareceu hoje na televisão a auto-glorificar-se na sua condição de «intelectual», que é coisa que, ao que sei, ninguém lhe regateia.Espantosa é a generosidade com que usa, num delírio de impropriedade, o «aonde»: Senhora ex-ministra, como vamos nós distinguir o verbo de V.Exa do linguajar rasteiro de um qualquer boleeiro de Cinfães, ou dos solavancos na gíria chula de um qualquer tirocinante a comentador de futebol?






















