O novo Ashram minimalista

domingo, 28 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson

Na morte de Michael Jackson não deixo de meditar no modo como um artista talentoso degenerou tão depressa num freak show. Se na sua inocente frontalidade as crianças pudessem julgar, Michael Jackson acabaria imediatamente no inferno; antes isso, penso eu, do que a multiplicação estridente de absolvições adocicadas a que vamos assistir, em testemunho da nossa tão adulta hipocrisia.

Farrah Fawcett RIP

Le temps aux plus belles choses
Se plaît à faire un affront,
Et saura faner vos roses
Comme il a ridé mon front.

Le même cours des planètes
Règle nos jours et nos nuits :
On m'a vu ce que vous êtes;
Vous serez ce que je suis.

Cependant j'ai quelques charmes
Qui sont assez éclatants
Pour n'avoir pas trop d'alarmes
De ces ravages du temps.

Vous en avez qu'on adore,
Mais ceux que vous méprisez
Pourroient bien durer encore
Quand ceux-là seront usés.

Pierre Corneille

Problemas de campo enlameado

Podemos divergir da figura, mas é profundamente ridículo que o PSD tenha contribuído para inviabilizar Jorge Miranda no cargo de Provedor. Miopia partidocrática pura e dura.

Mais um estoiro na banca

Finalmente acusações a administradores do BCP. Perdem-se na sombra dos tempos as lembranças de banqueiros sérios na banca privada em Portugal. Nalguma coisa o sector público havia de ser melhor.

O Sr. Nicolau, da Ericeira


O Sr. Nicolau é uma figura, sem dúvida (melhor), um cavalheiro nos modos, de uma educação primorosa e de um grande carinho para a criançada. Há vários anos que somos vizinhos balneares.
Quando me cruzo com ele parece-me sempre que abri um livro de história e de lá de dentro saltou o Rei George V.

O zénite da canção nacional

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma toada de despedida

"Um blogue pode ser um passatempo, um entretenimento fútil, um instrumento lúdico, um estendal narcisista. São utilizações correntes, e legítimas. Porém (…)"
Daqui, uma vénia respeitosa ao "Sexo dos Anjos" no seu ocaso, da parte de um Ashram que seguiu, em mais de um sentido, na direcção oposta (a começar pelo facto de cá se ter assumido o passatempo, a futilidade, a brincadeira, o narcisismo, com brevíssimas intermitências de «tom sério», mas sem qualquer concessão a «objectivos de missão», por legítimos que sejam - e são).
Bonne chance!

Testes de HIV para infantes

Os jovens a partir dos 12 anos passam a poder fazer testes da Sida, e à sorrelfa. Até aqui tudo bem, mas talvez fosse de avisá-los de que um resultado negativo não é a licença para a promiscuidade impune – porque há dezenas de outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, há ainda aquele irritante e démodé detalhe do respeito, do pudor, da auto-estima e até do amor romântico, que aconselhariam a que a mocidade não começasse tão cedo na fornicação desenfreada e na sujeição a tais testes sanitário-pecuários.

Japoneses inventam nova modalidade olímpica

Algures cá na aldeia

Algures na costa chilena


Amamentação poliglota

Vejo na TV que se traduziu em várias línguas um pequeno manual de cuidados infantis: em inglês, croata, russo, etc., destinado aos imigrantes. Para que é que serve?, interroga a jornalista. – Por exemplo, para ensinar a amamentar, responde a técnica responsável.
Que alívio! Como é que as imigrantes croatas e russas amamentavam antes deste utilíssimo manual?
Fico apreensivo com a informação final de que só mais tarde se fará uma tradução para o crioulo. Que diabo, as crianças crioulas também têm direito a mamar – e já!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O medo fundamentalista

Um amigo meu israelita dizia-me há muitos anos que a clivagem mais funda com os países árabes, a mais difícil de superar, é a do estatuto das mulheres.
Mais recentemente um colega meu dizia-me que o pavor da emancipação feminina é a causa de tudo o resto no «fundamentalismo» árabe, e que tudo o mais é mero sintoma.
Isso torna-se crescentemente nítido a cada dia que passa – e tornou-se totalmente transparente na actual tensão iraniana.

Om mane padme hum

And down the loaded air there comes
The thunder of Thibetan drums,
And droned - "Om mane padme hums" -
- A world's-width from Kamakura.
Yet Brahmans rule Benares still,
Buddh-Gaya's ruins pit the hill,
And beef-fed zealots threaten ill
- To Buddha and Kamakura.
A tourist-show, a legend told,
A rusting bulk of bronze and gold,
So much, and scarce so much, ye hold
- The meaning of Kamakura?
But when the morning prayer is prayed,
Think, ere ye pass to strife and trade,
Is God in human image made
- No nearer than Kamakura?

Rudyard Kipling, The Buddha at Kamakura

Cliché

São Pedro deu tréguas por uns instantes, e não estou a transpirar com fato e gravata.
No meio da multidão chega um casal que há uns anos era muito «in». Ela aproxima-se com o seu estilo «grande allumeuse», remira-me com os seus olhos quase brancos e dispara "estás na mesma, estás óptimo, eu já sabia, mas vê só como este FdaP se pôs". De facto o marido está mais do dobro, mas como o tenho visto regularmente nos últimos anos já me habituei.
Minutos depois, no cortejo, o marido aproxima-se e sussurra "não ligues, a gaja está bipolar". Faço o ar consternado de quem acredita.
Adiante, a família do defunto lança sonoras gargalhadas e o padre parece não ter ainda acordado.
Que vista sobre o Tejo! O dia começa bem (dentro do género «dias para esquecer»).

O nosso ambientalismo condena à morte 1 a 3 milhões de pessoas por ano

É extraordinariamente simples atacarmos as vacas sagradas dos outros; e extremamente útil fazê-lo, se o nosso objectivo for o da preservação das nossas (fica a ser uma manobra de diversão, e apazigua-nos a nossa boa consciência iconoclasta).
No outro dia um círculo de illuminati debatia os 100 milhões de mulheres desaparecidas de Amartya Sen, ou seja, a abominável chacina infanticida que continua a perpetrar-se, na Índia, contra os bébés do sexo feminino.
Um horror, um dos crimes mais hediondos dos séculos XIX-XX-XXI, até porque banalizado e ocultado – concordei com os meus interlocutores.
Mas, desmancha-prazeres que sou, lembrei que talvez não estejamos melhor, já que os nossos pruridos ambientalistas são os causadores directos de 1 a 3 milhões de mortos por ano: com efeito, a campanha contra o DDT, um cavalo de batalha ideológico desde Rachel Carson, impediu num momento histórico preciso a erradicação da malária (ao menos, para sermos justos, onde essa erradicação fosse possível antes de os próprios «vectores» se tornarem resistentes ao DDT, o que era, nos anos 50 e 60, a maior parte do planeta; hoje regressou-se ao DDT nas áreas críticas, mas tarde de mais).
Olharam para mim, uns atónitos, os outros profundamente desgostosos com a minha falta de sentido de oportunidade. Mea culpa, não se faz isto às nossas vacas sagradas.

Uma canção de amor

Essa moça é a tal da janela

Até 22 de Julho: Cancer (90º)



sábado, 20 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Luta de classes, french style

Um recado

Não sei porque é que ainda perco tempo com ignorâncias e atrevimentos, mas aqui vai uma sugestão de leitura, uma entre centenas. Bom proveito!

Singer & Dawkins on Darwin



Quando os abolicionistas denunciavam os abusos contra os escravos, demonstrando a inadmissibilidade desses mesmos abusos cometidos contra o «homem branco», havia quem entendesse que os abolicionistas estavam a preconizar a extensão dessas violências contra a «raça branca».
Quando hoje Peter Singer leva ao extremo lógico a sua ética utilitarista de abolição do sofrimento em todas as espécies, os especistas, como outrora os supremacistas, os racistas e os negreiros, julgam que ele pretende despromover a protecção dos direitos humanos ao nível de violência a que sujeitamos as espécies não humanas – quando é precisamente do inverso que se trata, de um nivelamento por cima.

Aonde, Sra Ex-Ministra?

A ex-ministra Pires de Lima apareceu hoje na televisão a auto-glorificar-se na sua condição de «intelectual», que é coisa que, ao que sei, ninguém lhe regateia.
Espantosa é a generosidade com que usa, num delírio de impropriedade, o «aonde»: Senhora ex-ministra, como vamos nós distinguir o verbo de V.Exa do linguajar rasteiro de um qualquer boleeiro de Cinfães, ou dos solavancos na gíria chula de um qualquer tirocinante a comentador de futebol?
Ora aí está aonde gostaríamos de ser esclarecidos!

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