O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O varrasco de Santa Comba

As crianças traquinas, quando se sentem muito oprimidas pela educação que recebem, procuram desforrar-se, à primeira oportunidade, na humanidade básica daqueles que os oprimem.
Que gozo, descobrir que o professor de desenho tem um tique incontrolável! Que gargalhadas, quando se refere que o contínuo cheira mal!
Que êxtase, quando se constata que o padre que lecciona Religião e Moral afinal também tem sexo!
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Parece que anda por aí uma série televisiva que pretende fazer algo de semelhante com o Ditador das Finanças.
Por um lado, é compreensível, dada a inverosimilhança da imagem de castidade beata que os turibulários cultivaram por tempo de mais.
Por outro lado, é salutar, porque humaniza a pessoa, fá-la ingressar no círculo plebeu do escárnio mais rasteirinho (a forma mais directa e inequívoca de abraçarmos os que partilham a nossa condição mortal e decaída).
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Subsistem apenas dois problemas (além de outros que eu detectaria se tivesse tido a paciência para assistir à dita série televisiva, da qual não vi sequer um fotograma):
1) a verdade histórica, o grande empecilho;
2) a menoridade mental que se reflecte no gáudio com que se exerce a iconoclastia por estes meios - porque deixa subentendida a surpresa com a humanidade, e portanto o cego endeusamento, ou o medo infantil, que a precederam.
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Por mim, continuarei a admirá-lo e a criticá-lo em partes iguais, na grandeza de alguns princípios a que se manteve fiel e na pequenez com que traiu outros. E a encarar com simpatia a sua humanidade, aquela que entre adultos se aceita sem se corar e sem se cair no alarido caricatural que pretende desforrar-se de anos de servidão mental atirando velhos ídolos para o chafurdo do instinto básico.
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(na foto, as loas do III Reich a Salazar, na vitrina da exposição do Chiado em 1943 – clicar para ampliar)

Blitz alfacinha


18th Avenue

So long,

Frank Lloyd Wright

Rosebud: San Simeon, Hearst Castle


Fragile 2

Lest we forget how fragile we are

Fragile 1

For all those born beneath an angry star

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Book Quiz

You're Alice's Adventures in Wonderland!
by Lewis Carroll

After stumbling down the wrong turn in life, you've had your mind opened to a number of strange and curious things. As life grows curiouser and curiouser, you have to ask yourself what's real and what's the picture of illusion. Little is coming to your aid in discerning fantasy from fact, but the line between them is so blurry that it's starting not to matter. Be careful around rabbit holes and those who smile too much, and just avoid hat shops altogether.

Take the Book Quiz
at the Blue Pyramid.

Saudades do «Acid Jazz»

Saudades de «ambient» (hoje, «chillout»?)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Quelqu'un m'a dit que tu vendais le Palace

Carla Bruni passa o Castelo de Castagneto Po a patacos: LER

Weil, não Veil

João Pereira Coutinho, ou alguém por ele no Expresso, fez uma tremenda confusão:
Simone Weil não é Simone Veil.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O que importa é o sofrimento, a morte é um abraço do Criador

O tema da eutanásia, lançado pela Consoror Charlotte, mereceu do Ashram este comunicado tardio e sonolento:

A. A eutanásia não é o ponto, mas sim a forma como lançamos um «pallium», uma «capa» aos desabrigados pela condição primária do sofrimento.
B. Há que distinguir cuidados paliativos (que em princípio não se restringem ao paciente e que, quanto a este, não procuram diminuir o sofrimento provocando ou consentindo a morte) de:
B1. Eutanásia, que é a acção ou omissão (eutanásia activa ou passiva) de provocar a morte ao paciente. Nos cuidados paliativos não se insere, ao menos formalmente, o recurso à morte.
B2. Eutanásia passiva, que é a omissão de tratamentos necessários, razoáveis e proporcionados (não-fúteis e não-degradantes). Nos cuidados paliativos admite-se a omissão de tratamentos violentos, invasivos, degradantes.
B3. A alegação ou diagnóstico de futilidade terapêutica, pois se ela é mero sinónimo de excessiva onerosidade (excesso de custo de oportunidade), a decisão deixa de ser directamente «paliativa», para resultar, explicita ou implicitamente, de uma ponderação de bens que não dá prioridade àquele paciente cuja terapêutica é pura e simplesmente preterida.
B4. Suicídio assistido, o fornecimento ao paciente de meios para ele próprio colocar um termo ao sofrimento através da morte – porque novamente se presume que isto extravasa de um mero propósito «paliativo».
B5. A eutanásia indirecta ou eventual, na qual não há a vontade de provocar a morte e apenas se intensifica o risco de que ela aconteça, por exemplo através do reforço da sedação com certas substâncias (o que ficaria moralmente relevado de acordo com o princípio do «duplo efeito»).
C. Os cuidados paliativos seriam quando muito compatíveis com a «ortotanásia», uma morte não provocada ou consentida, mas alcançada com a minimização do sofrimento físico e psicológico.
D. Mas pode o respeito pela autonomia do paciente compatibilizar-se com a recusa de eutanásia – se por exemplo a ponderação do sofrimento psíquico entrar verdadeiramente na equação? Prolongar esse sofrimento psíquico não é também uma forma de «distanásia», de morte escusadamente dolorosa?
Não temos respostas aqui. Apenas dúvidas eloquentes.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dois clássicos de plongée e contre-plongée na Lusa Atenas


Descendo a Couraça de Lisboa (ainda Santa Clara)




(clicar para ampliar)

Ainda Santa Clara (um passeio pelas Couraças da Lusa Atenas)





(clicar para ampliar)

Na frente religiosa 1 - Vaticano: dois tiros na água

Em Outubro, o Papa (que eu sempre admirei como académico e como Cardeal) lamentou-se da perda de interesse na mensagem cristã, da indiferença generalizada perante a religião. LER
Agora, e no espaço de dias, resolveu censurar severamente uma família que quer recorrer à eutanásia para dar um fim condigno a uma paciente em coma há décadas, ao mesmo tempo que resolvia acolher, como filho pródigo, o regresso ao múnus eclesiástico de um indivíduo que se notabilizou no escárnio da morte de milhões de pessoas.
Pergunto-me se será a melhor forma de conciliar com a religião aquelas camadas da população que se têm tornado capazes de formular juízos morais com independência.

Na frente religiosa 2 - A terra das mulheres ciclopes

Um clérigo saudita entende que, como as mulheres seduzem com os dois olhos, devem vendar um em público.
LER
E ainda há quem defenda os radicais islâmicos...
LER

Na frente religiosa 3 - Hubris, versão saudita

Uma mulher saudita resolveu violar a proibição de conduzir e teve um acidente: Maomé não dorme…
LER

Na frente religiosa 4 - dois novos argumentos contra o aborto


No debate na Grã-Bretanha em torno da revisão das «leis do aborto», o Arcebispo de Cardiff arranjou dois novos argumentos esmagadores:
1º) as adolescentes iam passar a tomar pílulas abortivas no recato do lar (e compulsivamente, presume-se);
2º) as leis poderiam ter-se por aplicáveis na Irlanda do Norte (oh, abominação!). LER
Parece-nos que, com estes dois argumentos, o debate ficou encerrado e já não vai haver revisão nenhuma.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Na frente religiosa 5 - electrocardiogramas no Paquistão


Surgiu recentemente, no Paquistão, um movimento para interditar o acesso das mulheres à realização de electrocardiogramas (e já agora, de ecografias). A explicação surge óbvia e eloquente nas palavras de um líder religioso local: “We think that men could derive sexual pleasure from women’s bodies while conducting ECG or ultrasound”.
Assim, banindo as mulheres, assegura-se o decoro e a temperança. LER
Espera aí: e as mulheres cardíacas? Morrem – mas morrem felizes, no decoro, resguardadas de olhares lúbricos e de intenções concupiscentes.

Burros literais

"O simples facto de sermos humanos não nos faz partilhar um elo comum. Porque a única coisa que partilhamos com todos os outros seres humanos é o mesmo que partilhamos com todos os outros animais – a capacidade de experimentarmos dor" - Rorty, Richard (1999), Contingency, Irony, and Solidarity, Cambridge, Cambridge University Press, p. 177
(em celebração de uma magnífica sugestão de Charlotte)

Leopardos metafóricos

Um excelente comentário ao filme de Visconti no blogue de Pierre Assouline (AQUI - invariavelmente interessante).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Free Pote

A velha máxima de nada explicar, nada justificar e nunca pedir desculpa vai desempenhar um papel decisivo nos próximos dias da política portuguesa. Ela tem apologistas internacionalmente reconhecidos, mas entre nós ela foi o salvo-conduto que, por exemplo, permitiu ao Marocas chegar incólume à sua posição patriarcal – reescrevendo alegre e impunemente o registo histórico (não fosse, assente a poeira, dar-se o caso de alguém reclamar explicações, justificações, ou desculpas).
A cadeia dos interesses é tão potente que até pessoas que nada têm a ganhar ou a perder com a situação já alinharam com a mistificação e reclamam exclusivamente a cabeça dos mensageiros.
Não tenho dúvidas de qual vai ser o desfecho: este filme já o vi, vezes de mais. Ao menos nisso nada temos a aprender com o estrangeiro.

Ashram on the Rocks (algures no Canadá)





domingo, 1 de fevereiro de 2009

La Notte / Insensatez

Moreau, Mastroianni, Vitti, Antonioni, Jobim, Vinicius, Bonfá, Toledo, e, pairando acima deles, o riff mágico de Stan Getz... Bons tempos em que o Brasil era conotado com sofisticação e modernidade!

Fevereiro

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