O novo Ashram minimalista

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

JFK redivivus... e o mofo...

O pessoal que não consegue espraiar a sua atenção em cada assunto por mais de dez minutos nem é capaz de desviar os seus pensamentos daquilo que lhe ditam na televisão – esse pessoal anda hoje em êxtase com a tomada de posse de Barack Obama, e não se cansa de estabelecer paralelos com a presidência de JFK (sabem, aquele grande amigo de Portugal…). Coisa singular, essa de que se querer enaltecer uma novidade referindo-a como um prato requentado…

As pessoas não são substantivos comuns

Uma das coisas mais certas que tenho aprendido é a não fazer retratos de grupo.
Há muitos anos que um grupinho de gente andava a tentar infernizar-me a vida, e o «amor» era recíproco, sendo-lhe servido e devolvido, sempre que possível, nas mesmas doses – e a frio. Mas sempre achei que havia lá um elemento infiltrado, alguém que no meio das manobras vociferava de forma inautêntica, e que para com terceiros era capaz de uma generosidade extrema.
Demorou tempo, demasiado tempo, mas demonstrou-me agora a sua estima por mim – e por actos, não por palavras, «comme il faut». Fiz bem em não o ter rotulado com um «carimbo comum». Como no velho dito parisiense, há gente boa em todo o lado – mesmo na Normandia.

Até 19 de Fevereiro: Aquarius (300º)



A visão astronómica, e as projecções de Cassini e Hevelius.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um abismo chamado Obama

P.J. O'Rourke, o rei do sarcasmo, medita sobre o que espera os EUA na «Era Obama»:
"What will destroy our country and us is not the financial crisis but the fact that liberals think the free market is some kind of sect or cult, which conservatives have asked Americans to take on faith."
AQUI

Jubilai saudosistas: um obscurantista na Casa de Lencastre!

O Bispo de Lancaster entende que a educação tem fomentado discórdia e confusão. Ah, valente homem, que ao menos assumes! É verdade que isto de o povo ser letrado é coisa luciferina, é o fermento da licenciosidade, é a maçã bichada do paraíso! Bem fazem aqueles talibãs que impedem as raparigas de estudar – conseguem mantê-las virtuosas e livres do pecado da soberba!
LER e MEDITAR

E eu a pensar que era só em Direito…

Reflexões sábias contra o «mandarinato» em Filosofia (a versão de caserna dos «filósofos-reis»).
AQUI

Tiros pela culatra: David Irving defende a liberdade de expressão?

Quer isso dizer que o processo que moveu contra Deborah Lipstadt, tentando silenciá-la, era apenas uma brincadeira?
LER

Um Patriarca no seu labirinto

A uma interpelação de Charlotte sobre declarações polémicas do Patriarca de Lisboa, respondi:

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O Cardeal Patriarca de Lisboa não será a pessoa mais autorizada para falar do casamento, nem a mais isenta para pronunciar-se sobre confissões que não a sua. As suas afirmações revelam um preconceito anti-muçulmano que se aceita na conversa de um taxista, mas não em alguém que é suposto usar de um pouco mais de critério e discernimento quando fala.
É verdade que muitas sociedades onde a fé muçulmana impera estão presas ainda de uma concepção inteiramente retrógrada acerca do estatuto da mulher, e sobre o papel e missão da mulher no seio do casamento – tomando-a por uma espécie de serviçal parideira. Mas o Cardeal Patriarca sabe muito bem que muitos votos formulados aquando do sacramento matrimonial católico, especialmente aqueles que vão apoiar-se nas palavras de São Paulo, apontam para a submissão incondicionada da mulher casada. E sabe muito bem, ou suspeita, que as católicas que proferem ou ouvem ou toleram essas palavras nesse momento só o fazem porque não as levam a sério, as descontam e as dissolvem em pura impiedade secularizada – esperando, se não exigindo, que se pratique a estrita igualdade que a lei civil prescreve, e «mandando às urtigas» aquelas tenebrosas cominações.
Uma mulher casa-se, não com um muçulmano, mas com um homem (ao menos enquanto a lei civil lho permitir, e não lhe impuser o casamento lésbico). Nenhuma religião, por mais imperativa que seja, exonera o marido do seu dever moral de respeitar, como homem, a mulher que se propõe partilhar consigo o seu destino. Deixemos de fora as religiões – reconhecendo uma vez mais que, no corpo da doutrina, a religião católica não é, neste ponto, melhor ou menos «sarilhenta» do que a muçulmana –, e reconheçamos a grande conquista civilizacional que foi termos impedido as pessoas de procurarem justificar-se e exonerar-se, nos seus actos mais censuráveis e odiosos, com as suas crenças.
Receio bem que, por detrás da censura anti-ecuménica do Cardeal Patriarca, por detrás do gritante preconceito que pretende estigmatizar todos os muçulmanos, se abrigue um muito sensato, mas numa figura eclesiástica muito insólito e inapropriado, apelo à prevalência dessa moral inteiramente secularizada.

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sábado, 17 de janeiro de 2009

Dentro de horas, segunda subida íngreme



Imagens de Filbert Street, SF.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A propósito de futebóis (2): Peter Gabriel

Ex oriente lux: a propósito de futebóis (1)

Se fosse possível encontrar uma única coisa que, entre as mãos dos homens, não degenerasse, eu partilharia da opinião negativa que o Confrade Combustões exprime acerca do futebol.
Assim, julgo que tudo não passa de uma degeneração, ou degenerescência – mais uma apenas –, do propósito louvável de sublimar ímpetos biomecânicos correndo atrás de uma bola e dando largas a instintos territoriais.
É a intenção que redime o futebol, e é a sua prática que irremediavelmente o compromete.
Admitamos que é a intenção que mais conta, e por isso custa-me menos ver as paixões e a violência nascerem do desporto (como no futebol) do que ver um desporto a nascer das paixões e da violência (o «desporto» da caça ou a «arte castrense» são dois bons exemplos).
Quanto à prática… bom, com uma dose de optimismo considerarei que se trata de um sintoma e não de uma causa, na medida em que o futebol polariza muito embrutecimento e muita infelicidade, mas não sei se os causa propriamente, ou sequer se os difunde e banaliza (aí a palma vai indisputada para a veneração alarve do «poder» e do «mando», com toda a menorização que induz na plebe).
Por mim, desde que o futebol não seja obrigatório, a vida continua mutíssimo bem sem ele.

Os gira-discos evoluíram...


Ashram no Idaho (2): coisas simples e belas




Ashram no Idaho (1)


Palavras malditas

Às vezes as pessoas desfazem num segundo toda a imagem positiva que se tinha feito delas, com gestos e palavras que constituem uma surpresa tão desagradável que é irrecuperável.
Agora foi um cronista que eu lia e que subitamente resolveu usar o santo-e-senha do bando mais execrável de anti-semitas que alguma vez floresceu (se florescer é o termo…) nesta terra. Como é homem feito e vivido, vou presumir que o não fez inadvertidamente e que mediu as consequências de fazê-lo.
Tem todo o direito de usar as palavras que quiser, e o santo-e-senha nem sequer é ofensivo. Mas há palavras que conspurcam quem as profere; há palavras malditas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O cânone do anonimato

Eis-me convertido em Santo Padroeiro dos Anónimos! (AQUI e AQUI).
Era o que me faltava!
Devo confessar humildemente que as minhas razões para o meu pseudo-anonimato (pobrezinho, mais furado do que um passador) não são kantianamente universalizáveis, e por isso não podem, nem devem, converter-se em máximas para a conduta (minha ou alheia).
Há uns tempos um façanhudo neonazi julgou que me embaraçava escarrapachando o meu nome lá no tugúrio onde vegeta. Nada disso, fez-me perder todo o embaraço que se abriga neste esforço de desenhar um avatar mais elegante e educado do que o próprio criador – perdi todo o embaraço, respondi-lhe na mesma moeda e bem me fiquei a rir.
É, o que decerto não é universalizável é que tenho usado o anonimato tanto para que os outros me deixem em paz (o que é trivial) como para eu próprio deixar em paz os outros (o que não é tão trivial).
Tirando isto, os argumentos habitualmente esgrimidos contra o anonimato parecem-me eminentemente respeitáveis – como são respeitáveis todas as frivolidades proferidas com ar sério.

Obrigado, Miss Pearls!

Os meus agradecimentos à Miss Pearls, librarian «sans peur et sans reproche». (LER)
Nestes últimos dias tenho-me deliciado a percorrer os sites que me sugeriu, a maior parte dos quais não conhecia.
Confesso que andei entretido, nos últimos anos, a acumular na minha HD alguns clássicos generosamente oferecidos pela GALLICA (AQUI e AQUI).
Mais recentemente, a conversão ao «BitTorrent» fez-me entrar na posse de acervos bibliográficos verdadeiramente esmagadores, que só por eles reclamaram a aquisição de uma HD de 1 TB.
Admirável mundo novo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ainda os primórdios do surf em Portugal

ChronoSurf : Les origines du surf en France
La première décennie (1956 – 1965)
Malgré les rumeurs d’un certain Jan Willem Coenraads Nederven ayant surfé aux Pays Bas dans les années 30 et la tentative de Pedro Martins de Lima en 1953 sur la plage de Caparica au Portugal qui se solda par une jambe cassée, il est communément accepté que le berceau du surf en Europe se trouve à Biarritz. Si septembre 1956 est la date des premiers débuts de Viertel et Hennebutte, on a tendance à considérer 1957 comme l’année de référence où un bouillonnement de groupe lança le surf sur la voie de la postérité. Si l’on entend souvent parler des Tontons Surfers, c’est plus souvent pour évoquer les années 60 que réellement les premières années où le surf balbutia à l’écart des grands courants californiens et australiens, forçant une poignée d’amoureux de l’océan à rivaliser d’ingéniosité et de courage pour compenser un certain manque physique (par rapport aux athlètes des plages anglo-saxonnes) lié à des activités professionnelles non-sportives et à des âges déjà avancés (sauf pour Joël de Rosnay). C’est d’ailleurs par les albums de Joël de Rosnay, méticuleusement étiquetés et illustrés, récemment scannés, que s’ouvre encore le pan le plus passionnant de l’histoire du surf en France.

DAQUI

A Casa Farnsworth, o original e um bolo (!)


Farnsworth Spirit, Bay of Fundy





A Casa Farnsworth renasce, em espírito (e algo modificada), na gélida e mítica Baía de Fundy, no Canadá.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Corrente interrompida

A um desafio de Bomba,
A) Uma fotografia:
B) Uma banda ou um(a) cantor(a): Kurt Elling - B
1) És homem ou mulher? Mannish Boy - 1
2) Descreve-te: Gastibelza, l’homme à la carabine - 2
3) O que as pessoas acham de ti? Do Ya Think I’m Sexy? - 3
4) Como descreves o teu último relacionamento? I love the sound of breaking glass - 4
5) Descreve o estado actual da tua relação: Non, je n’ai rien oublié - 5
6) Onde querias estar agora? San Francisco - 6
7) O que pensas a respeito do amor? S’wonderful - 7
8) Como é a tua vida? Um Verão (Estate) - 8
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Women & Children First - 9
10) Escreve uma frase sábia: "¿De qué templo, De qué leve jardín en la montaña, De qué vigilias ante un mar que ignoro, De qué pudor de la melancolía, De qué perdida y rescatada tarde, Llegan a mí, su porvenir remoto? No lo sabré. No importa. En esa música Yo soy. Yo quiero ser. Yo me desangro." (Jorge Luis Borges) - 10

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Entre guias de montanha

O telefonema chega, inesperado, a meio da tarde. Um velho guia de montanha deseja saudar-me. Lembra-me que foi precisamente há 50 anos que ele próprio alcançou o topo, e que, tendo recebido o abraço de um outro guia lendário, por este lhe foi dito que podia passar por muitas outras coisas na vida mas nunca teria mais elevada (e suada) distinção.
Chegou a vez de ele mesmo mo dizer, e uma retrospectiva agridoce atravessou-me o espírito ouvindo-lhe a voz. Acrescentou, “sabe, há alguma coisa de pírrico nisto tudo, porque chegados ao topo falta-nos o incentivo maior, que é o desafio da subida”.
O lado pírrico, infelizmente, começou para mim há muito mais tempo, e arrastei-me até ao topo por inércia, por teimosia, por sentir que não tinha muito mais para onde ir. Há um certo simbolismo no momento: a passagem de testemunho faz-se por telefonema, desta feita não há abraços.

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