O novo Ashram minimalista
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Ex oriente lux: a propósito de futebóis (1)
Se fosse possível encontrar uma única coisa que, entre as mãos dos homens, não degenerasse, eu partilharia da opinião negativa que o Confrade Combustões exprime acerca do futebol.Assim, julgo que tudo não passa de uma degeneração, ou degenerescência – mais uma apenas –, do propósito louvável de sublimar ímpetos biomecânicos correndo atrás de uma bola e dando largas a instintos territoriais.
É a intenção que redime o futebol, e é a sua prática que irremediavelmente o compromete.
Admitamos que é a intenção que mais conta, e por isso custa-me menos ver as paixões e a violência nascerem do desporto (como no futebol) do que ver um desporto a nascer das paixões e da violência (o «desporto» da caça ou a «arte castrense» são dois bons exemplos).
Quanto à prática… bom, com uma dose de optimismo considerarei que se trata de um sintoma e não de uma causa, na medida em que o futebol polariza muito embrutecimento e muita infelicidade, mas não sei se os causa propriamente, ou sequer se os difunde e banaliza (aí a palma vai indisputada para a veneração alarve do «poder» e do «mando», com toda a menorização que induz na plebe).
Por mim, desde que o futebol não seja obrigatório, a vida continua mutíssimo bem sem ele.
Palavras malditas
Às vezes as pessoas desfazem num segundo toda a imagem positiva que se tinha feito delas, com gestos e palavras que constituem uma surpresa tão desagradável que é irrecuperável.Agora foi um cronista que eu lia e que subitamente resolveu usar o santo-e-senha do bando mais execrável de anti-semitas que alguma vez floresceu (se florescer é o termo…) nesta terra. Como é homem feito e vivido, vou presumir que o não fez inadvertidamente e que mediu as consequências de fazê-lo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O cânone do anonimato
Eis-me convertido em Santo Padroeiro dos Anónimos! (AQUI e AQUI).Era o que me faltava!
Devo confessar humildemente que as minhas razões para o meu pseudo-anonimato (pobrezinho, mais furado do que um passador) não são kantianamente universalizáveis, e por isso não podem, nem devem, converter-se em máximas para a conduta (minha ou alheia).
Há uns tempos um façanhudo neonazi julgou que me embaraçava escarrapachando o meu nome lá no tugúrio onde vegeta. Nada disso, fez-me perder todo o embaraço que se abriga neste esforço de desenhar um avatar mais elegante e educado do que o próprio criador – perdi todo o embaraço, respondi-lhe na mesma moeda e bem me fiquei a rir.
É, o que decerto não é universalizável é que tenho usado o anonimato tanto para que os outros me deixem em paz (o que é trivial) como para eu próprio deixar em paz os outros (o que não é tão trivial).
Tirando isto, os argumentos habitualmente esgrimidos contra o anonimato parecem-me eminentemente respeitáveis – como são respeitáveis todas as frivolidades proferidas com ar sério.
Obrigado, Miss Pearls!
Nestes últimos dias tenho-me deliciado a percorrer os sites que me sugeriu, a maior parte dos quais não conhecia.
Confesso que andei entretido, nos últimos anos, a acumular na minha HD alguns clássicos generosamente oferecidos pela GALLICA (AQUI e AQUI).
Mais recentemente, a conversão ao «BitTorrent» fez-me entrar na posse de acervos bibliográficos verdadeiramente esmagadores, que só por eles reclamaram a aquisição de uma HD de 1 TB.
Admirável mundo novo!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Ainda os primórdios do surf em Portugal
ChronoSurf : Les origines du surf en France
La première décennie (1956 – 1965)
Malgré les rumeurs d’un certain Jan Willem Coenraads Nederven ayant surfé aux Pays Bas dans les années 30 et la tentative de Pedro Martins de Lima en 1953 sur la plage de Caparica au Portugal qui se solda par une jambe cassée, il est communément accepté que le berceau du surf en Europe se trouve à Biarritz. Si septembre 1956 est la date des premiers débuts de Viertel et Hennebutte, on a tendance à considérer 1957 comme l’année de référence où un bouillonnement de groupe lança le surf sur la voie de la postérité. Si l’on entend souvent parler des Tontons Surfers, c’est plus souvent pour évoquer les années 60 que réellement les premières années où le surf balbutia à l’écart des grands courants californiens et australiens, forçant une poignée d’amoureux de l’océan à rivaliser d’ingéniosité et de courage pour compenser un certain manque physique (par rapport aux athlètes des plages anglo-saxonnes) lié à des activités professionnelles non-sportives et à des âges déjà avancés (sauf pour Joël de Rosnay). C’est d’ailleurs par les albums de Joël de Rosnay, méticuleusement étiquetés et illustrés, récemment scannés, que s’ouvre encore le pan le plus passionnant de l’histoire du surf en France.
DAQUI
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Corrente interrompida
A) Uma fotografia:
B) Uma banda ou um(a) cantor(a): Kurt Elling - B1) És homem ou mulher? Mannish Boy - 1
2) Descreve-te: Gastibelza, l’homme à la carabine - 2
3) O que as pessoas acham de ti? Do Ya Think I’m Sexy? - 3
4) Como descreves o teu último relacionamento? I love the sound of breaking glass - 4
5) Descreve o estado actual da tua relação: Non, je n’ai rien oublié - 5
6) Onde querias estar agora? San Francisco - 6
7) O que pensas a respeito do amor? S’wonderful - 7
8) Como é a tua vida? Um Verão (Estate) - 8
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Women & Children First - 9
10) Escreve uma frase sábia: "¿De qué templo, De qué leve jardín en la montaña, De qué vigilias ante un mar que ignoro, De qué pudor de la melancolía, De qué perdida y rescatada tarde, Llegan a mí, su porvenir remoto? No lo sabré. No importa. En esa música Yo soy. Yo quiero ser. Yo me desangro." (Jorge Luis Borges) - 10
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Entre guias de montanha
O telefonema chega, inesperado, a meio da tarde. Um velho guia de montanha deseja saudar-me. Lembra-me que foi precisamente há 50 anos que ele próprio alcançou o topo, e que, tendo recebido o abraço de um outro guia lendário, por este lhe foi dito que podia passar por muitas outras coisas na vida mas nunca teria mais elevada (e suada) distinção.Chegou a vez de ele mesmo mo dizer, e uma retrospectiva agridoce atravessou-me o espírito ouvindo-lhe a voz. Acrescentou, “sabe, há alguma coisa de pírrico nisto tudo, porque chegados ao topo falta-nos o incentivo maior, que é o desafio da subida”.
O lado pírrico, infelizmente, começou para mim há muito mais tempo, e arrastei-me até ao topo por inércia, por teimosia, por sentir que não tinha muito mais para onde ir. Há um certo simbolismo no momento: a passagem de testemunho faz-se por telefonema, desta feita não há abraços.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
1º Medina Carreira, agora Antonio Barreto: e a velha Direita? (2)
Houve um tempo em que existia Direita em Portugal, ou seja, em que havia uma linha de pensamento que autorizava algumas pessoas a denunciarem os vícios e taras da partidocracia de forma coerente e estruturada. Hoje, têm que ser pessoas com o currículo de esquerda de Medina Carreira ou António Barreto a dizê-lo. Quanto aos putativos herdeiros da velha Direita, ou andam engravatados a sonhar com alianças mercenárias com os poderes estabelecidos, ou andam descamisados a tatuar cruzes gamadas nos antebraços e a perseguir negros.1º Medina Carreira, agora Antonio Barreto: e a velha Direita? (1)
"CONFRANGEDOR, neste processo, foi o Parlamento. E, com ele, evidentemente, os grupos parlamentares e os partidos. Foram incompetentes e fizeram tolices. Foi possível, por exemplo, aprovar uma lei que continha oito disposições inconstitucionais! Mostraram um comportamento contraditório e arrogante: vários partidos diziam uma coisa na televisão e votavam de modo diferente. Foram covardes e cederam à chantagem regionalista. Finalmente, cometeram acto impensável: automutilaram-se, isto é, abdicaram de competências e desistiram de funções de Estado.Habituámo-nos a tudo. Às querelas inúteis. À mediocridade dos partidos. Aos conflitos entre governo e presidente. À chantagem que as regiões autónomas exercem sobre a República, os órgãos de soberania e os partidos. Ou à pobreza de espírito e à subserviência dos deputados. Difícil, apesar de tudo, é habituarmo-nos a tão inepto Parlamento."
ANTONIO_BARRETO
No Ashram original
(…)At dawn Mt. Hiei dusted white
On top; in the clear air
Folds of all the gullied green
Hills around the town are sharp,
Breath stings. Beneath the roofs
Of frosty houses
Lovers part, from tangle warm
Of gentle bodies under quilt
And crack the icy water to the face
And wake and feed the children
And grandchildren that they love.
Kyoto: March (Gary Snyder)
Um segredo bem guardado do bebop

Há muito que os entendidos sabem que a "Ornithology" de Charlie Parker é baseada no tema de "How High the Moon" (LER). Bireli Lagrène resolveu demonstrá-lo.
sábado, 3 de janeiro de 2009
De uma varanda em NY



Se eu quisesse ter opinião sobre tudo, tinha ido para jornalista, provavelmente - e candidatava-me a dizer burrices ao ritmo impressionante a que as leio na pouca imprensa escrita que vou comprando.Costureirinhas de todo o mundo, uni-vos!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Começar bem o ano: avaliação promulgada!
O ocupante de Belém acha óptimo que os professores continuem sujeitos a tratos de polé (LER). Como ele já está reformado e já não precisa do «complemento de docência» da parte de nenhum membro da família (para bom entendedor...), a ideia é a de que "quem vier atrás que feche a porta"...Começar bem o ano: Saramago apanhado?
Saramago apanhado num plágio? (LER) Impossível imaginar um melhor começo de ano...Tudo em: http://www.saramagoplagiario.blogspot.com/
























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