O novo Ashram minimalista
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Byblos
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Fanfarra pelo Homem Comum
O Confrade Combustões lançou-se numa talentosa jeremíada contra aquilo que descreve como a resignação «ocidental» à lei da mediania, e como o «triunfo do homem comum» (LER).
Concordo com boa parte do diagnóstico, mormente no que respeita à dissolução plutocrática e à idolatria materialista.
Discordo apenas:
- da ideia de que esses males tenham a ver com o «homem comum»;
- da ideia de que esses «males» devam resolver-se com os «remédios» do despojamento e da ascese;
- da ideia de que se trata de um «mal ocidental».
1. O homem comum é aquele que nasce, cresce, morre (e ama e sofre entretanto) na penumbra da existência, sem alardes e sem vanglória. Por ele deveríamos todos regular a nossa moralidade, e é à sua diligência que vai buscar-se o padrão, e o limite, dos ditames minimalistas que o Direito impõe às pessoas livres que querem a paz.
As exaltações de virtudes supererogatórias – tanto no triunfo como na renúncia – foram os pendões que levaram os povos às batalhas, às cruzadas, e mais recentemente à virtuosa tirania do terrorismo, muito apropriadamente encabeçada por ascetas resignados ao mais drástico despojamento material.
2. O homem comum, no Ocidente tanto como no Oriente, trabalha por necessidade, e aguça o engenho com sonhos de engrandecimento material; sacrifica a esses sonhos «patetas» o melhor da sua existência, e é em geral tarde de mais que lhe acode a sabedoria crepuscular da renúncia à ávida acumulação de riquezas materiais.
Mas essa «deficiência», que os moralistas invariavelmente lamentam, é o segredo do seu engenho e da sua indústria, é o motor incansável que, possivelmente pelas piores razões e decerto por uma deficiência da natureza humana, faz o homem comum sair da miséria e da dependência (e rebocar, nesse laborioso processo ascensional, aqueles que dele dependem).
Olhando aos resultados, a somente a eles, dir-se-á, pois: antes um burguês mediano e ufano dos seus crassos valores materialistas do que um mendigo atordoado por exaltações contemplativas do seu estado de obscurantismo e de dependência, definhando, famélico, entre nédias vacas sagradas.
3. Há uma qualquer «astúcia da razão» que torna necessária essa alienação materialista do homem comum, e a ela devemos TODA a prosperidade e TODA a liberdade que preferimos associar, românticos e ingratos que somos, a uma «marcha das ideias» que, deveríamos reconhecê-lo, tudo deve ao esforço incansável daqueles que perderam tempo de mais a julgar que havia um paraíso material e a venerar os ídolos de uma consumação hedonista neste império das sombras e neste vale de lágrimas (por alguma razão até Karl Marx reconheceu que a burguesia foi a única classe historicamente capaz de encabeçar revoluções…).
Em suma, sem esse homem comum talvez pudéssemos todos aceder mais directamente a uma nobre partilha de ideais éticos, talvez imperasse uma fraternidade de sabedoria e de despojamento, talvez restasse mais espaço para sondarmos os recantos da nossa autenticidade, talvez, na fusão de horizontes de ocidente com oriente, pudesse até surgir, impoluto, aquele velho paradigma saneador do «homem novo»…
Talvez. Mas de certeza que antes disso morreríamos todos à fome.
Passeio proustiano 2
Passeio proustiano 1
domingo, 16 de novembro de 2008
O III Reich no Chiado



Ali junto à Perfumaria da Tatão, na esquina das Ruas do Carmo e Garrett (onde depois esteve o José Alexandre), a representação dos Caminhos de Ferro Alemães resolveu assinalar, em 1943, os 10 anos do III Reich. Não faltaram à exposição, consta, todos os candidatos a Quislings que então pululavam em Lisboa.sábado, 15 de novembro de 2008
Anti-stress: Euro Truck Simulator
Novamente a pensar na chatice do trabalho? Há muito pior, pense em milhares de quilómetros nas estradas europeias ao volante de um TIR. Vá lá, camisola de alças em rede, tatuagem no braço e vamos à estrada!
Anti-stress: GTR2
Farto de limites de velocidade e de multas? Nada como uma voltinha em Le Mans, bem acelerada...
Anti-stress: World of Subways
Quando o trabalho parece chato, nada como uma voltinha no metropolitano de NY, para se perceber como o trabalho pode ser muito mais chato ainda...
A pior iniquidade de um Governo-refém
Há pouco ouvia os protestos pela inacção política em torno da questão da unidose – uma omissão que vitima gravemente os idosos mais pobres, os mais presos na "inelasticidade" que os sujeita aos efeitos da sobre-prescrição. Lembro-me de ter discutido o tema com o saudoso Sousa Franco poucos dias antes de ele morrer, e de ele me ter confessado que a falha nesse combate era um dos principais motivos de frustração associados à sua passagem pelas Finanças. Passou já tanto tempo, fizeram-se tantas promessas, e nada: o Governo continua a ser escandalosamente cúmplice da indústria farmacêutica nesta sórdida exploração dos mais vulneráveis. Choca o desperdício de recursos, choca a desumanidade desse calvário, choca a ingratidão e falta de solidariedade para com os idosos, choca a injustiça extrema que consiste em nada se fazer para minimizar tais "perdas máximas". Interpelado com a crueldade de tudo isto, um imbecil que integra o Governo ria descaradamente.sexta-feira, 14 de novembro de 2008
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A "arte divina" da tapeçaria: http://www.artic.edu/aic/collections/exhibitions/divineart/indexA visitar: 2
Panfletos da Revolução Francesa: http://content.lib.ua.edu/cdm4/browse.php?CISOROOT=%2FFrRvlutionquinta-feira, 13 de novembro de 2008
Não tenham medo
O momento está repleto de possibilidades, mais do que de perigos: oxalá a desobediência dos professores tenha êxito – agora que se prestaram a dar-nos mais uma lição de coragem e de integridade. O país "do respeitinho" e do "deixa andar" e da cobardia disfarçada de cinismo ficará a dever-lhes mais este favor. Ponto é que não haja medo: é sempre disso que dependem os grandes momentos. Acendeu-se, trémula embora, uma luz de esperança.













