O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Almarjão RIP

Isto dos livros não anda bem: há uns dias foi para a Biblioteca Infinita o bibliófilo nº 1, e com ele levou uma certa atmosfera de Lisboa, um não sei quê de intemporal e aristocrático.

Byblos

Ainda se fosse um banco, pedia-se o avalzinho do Estado, ou uma injecção de capital, e podia viver feliz por muitos e bons anos: assim, como só vendia uma porcaria duns livros, é deixá-la entregue às leis do mercado. Eu que sou vizinho vou sentir a falta, mas reconheço que quem torto nasce...
(Foto do blogue Lisboa SOS, um genuíno serviço público).

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Passeio proustiano 5



Na Rua Royale, vindos da Place de la Concorde, à esquerda o Maxim's (mundialmente famoso), à direita o Ladurée (Salon de Thé) e ao fundo a mais chique igreja de Paris, a Madeleine.

Concórdia

AMEN às sábias reflexões de um Confrade, exilado na sua discreta demanda da excelência pessoal, da auto-transcendência. Vai daqui, a aguçar-lhe as saudades, uma imagem da velha Alfama, com a poesia da gente comum.

Passeio proustiano 4


Ainda nos Champs-Élysées, o Restaurante Laurent e o Teatro Marigny, dois ícones da belle époque (dois sobreviventes).

O III Reich no Chiado (2): a alegria no trabalho




Eloquentes panegíricos à ética laboral nazi (clicar para ampliar)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Fanfarra pelo Homem Comum

O Confrade Combustões lançou-se numa talentosa jeremíada contra aquilo que descreve como a resignação «ocidental» à lei da mediania, e como o «triunfo do homem comum» (LER).
Concordo com boa parte do diagnóstico, mormente no que respeita à dissolução plutocrática e à idolatria materialista.
Discordo apenas:
- da ideia de que esses males tenham a ver com o «homem comum»;
- da ideia de que esses «males» devam resolver-se com os «remédios» do despojamento e da ascese;
- da ideia de que se trata de um «mal ocidental».
1. O homem comum é aquele que nasce, cresce, morre (e ama e sofre entretanto) na penumbra da existência, sem alardes e sem vanglória. Por ele deveríamos todos regular a nossa moralidade, e é à sua diligência que vai buscar-se o padrão, e o limite, dos ditames minimalistas que o Direito impõe às pessoas livres que querem a paz.
As exaltações de virtudes supererogatórias – tanto no triunfo como na renúncia – foram os pendões que levaram os povos às batalhas, às cruzadas, e mais recentemente à virtuosa tirania do terrorismo, muito apropriadamente encabeçada por ascetas resignados ao mais drástico despojamento material.
2. O homem comum, no Ocidente tanto como no Oriente, trabalha por necessidade, e aguça o engenho com sonhos de engrandecimento material; sacrifica a esses sonhos «patetas» o melhor da sua existência, e é em geral tarde de mais que lhe acode a sabedoria crepuscular da renúncia à ávida acumulação de riquezas materiais.
Mas essa «deficiência», que os moralistas invariavelmente lamentam, é o segredo do seu engenho e da sua indústria, é o motor incansável que, possivelmente pelas piores razões e decerto por uma deficiência da natureza humana, faz o homem comum sair da miséria e da dependência (e rebocar, nesse laborioso processo ascensional, aqueles que dele dependem).
Olhando aos resultados, a somente a eles, dir-se-á, pois: antes um burguês mediano e ufano dos seus crassos valores materialistas do que um mendigo atordoado por exaltações contemplativas do seu estado de obscurantismo e de dependência, definhando, famélico, entre nédias vacas sagradas.
3. Há uma qualquer «astúcia da razão» que torna necessária essa alienação materialista do homem comum, e a ela devemos TODA a prosperidade e TODA a liberdade que preferimos associar, românticos e ingratos que somos, a uma «marcha das ideias» que, deveríamos reconhecê-lo, tudo deve ao esforço incansável daqueles que perderam tempo de mais a julgar que havia um paraíso material e a venerar os ídolos de uma consumação hedonista neste império das sombras e neste vale de lágrimas (por alguma razão até Karl Marx reconheceu que a burguesia foi a única classe historicamente capaz de encabeçar revoluções…).
Em suma, sem esse homem comum talvez pudéssemos todos aceder mais directamente a uma nobre partilha de ideais éticos, talvez imperasse uma fraternidade de sabedoria e de despojamento, talvez restasse mais espaço para sondarmos os recantos da nossa autenticidade, talvez, na fusão de horizontes de ocidente com oriente, pudesse até surgir, impoluto, aquele velho paradigma saneador do «homem novo»…
Talvez. Mas de certeza que antes disso morreríamos todos à fome.

Passeio proustiano 3


A Alée Marcel Proust, do lado Norte dos Champs Élysées, o local mágico das brincadeiras da criança que chegava do Boulevard Malesherbes (alguns dos momentos mais iluminados do Coté de Chez Swann).

Passeio proustiano 2


Ao cimo, a Rue d'Astorg, perto do Boulevard Malesherbes, local do (ficcionado) Palácio Guermantes. Em baixo, a Place Saint Augustin e a Igreja de Saint Augustin no topo do Boulevard Malesherbes, o ícone visual mais nítido no local (apesar da proximidade da Madeleine, que fica um pouco escondida aqui).

Passeio proustiano 1


Aproveitando as possibilidades de passeio virtual pelas ruas de Paris (graças ao Google Earth), pensei em espreitar alguns dos lugares mágicos do legad0 proustiano. Aqui, o nº 9 do Boulevard Malesherbes, casa de Proust nos seus primeiros decénios (decerto o lugar de Paris que mais o marcou, muito mais do que errâncias tardias).

Parting words

Obrigado, F!

domingo, 16 de novembro de 2008

O III Reich no Chiado




Ali junto à Perfumaria da Tatão, na esquina das Ruas do Carmo e Garrett (onde depois esteve o José Alexandre), a representação dos Caminhos de Ferro Alemães resolveu assinalar, em 1943, os 10 anos do III Reich. Não faltaram à exposição, consta, todos os candidatos a Quislings que então pululavam em Lisboa.
Muito curiosos detalhes da propaganda nazi, num momento de viragem: vamos explorá-los nos próximos dias.
(Clicar para ampliar as fotos)

sábado, 15 de novembro de 2008

Anti-stress: Euro Truck Simulator

Novamente a pensar na chatice do trabalho? Há muito pior, pense em milhares de quilómetros nas estradas europeias ao volante de um TIR. Vá lá, camisola de alças em rede, tatuagem no braço e vamos à estrada!

Anti-stress: GTR2

Farto de limites de velocidade e de multas? Nada como uma voltinha em Le Mans, bem acelerada...

Anti-stress: World of Subways


Quando o trabalho parece chato, nada como uma voltinha no metropolitano de NY, para se perceber como o trabalho pode ser muito mais chato ainda...

A pior iniquidade de um Governo-refém

Há pouco ouvia os protestos pela inacção política em torno da questão da unidose – uma omissão que vitima gravemente os idosos mais pobres, os mais presos na "inelasticidade" que os sujeita aos efeitos da sobre-prescrição. Lembro-me de ter discutido o tema com o saudoso Sousa Franco poucos dias antes de ele morrer, e de ele me ter confessado que a falha nesse combate era um dos principais motivos de frustração associados à sua passagem pelas Finanças. Passou já tanto tempo, fizeram-se tantas promessas, e nada: o Governo continua a ser escandalosamente cúmplice da indústria farmacêutica nesta sórdida exploração dos mais vulneráveis. Choca o desperdício de recursos, choca a desumanidade desse calvário, choca a ingratidão e falta de solidariedade para com os idosos, choca a injustiça extrema que consiste em nada se fazer para minimizar tais "perdas máximas". Interpelado com a crueldade de tudo isto, um imbecil que integra o Governo ria descaradamente.

El Beso


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A verdade por detrás da máquina (há empregos difíceis!) 2



A verdade por detrás da máquina (há empregos difíceis!) 1



Não tenham medo

Talvez estejamos a assistir, em Portugal, ao início do mais vasto e consequente movimento de desobediência cívica dos últimos tempos. Os mandarins socialistas refugiam-se em alegações de legalidade, como é costume: mas eu lembro-me bem ainda dos apelos / ameaças proferidos por Jaruzelski contra os operários polacos, numa retórica cheia de referências a "legalidade" – ao mesmo tempo que, muito "ilegalmente", o Papa polaco exortava os mesmos operários a não terem medo.
O momento está repleto de possibilidades, mais do que de perigos: oxalá a desobediência dos professores tenha êxito – agora que se prestaram a dar-nos mais uma lição de coragem e de integridade. O país "do respeitinho" e do "deixa andar" e da cobardia disfarçada de cinismo ficará a dever-lhes mais este favor. Ponto é que não haja medo: é sempre disso que dependem os grandes momentos. Acendeu-se, trémula embora, uma luz de esperança.

Ferreira Leite abre a boca, e... oooooooooops!

"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite", defendeu. Agora percebemos porque é que é preferível a estratégia do silêncio - evita-se calinadas deste calibre...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

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