O novo Ashram minimalista

sábado, 8 de novembro de 2008

E agora para algo completamente diferente...

BPN 4: Banco de Portugal, presente! constante!

Irrita-me a insistência em torno de Constâncio: haja respeito pelo nome ao menos, reconhecendo-se que ele, em matéria de indolência – ao menos desde os tempos em que foi subindo na carreira académica sem prestar provas, a troco apenas de benesses políticas – é de uma exemplar constância.
Sabiamente ele não faz nada, que é para isso que lhe pagam. Já imaginaram se ele, ao fim de tantos anos agarrado à úbere teta tachista, de repente resolvesse mostrar trabalho? Até me arrepio a pensar nos resultados.

BPN 3: Assalto por assalto...

A coisa que mais me irrita em todo o caso do BPN é que, ao fim destes decénios todos, lá acabou por aparecer um episódio que me fez sentir alguma simpatia pelo Palma Inácio. Não julguei que isso viesse um dia a ser possível, mas cá está: ao menos o Palma Inácio ainda evidenciou a coragem física, coisa que não podemos esperar destes recentes jogadores de sarjeta...

BPN 2: Memórias longas e curtas

Há uns dias admirei-me de ver um ex-governante, o Sr. Félix, a incensar as excelsas qualidades morais de outro, o Sr. Cadilhe. Depois alguém me sugeriu que se tratava de empurrar para dentro do armário um muito importuno esqueleto que teima em sair – que o Sr. Félix estava associado a uns favores provindos do Ministério das Finanças e do MAI, que contribuíram para a (óptima) reputação do BPN logo nos seus primeiros anos de vida. Vasculhei no subconsciente e acabei por achar: de facto o que vai valendo a esta rapaziada é que a memória é em geral muito curta...

BPN 1: E a Angola Connection?

Subitamente parece que todo o mundo se esqueceu de que o BPN era uma representação (uma lavandaria, consta) de negócios angolanos, e de que uma Sociedade Angolana de Negócios chegou a funcionar formalmente no seu seio. Porquê o silêncio? Outra vez o medinho do dinheiro angolano? A necessidade dos negócios?

Leitura para logo (isto está mais para ler do que para escrever)


Uma queixa muito pessoal

Manhãs na aldeia


Mesmo de madrugada...




(clicar para ampliar - muito bom acompanhado de piña colada)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Andei uma hora a passear pela aldeia

E um adeus à Menina da Rádio (lembranças do velho Bar Ibéria).

Directamente para a lista de leituras

1040 páginas - denso, longo, documentado, como eu gosto

Obama: o dia seguinte

Anda demasiada gente sequiosa de sonhos. Hoje é dia de Obama, amanhã regressa-se à realidade.

If I Should Fall Behind

Quase de volta...


terça-feira, 4 de novembro de 2008

A ausência trágica de sentido

A fortuna é patinagem num filme de gelo sobre um abismo: vamos rápido, na esperança de que o gelo quebre apenas depois de nós, e de que nós não cheguemos já a contemplar o precipício. Às vezes, com a máxima crueldade, o gelo quebra-se à nossa frente, invertendo a ordem natural das coisas. Não se percebe a crueldade, dizem-na insondável mas parece, antes, absurdamente errática. Por uma vez, o excesso trágico faz-nos questionar o próprio princípio, a razão profunda das coisas, o ânimo da fortuna e a vulnerabilidade da contingência. Há momentos em que a vida causa medo.

Uma busca agitada de serenidade





Hoje lembrei-me da América de que gosto



domingo, 2 de novembro de 2008

Portugal Meia-Encosta




O BPN é um xuto na veia da muralha de aço


O gonçalvismo que andava latente no espírito de todo o social-democrata converso (porque todos hoje são sociais-democratas) reergue-se rangendo, qual Nosferatu a sair da tumba, ao chamamento das «nacionalizações». Que importa que agora se nacionalize apenas a fruta podre? Interessa é que a clientela caduca ainda estremeça com o frisson das velhas benesses, sonhando com ocupações e saneamentos e «conquistas de Abril».

Falou-se também do Forte de São Francisco


Alfie à portuguesa

Bebemos – beberricámos – um Cartuxa enquanto íamos desfiando as memórias. Comi duas garfadas do jantar, porque o apetite era pouco. Da próxima há-de ser um Pêra-Manca, ou com sorte um Syrah Alzamora. A meio do serão o copo transbordou e ele deixou fluir, contidamente embora, um rosário de amarguras; rematou-as com um sorriso. Lembrei-me dele mais alegre, mas já foi há muitos anos: agora trocámos de lugar, e senti nele uma pontinha de inveja, sem rancor. A casa está repleta de fotografias que eu já teria confiado a uma gaveta, testemunhos que são de tudo o que ele perdeu, cheias de um Sol acusador.
Tem saúde, está rico, tem sucesso profissional, continua irrepreensível nos modos e nos gostos, a casa é espectacular, mesmo assim tão vazia. Faltam-lhe as mulheres deslumbrantes que lhe arruinaram o passado e lhe atormentam as memórias: parece que nada aprendeu com elas, ou apesar delas, ou por causa delas, e na suave amargura entrecortada de golinhos de Cartuxa julgo adivinhar que, se elas aparecessem, voltaria deliciado a cometer os mesmos erros.

Unamuno v. Millán Astray: o rescaldo numa imagem (ainda em LA VANGUARDIA)

Máquina do Tempo: 27 de Setembro de 1968

Nos fabulosos arquivos de LA_VANGUARDIA

Dream of the Return

sábado, 1 de novembro de 2008

Direitos dos animais

Uma «quase-amiga» e fã de Sondheim ponderou as afirmações do Sr. Paulo Rangel sobre os «direitos dos animais», e eu vai daí observei:
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"Os animais têm direitos. Quanto a alguns, isso passou a ter-se por pacífico, ainda que há pouco tempo: os animais humanos. Quanto aos não-humanos, levará o seu tempo – o tempo que demorar a descobrir-se que os «direitos» não são uma sacralização, mas uma simples marca (contingente, reversível, mas significativa) de respeito por outros seres que partilham a sua existência connosco no planeta.
O argumento do Sr. Paulo Rangel não prova absolutamente nada. Se num incêndio salvamos um ser humano e sacrificamos um cão isso nada significa quanto à nossa vontade de reconhecermos direitos ao cão – pela elementar razão de que, num incêndio, também estabelecemos prioridades de salvamento entre os seres humanos, sem que isso signifique que os sacrificados, só porque não puderam ser salvos, não tinham por isso direitos.
Todos os dias nos nossos hospitais, com a máxima discrição, se desliga a máquina ligada a um doente terminal para permitir o salvamento de um outro doente com mais elevado
QALY (Quality-Adjusted Life Years). Quer isso dizer que os doentes terminais não têm direitos? Não: apenas que os seus direitos podem ter que ceder – como quaisquer outros – em caso de colisão de direitos.
Que certos direitos dos não-humanos (mas não todos os seus direitos) devam ceder sistematicamente perante os direitos dos humanos não desmente, antes reforça, a noção de que têm direitos. Insisto, mais sistemática e incondicionalmente fazemos ceder, dia a dia, os direitos de seres humanos com baixo
QALY perante os direitos de seres humanos com elevado QALY, e ninguém no seu perfeito juízo defenderá que se trata de uma violação dos direitos do homem.
É pena que o Sr. Paulo Rangel, na estreiteza dos seus horizontes, tenha precisado de fundamentar a sua proposição, de resto perfeitamente sensata, numa absurda alegação especista de «separação ontológica». Deve julgar que é uma alminha penada, liberta da sua condição animal
."
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