O novo Ashram minimalista
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Puro encanto - A Map of the World
Uma música para partilhar com os amigos, é difícil arranjar mais bonito.
Winter wish list I
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Tom confessional 3: Palmas e risos
Há dias que correm bem. Um Sol triunfante e uma manhã fresca, e eu tranquilamente a caminho de uma sabatina muito simpática e descontraída. Interlocutores muito fortes e convictos, interpelações persistentes, discussão acesa – e no fim, triunfo, palmas espontâneas, risos. Dizem-me que está a decorrer a semana da francesinha e eu, esquecendo as preocupações com a linha, não resisto e vou até lá – mas a pé. Tudo com muita calma, saboreando o azul intenso, o banho de luz e os «contrails» de aviões que não vão para o Brasil. À tarde, um programa de leituras intensivas, mas sem grande drama nem perturbação. Um dia bem passado.Tom confessional 2: Malicia sem censura
Adoro ser malicioso, não resisto a maledicência irónica, acho o ridículo alheio (e de vez em quando o próprio) irresistível. Quando vejo alguém, com sorriso matreiro, começar a cortar na casaca, é-me difícil resistir a ajudar à festa – como diria Nicolau Tolentino, enjeito as baldas próprias rindo das alheias. Mas ninguém me peça para emitir juízos morais a sério, que eu não sou vocacionado para isso, e arrependo-me sempre de fazê-lo. A idade tornou-me tão cínico perante as regras da moralidade como tolerante das fraquezas alheias (e próprias). Sou capaz da mais feroz censura das ideias, acho que todas as rixas e desacatos são legítimos ao nível dos argumentos, e é por causa dessa dialéctica que posso embarcar numa censura do carácter, quando há incongruência com as ideias. Quanto ao resto, tirando casos catastróficos extremos, como o da exploração de situações de dependência, não me interessa a vida alheia e não gosto de construir silogismos nem conjecturar hipóteses com base nos pequenos dramas de existências que não conflituam com a minha. Se é para rir, tudo bem, infantilmente, com impiedade mas com uma redentora inocência. Para o resto não há pachorra.Tom confessional 1: O valor de ser-se discreto
Não há nada mais insolente para uma pessoa infeliz do que a ostentação da felicidade alheia. Aprendi-o por mim mesmo na minha juventude, quando em momentos de desânimo, de incredulidade e de amargura invariavelmente aparecia alguém que muito pouco misericordiosamente se punha a ostentar os motivos das suas alegrias e a elencar os seus triunfos e proezas. Quando ao longo da vida ocorreram momentos em que me senti muito feliz procurei sempre ser discreto no gozo dessa felicidade, procurando não ferir susceptibilidades nem gerar contrastes dolorosos. Eu sei que as coisas mudaram muito e há hoje muito pouco sentido de decoro, mas continuo a chocar-me com as pessoas que parecem ser totalmente insensíveis a esse tipo de cuidado, e que pelo contrário presumem que a uma pessoa ostensivamente feliz todos os excessos serão perdoados.quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Crise no trono castelhano?
Constata-se por aí que a monarquia espanhola está em crise: Nada de novo, ao menos desde Felipe V que a crise é o estado normal da monarquia espanhola – a mesma que trocava os dias pelas noites e arremessava dejectos aos visitantes, com pontos altos em Carlos IV e Fernando VII, internados e a fazer malha às ordens de Bonaparte. Pensando bem, o «playboy» que anda lá agora é um intelectual e um bom pai de família (por comparação, claro) e até me faz esquecer que «atropelou» o pai, renegou o Caudilho e, ingratidão máxima, se arrufou com o intermediário «Duque» de Suárez.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Cesar das Neves e o horror do relativismo – ou, as alvissaras da patetice desenfreada
O Prof. Doutor César das Neves (já vamos ver a importância do título) lembra-se de ensinar ao povão que o tresloucado Presidente do Irão é pessoa respeitável, doutorado em Engenharia dos Transportes (coisa de monta, o título académico iraniano), e – vamos lá ver se esta passa à primeira – é a cabeça de um regime... não resisto a transcrever... "o primeiro regime teocrático xiita da História não é uma ditadura desmiolada. É uma democracia que há quase três décadas manobra com argúcia na cena mundial".
O Prof. Doutor César das Neves ensandeceu, e só mesmo quem não faz ideia do que se passou nos últimos trinta anos no Irão, ou dispõe de um QI muito limitado, é capaz de engolir a patranha (os apelos à destruição de Israel são música para os ouvidos do Prof. Doutor César das Neves, percebe-se).
Quem só conheça o Prof. Doutor César das Neves é capaz de julgar que se trata de um lapso – mas vamos ver que não é nada disso, e que tudo bate certo.
O título do artigo é por si só um primor de desonestidade intelectual: "ENTRE OS HORRORES DO FANATISMO E DO RELATIVISMO", chama-se o escrito, e na mente do preclaro economista da Católica, encerrado na torre ebúrnea, a tirania teocrática e uma malcriação do Presidente da Universidade de Columbia equivalem-se moralmente. Mais, o adiantamento mental é de tal calibre que o Prof. Doutor César das Neves qualifica de «horror» o relativismo – o mesmo que permite a sociedade tolerante e liberal na qual há espaço para o ensino pseudo-confessional e concordatário em que o preclaro economista medra. Como, seguro da irreversibilidade das «conquistas» do relativismo que abomina, pode dar-se ao luxo de abusar delas e de declarar o seu tédio civilizacional, acha que é "insulto soez e gratuito" chamar-se aos bois pelos nomes e formular críticas à tirania.
Pelos vistos, o ilustre Prof. Doutor César das Neves não se apercebe de que, com as suas confusões semi-deliberadas, alinha com os mesmíssimos que ameaçaram o Papa por ele ter tentado dizer algo que, na imprudência de não ter sido previamente consultado o ilustre Prof. Doutor César das Neves, era também um "insulto soez e gratuito" ao Islão.
César das Neves (Prof. Doutor) hesita: estando o Papa em jogo, compreende-se, e do mesmíssimo ambiente que alimenta a "democracia de há três décadas" refere a "intolerância totalitária de uma fé imposta pela força" (como? pela força? numa democracia? Ó César, em que é que ficamos?).
O artigo depois dilui-se em rapapés e salamaleques muito rasteiros dirigidos ao Papa, que muito se riria dessas venerações incongruentes se tivesse tempo a perder com essas subserviências aduladoras (de que deve estar farto, inteligente como é).
Retenho que, para o Prof. Doutor César das Neves, a Universidade de Columbia e o caravanserai em que pontificava o Prof. Doutor Ahmadinejad são equivalente académicos – o que muito contribui para dar lustro aos títulos que o Prof. Doutor César das Neves, orgulhosamente, ostenta. Não lhe ocorre que essa equivalência indiscriminadora seja a demonstração mais rematada e retoricamente eficaz de relativismo; e também nem lhe ocorre reler o texto de Bento XVI cuja genialidade o extasia: é que lá o que se critica não é o relativismo, é o positivismo – uma coisa que... vamos lá a ver (esta é da filosofia do liceu)... está nos antípodas do relativismo... e que Bento XVI critica porque (segura-te ó César!)... porque entrava o muito relativista «diálogo de culturas»! (estará o próprio Papa «contaminado» de relativismo? O tempora, o mores!)
No fervor da sua retórica inebriante, o Prof. Doutor César das Neves remata insinuando que «nas revistas ocidentais» (evidentemente não especifica quais, porque não existem) o Papa foi "criticado brutalmente". Caímos no delírio: primeiro porque desconhecíamos que as «revistas ocidentais» fossem veículos de acrisolado relativismo (as porcas...); segundo porque está por nascer o genuíno relativista que vai perder tempo a "criticar brutalmente" seja o que for, e muito menos um Papa que tem empunhado – e bem, posso dizê-lo eu, que não quero agradar a qualquer hierarquia, nem preciso – a bandeira da tolerância.
O Prof. Doutor César das Neves ensandeceu, e só mesmo quem não faz ideia do que se passou nos últimos trinta anos no Irão, ou dispõe de um QI muito limitado, é capaz de engolir a patranha (os apelos à destruição de Israel são música para os ouvidos do Prof. Doutor César das Neves, percebe-se).
Quem só conheça o Prof. Doutor César das Neves é capaz de julgar que se trata de um lapso – mas vamos ver que não é nada disso, e que tudo bate certo.
O título do artigo é por si só um primor de desonestidade intelectual: "ENTRE OS HORRORES DO FANATISMO E DO RELATIVISMO", chama-se o escrito, e na mente do preclaro economista da Católica, encerrado na torre ebúrnea, a tirania teocrática e uma malcriação do Presidente da Universidade de Columbia equivalem-se moralmente. Mais, o adiantamento mental é de tal calibre que o Prof. Doutor César das Neves qualifica de «horror» o relativismo – o mesmo que permite a sociedade tolerante e liberal na qual há espaço para o ensino pseudo-confessional e concordatário em que o preclaro economista medra. Como, seguro da irreversibilidade das «conquistas» do relativismo que abomina, pode dar-se ao luxo de abusar delas e de declarar o seu tédio civilizacional, acha que é "insulto soez e gratuito" chamar-se aos bois pelos nomes e formular críticas à tirania.
Pelos vistos, o ilustre Prof. Doutor César das Neves não se apercebe de que, com as suas confusões semi-deliberadas, alinha com os mesmíssimos que ameaçaram o Papa por ele ter tentado dizer algo que, na imprudência de não ter sido previamente consultado o ilustre Prof. Doutor César das Neves, era também um "insulto soez e gratuito" ao Islão.
César das Neves (Prof. Doutor) hesita: estando o Papa em jogo, compreende-se, e do mesmíssimo ambiente que alimenta a "democracia de há três décadas" refere a "intolerância totalitária de uma fé imposta pela força" (como? pela força? numa democracia? Ó César, em que é que ficamos?).
O artigo depois dilui-se em rapapés e salamaleques muito rasteiros dirigidos ao Papa, que muito se riria dessas venerações incongruentes se tivesse tempo a perder com essas subserviências aduladoras (de que deve estar farto, inteligente como é).
Retenho que, para o Prof. Doutor César das Neves, a Universidade de Columbia e o caravanserai em que pontificava o Prof. Doutor Ahmadinejad são equivalente académicos – o que muito contribui para dar lustro aos títulos que o Prof. Doutor César das Neves, orgulhosamente, ostenta. Não lhe ocorre que essa equivalência indiscriminadora seja a demonstração mais rematada e retoricamente eficaz de relativismo; e também nem lhe ocorre reler o texto de Bento XVI cuja genialidade o extasia: é que lá o que se critica não é o relativismo, é o positivismo – uma coisa que... vamos lá a ver (esta é da filosofia do liceu)... está nos antípodas do relativismo... e que Bento XVI critica porque (segura-te ó César!)... porque entrava o muito relativista «diálogo de culturas»! (estará o próprio Papa «contaminado» de relativismo? O tempora, o mores!)
No fervor da sua retórica inebriante, o Prof. Doutor César das Neves remata insinuando que «nas revistas ocidentais» (evidentemente não especifica quais, porque não existem) o Papa foi "criticado brutalmente". Caímos no delírio: primeiro porque desconhecíamos que as «revistas ocidentais» fossem veículos de acrisolado relativismo (as porcas...); segundo porque está por nascer o genuíno relativista que vai perder tempo a "criticar brutalmente" seja o que for, e muito menos um Papa que tem empunhado – e bem, posso dizê-lo eu, que não quero agradar a qualquer hierarquia, nem preciso – a bandeira da tolerância.
domingo, 7 de outubro de 2007
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