S'envole une chanson
Hum Hum
Elle est née d'aujourd'hui
Dans le cœur d'un garçon
Sous le ciel de Paris
Marchent des amoureux
Hum Hum
Leur bonheur se construit
Sur un air fait pour eux
O novo Ashram minimalista
Conheci-os bem quando eram inseparáveis, e continuam a ser farinha do mesmo saco, que ninguém se iluda: o contencioso respeitava exclusivamente ao poleiro. Dá gozo ver cair o rei do clientelismo e da troca de favores, mas o homem de Gaia não é muito melhor: é somente mais competente, menos empertigado e muitíssimo mais pontual; e já agora, passou a servir outra clientela, o que tem a vantagem de permitir umas varredelas a uns mamões e mamonas que já se tinham tornado, há muitos anos, perfeitamente insuportáveis.
Quando eu era muito jovem vivia na ilusão da minha própria eternidade. Hoje cada check-up é um sobressalto, e mesmo que não me queixe de nada entro no processo com os mais negros pressentimentos hipocondríacos, e fico numa amarga letargia à espera dos resultados. Quando eles chegam avanço sorridente para a etapa seguinte, como se tivesse obtido uma moratória, e só dias depois consigo sair desse alívio mórbido e reentrar numa rotina mais criativa – que, para mim, é essencialmente voltar a viver para fora de mim, na órbita daqueles que amo. Agora compreendo os olhares e os cansaços que me exasperavam nos mais velhos quando eu era novo; começo a sentir essas intermitências sobressaltadas em que pomos em dúvida a fidelidade do nosso próprio corpo; começo a perceber quanta alienação é necessária para continuarmos a cultivar a alegria quando acabam os verdes anos.
Acabei por não ter o prazer de O conhecer pessoalmente, mas a troca de impressões aqui na blogosfera foi bastante para me tornar um fiel leitor e um apreciador das suas qualidades intelectuais. Parte agora para longe, fisicamente, mas decerto não tardarão as notícias, agora possivelmente mais frequentes até, animadas e coloridas pela nostalgia da pátria.
Eu que sou um insuspeito liberal, um libertário talvez, de vez em quando gostava de ver regressar a polícia política, ao menos por uns dias, a pregar um cagaço a uns impotentezecos mandantes que, na impunidade das «amplas liberdades», incitam uns homúnculos descerebrados à prática de crimes repugnantes. Agora foram uns «cabeças ocas» que andaram a tentar profanar túmulos no cemitério judaico: todos sabemos quem são os mandantes, os instigadores, os cabecilhas, alguns pavoneiam-se alegremente em púlpitos de ódio, escarnecendo da própria liberdade que lhes dá voz e os deixa medrar.
O Sr. Cosimo Mele, deputado Democrata-Cristão, foi apanhado num escândalo envolvendo uma noitada com duas prostitutas (uma delas abusou de drogas, foi preciso chamar as urgências). Em sua defesa, o deputado alegou que nada daquilo tinha a ver com o seu respeito pelos valores da família, e que não aceitava ser qualificado como mau pai e mau marido apenas porque, após cinco ou seis dias fora de casa, surgira uma oportunidade de sexo. Auguramos-lhe um futuro glorioso na política italiana. LER
Depois de alguém ter colocado a Bélgica em leilão no eBay e depois de ter havido uma licitação de 17 milhoes de dólares (nada mau), a própria eBay encerrou o leilão: "A spokesman for the online auctioneer says it cannot host the sale of anything virtual or unrealistic."
Sempre que a data se aproxima lembro-me do autor do cartaz da Maioria Silenciosa, o impagável Quito Hipólito (Francisco Hipólito Raposo). Um galã, um sibarita charmeur, mas um homem extremamente culto, alegre, um esteta, um príncipe com os seus amigos, dono de uma ironia fulgurante, temperada apenas por uma permanente bonomia. Em tempo evoquei-o aqui sem o nomear. Partiu cedo de mais.
A Miss_Pearls indigna-se com o berreiro ao telemóvel. Compreenda, Miss, o instinto irreprimível e libertário que o povo português tem para a transgressão. Proibiram as escutas telefónicas? Isso é que era bom! Imediatamente se contorna a lei e passa a haver escutas universais! Grande povo português (mais inteligente do que o britânico, que teve que pagar a extravagância supra a Wallis Simpson...).
Em matéria de gastar o que eu pago de impostos, uma das coisas que mais me indigna é o apoio dado aos toxicodependentes. Hoje falou-se de fornecer seringas aos presos, como profilaxia contra doenças transmissíveis.
Apareceu na Baviera uma proposta legislativa de introduzir o casamento a prazo: um prazo de sete anos, renovável automaticamente na ausência de denúncia por alguma das partes. Parece uma ideia disparatada mas talvez não o seja tanto: não havendo descendentes, o prazo era capaz de constituir um ponto focal para uma meditação séria sobre o compromisso matrimonial, que muitas vezes morre de pura inércia pela ilusão de indissolubilidade, e depois de morto é que dá origem à terrível agonia do divórcio. Sabendo que haveria essa hipótese de «repúdio sabático», e por isso uma menor possibilidade de «holdup» matrimonial (a venda do direito ao divórcio mediante contrapartidas desproporcionadas, explorando a impaciência da contraparte), talvez alguns casais tomassem mais a sério os seus votos matrimoniais – razão pela qual talvez não fosse disparatado abrir-se essa opção para o casamento civil (uma opção que caducaria com o nascimento do primeiro descendente). Para os que achassem, e achem, inaceitável a ideia, haveria sempre a opção pelo regime actual – ou mesmo, quem sabe, a opção por um regime de mais forte indissolubilidade, mais fortemente «sinalizador» da «seriedade» na aceitação da incondicionalidade do compromisso (na minha geração, os mais ardorosos defensores da incondicionalidade do compromisso e da indissolubilidade do vínculo foram os primeiros a divorciar-se; às vezes parece-me que quase só resto eu).