O novo Ashram minimalista

domingo, 30 de setembro de 2007

sábado, 29 de setembro de 2007

Guerra de matrecos

Conheci-os bem quando eram inseparáveis, e continuam a ser farinha do mesmo saco, que ninguém se iluda: o contencioso respeitava exclusivamente ao poleiro. Dá gozo ver cair o rei do clientelismo e da troca de favores, mas o homem de Gaia não é muito melhor: é somente mais competente, menos empertigado e muitíssimo mais pontual; e já agora, passou a servir outra clientela, o que tem a vantagem de permitir umas varredelas a uns mamões e mamonas que já se tinham tornado, há muitos anos, perfeitamente insuportáveis.


Saindo de um pesadlo

Quando eu era muito jovem vivia na ilusão da minha própria eternidade. Hoje cada check-up é um sobressalto, e mesmo que não me queixe de nada entro no processo com os mais negros pressentimentos hipocondríacos, e fico numa amarga letargia à espera dos resultados. Quando eles chegam avanço sorridente para a etapa seguinte, como se tivesse obtido uma moratória, e só dias depois consigo sair desse alívio mórbido e reentrar numa rotina mais criativa – que, para mim, é essencialmente voltar a viver para fora de mim, na órbita daqueles que amo. Agora compreendo os olhares e os cansaços que me exasperavam nos mais velhos quando eu era novo; começo a sentir essas intermitências sobressaltadas em que pomos em dúvida a fidelidade do nosso próprio corpo; começo a perceber quanta alienação é necessária para continuarmos a cultivar a alegria quando acabam os verdes anos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

So Long, Miss Pearls (que debandada!)

Burma Shave

Por associação de ideias, vendo as notícias (tristes) da Birmânia lembrei-me de uma música que nada tem a ver com isso – senão o título – e que reflecte bem o génio poético de Tom Waits.

Combustoes s'en va-t-en guerre

Acabei por não ter o prazer de O conhecer pessoalmente, mas a troca de impressões aqui na blogosfera foi bastante para me tornar um fiel leitor e um apreciador das suas qualidades intelectuais. Parte agora para longe, fisicamente, mas decerto não tardarão as notícias, agora possivelmente mais frequentes até, animadas e coloridas pela nostalgia da pátria.
Estou a visualizar já algumas crónicas ao estilo de William de Rubruck, Galeote Pereira, Gaspar da Cruz, Mendes Pinto, Matteo Ricci ou Domingo Navarrete – um continente obscuro desvendando os seus segredos à força de um poderoso «pé-de-cabra» narrativo e descritivo.
Bon voyage, bonne chance – e até breve!

Swimming High


Piscina no 44º andar do John Hancock Center, Chicago IL

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Santana Lopes

Já não é a primeira vez que saio em defesa de Santana Lopes. Ele terá os seus defeitos, alguns conhecidos, alguns invulgares. Mas não menos invulgares são algumas qualidades, umas públicas, outras que lhe conheço de um momento difícil em que nos cruzámos. Acaba de evidenciar mais uma vez uma dessas qualidades, que é a de, no meio de um quase irreprimível fascínio pelos holofotes, guardar uma pontinha de dignidade naquelas encruzilhadas em que todos os demais soçobram na bajulação.
O resto, disse-o o Confrade Combustões melhor do que eu o diria.

Se eu fosse do PSD...

Novas do anti-semitismo

Eu que sou um insuspeito liberal, um libertário talvez, de vez em quando gostava de ver regressar a polícia política, ao menos por uns dias, a pregar um cagaço a uns impotentezecos mandantes que, na impunidade das «amplas liberdades», incitam uns homúnculos descerebrados à prática de crimes repugnantes. Agora foram uns «cabeças ocas» que andaram a tentar profanar túmulos no cemitério judaico: todos sabemos quem são os mandantes, os instigadores, os cabecilhas, alguns pavoneiam-se alegremente em púlpitos de ódio, escarnecendo da própria liberdade que lhes dá voz e os deixa medrar.
Talvez uma mais perfeita justiça divina pudesse traduzir-se na profanação dos túmulos dos antepassados desses mandantes, mas sabemos que a Providência anda por vezes distraída. Por mim, bastaria que malhassem num calabouço por serem eles os autores morais do crime (o que não seria se eles imaginassem que teriam que pagar pelas suas ideias!). De pouco releva encarcerarem os pobres energúmenos crédulos que executaram o plano alheio (dizem-me que eram dois) que, esses, são decerto inimputáveis, e talvez se curem com umas simples doses de electrochoques (ou lá o que for que hoje se ministra para temperar essas taras necrófilas).

Deputado reputado

O Sr. Cosimo Mele, deputado Democrata-Cristão, foi apanhado num escândalo envolvendo uma noitada com duas prostitutas (uma delas abusou de drogas, foi preciso chamar as urgências). Em sua defesa, o deputado alegou que nada daquilo tinha a ver com o seu respeito pelos valores da família, e que não aceitava ser qualificado como mau pai e mau marido apenas porque, após cinco ou seis dias fora de casa, surgira uma oportunidade de sexo. Auguramos-lhe um futuro glorioso na política italiana. LER

Do reino do obvio: titulos tautologicos

"Stuck in Traffic? You're Not Alone" (LER)

Belgica virtual

Depois de alguém ter colocado a Bélgica em leilão no eBay e depois de ter havido uma licitação de 17 milhoes de dólares (nada mau), a própria eBay encerrou o leilão: "A spokesman for the online auctioneer says it cannot host the sale of anything virtual or unrealistic."
Virtual e irrealista – ora cá está uma boa caracterização da Bélgica! LER

Cuidado com a concorrencia!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

28 de Setembro e Quito Hipolito

Sempre que a data se aproxima lembro-me do autor do cartaz da Maioria Silenciosa, o impagável Quito Hipólito (Francisco Hipólito Raposo). Um galã, um sibarita charmeur, mas um homem extremamente culto, alegre, um esteta, um príncipe com os seus amigos, dono de uma ironia fulgurante, temperada apenas por uma permanente bonomia. Em tempo evoquei-o aqui sem o nomear. Partiu cedo de mais.

Para futuros progenitores

A falta que me fez esta cadeirinha...

Escutas telefónicas

A Miss_Pearls indigna-se com o berreiro ao telemóvel. Compreenda, Miss, o instinto irreprimível e libertário que o povo português tem para a transgressão. Proibiram as escutas telefónicas? Isso é que era bom! Imediatamente se contorna a lei e passa a haver escutas universais! Grande povo português (mais inteligente do que o britânico, que teve que pagar a extravagância supra a Wallis Simpson...).

terça-feira, 25 de setembro de 2007

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Menos liberdade: nas seringas prisionais

Em matéria de gastar o que eu pago de impostos, uma das coisas que mais me indigna é o apoio dado aos toxicodependentes. Hoje falou-se de fornecer seringas aos presos, como profilaxia contra doenças transmissíveis.
Mas eu, na minha modesta opinião muito anti-garantística e politicamente incorrecta, acho que bastaria alterar a lei para se resolver o problema da droga nas prisões: bastava que nenhum preso pudesse ver a sua pena ser encurtada, comutada, indultada, nem beneficiar de saídas precárias ou outras formas de redução ou atenuação, sem se sujeitar a testes regulares, e a testes-surpresa, que determinassem a sua «limpeza de drogas». Uma detecção e cumpria a pena toda, sem apelo nem agravo. Aposto que lhes passava a todos a toxico«dependência»... Era limpinho!

Saudades dos meus tempos de coralista: Handel, And He Shall Purify

Mais liberdade: nos regimes matrimoniais?

Apareceu na Baviera uma proposta legislativa de introduzir o casamento a prazo: um prazo de sete anos, renovável automaticamente na ausência de denúncia por alguma das partes. Parece uma ideia disparatada mas talvez não o seja tanto: não havendo descendentes, o prazo era capaz de constituir um ponto focal para uma meditação séria sobre o compromisso matrimonial, que muitas vezes morre de pura inércia pela ilusão de indissolubilidade, e depois de morto é que dá origem à terrível agonia do divórcio. Sabendo que haveria essa hipótese de «repúdio sabático», e por isso uma menor possibilidade de «holdup» matrimonial (a venda do direito ao divórcio mediante contrapartidas desproporcionadas, explorando a impaciência da contraparte), talvez alguns casais tomassem mais a sério os seus votos matrimoniais – razão pela qual talvez não fosse disparatado abrir-se essa opção para o casamento civil (uma opção que caducaria com o nascimento do primeiro descendente). Para os que achassem, e achem, inaceitável a ideia, haveria sempre a opção pelo regime actual – ou mesmo, quem sabe, a opção por um regime de mais forte indissolubilidade, mais fortemente «sinalizador» da «seriedade» na aceitação da incondicionalidade do compromisso (na minha geração, os mais ardorosos defensores da incondicionalidade do compromisso e da indissolubilidade do vínculo foram os primeiros a divorciar-se; às vezes parece-me que quase só resto eu).

Do lado errado da minha aldeia


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