O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Eu aqui abandonava o Jansenismo e formava a Jazz Band

O Exactor de Hamelin

Em honesta retribuição por tanta devassa inquisitória, algumas das vítimas da exacção resolveram infestar os hectares de Vaux le Vicomte (versão alfacinha) com uma multidão de roliços e saltitantes murganhos. O fermier général, seguindo os passos inspirados de Der Rattenfänger von Hameln, resolveu dar luta retributiva, mas, em vez de se contratar o Pied Piper, avançou-se com métodos químicos. Muita animação no palácio! As vítimas humanas do EXACTOR, acumulando-se nos portões dourados e entoando o Ça Ira, ainda «torceram» pelos ratos, mas em vão.
Teremos que esperar pelo próximo Verão e apostar nas virtudes prolíficas dos murinos...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Os meus instantes com o Kundun

Perto das 18 horas, ia eu a atravessar a rua diante da Basílica da Estela, surgem com grande alarido uns batedores da GNR, e depois uma comitiva veloz de uma dúzia de carros. No centro um deles levava uma bandeirinha que não identifiquei. Resmunguei com o aparato e com o facto de terem atrasado por meio minuto o meu percurso. Chego a casa e, pelas notícias, percebo que era o Dalai Lama.
Não nutro, confesso, grande simpatia pelas religiões orientais – talvez para preservar o pouco que me resta de simpatia pela minha própria religião. Mas sinto grande respeito pelo Dalai Lama, um homem notável da História do Século XX transformado, malgré lui, num símbolo da luta contra o imperialismo chinês, e o depositário vivo de uma tradição de atitudes de contemplação, irenismo e autenticidade.
Vi-o à noite a verberar suavemente, com um sorriso, a cobardia do Governo português e a cobardia do ocupante do Palácio de Belém: isto bastaria, mas lembrei-me do seu retrato no Kundun de Martin Scorsese, e senti por isso que aqueles poucos segundos deram um significado invulgar ao meu dia; estive a poucos metros de um dos poucos símbolos vivos do planeta que não se notabilizaram na prática do mal.

Momentos magicos - uma mulher bonita numa cidade bonita

When Love Breaks Down

Casas Paralelas: empate tecnico?





Casas Paralelas: Italia / Chile




terça-feira, 11 de setembro de 2007

Waltz for Ruth

Trocas de favores, ou amigos, amigos...

"O Fundo de Pensões dos trabalhadores do Banco Comercial Português (BCP) adquiriu ao investidor e accionista do banco, Joe Berardo, mais de um por cento do capital que este tinha na Portugal Telecom (PT).
Esta operação, que terá representado um investimento superior a 150 milhões de euros, ajudou o investidor a capitalizar-se, tendo Berardo, posteriormente, reforçado a sua posição no BCP, no quadro da luta de poder que estava a decorrer. A operação foi efectuada após a assembleia geral de 28 de Maio, quando Castro Henriques, apoiante de Paulo Teixeira Pinto, tinha a tutela do fundo, e foi um dos motivos que ajudaram à ruptura entre os gestores executivos do banco. A redução da presença de Joe Berardo na PT iniciou-se em Junho, quando o investidor alienou mais de cinco milhões de acções, deixando de ter uma posição qualificada na operadora. A partir desta altura, Berardo terá continuado a vender PT e de uma só vez alienou em bolsa mais um porcento da PT ao Fundo de pensões do BCP. A operação foi autorizada pelo administrador do BCP António Castro Henriques, responsável pela gestão do Fundo de Pensões e que surgiu sempre posicionado ao lado do ex-presidente Paulo Teixeira Pinto. Nesta altura, Berardo era já um grande investidor do banco e antes já se tinha evidenciado a defender o ex-CEO, contra Jorge Jardim Gonçalves, no contexto da disputa de poder que envolveu a instituição, e que dividiu os principais órgãos societários e a equipa de gestão. Na primeira assembleia geral de 28 de Maio, Berardo revelou-se mesmo uma peça-chave para derrotar as propostas de Jardim Gonçalves, nomeadamente o aumento do patamar da blindagem dos estatutos para 17,5 por cento. Em Julho, pouco depois da venda das acções da PT, o investidor acabaria por divulgar ter reforçado os seus interesses no BCP para quase seis por cento do capital, participação que hoje é de quase sete por cento.A aquisição de mais de um por cento da PT por parte do Fundo de Pensões do BCP não foi do agrado do grupo de administradores alinhados com Jardim e foi uma das matérias que ajudaram à divisão entre gestores. O grupo apoiante do fundador do BCP considerou que Castro Henriques estava a tomar decisões de acordo com interesses de uma das facções e não seguia os objectivos do Fundo de Pensões. Castro Henriques alegou que a operação estava dentro das suas competências, que a empresa era credível e o título oferecia liquidez
". Público (11/9/2007)

Raudeney e Wanderleia

O problema dos nomes dos bébés:
"A Culture of Naming That Even a Law May Not Tame. Goodbye, Tutankamen del Sol. So long, Hengelberth, Maolenin, Kerbert Krishnamerk, Githanjaly, Yornaichel, Nixon and Yurbiladyberth. The prolifically inventive world of Venezuelan baby names may be coming to an end. If electoral officials here get their way, a bill introduced last week would prohibit Venezuelan parents from bestowing those names — and many, many others — on their children. The measure would not be retroactive. But it would limit parents of newborns to a list of 100 names established by the government, with exemptions for Indians and foreigners, and it is already facing skepticism in the halls of the National Assembly.
[…]
Some of Mr. Milano’s colleagues in the National Assembly, which is controlled by supporters of President Hugo Chávez, include Iroshima Jennifer Bravo Quevedo, Earle José Herrera Silva and Grace Nagarith Lucena Rosendy. Legislators need to approve the bill before it becomes law. Whimsical names can also be found in other Latin American countries. Honduras has first names like Ronald Reagan, Transfiguración and Compañía Holandesa (Dutch Company), according to the newspaper El Heraldo. In Panama, local news media this year reported name-change efforts by an Esthewoldo, a Kairovan and a Max Donald. But Venezuela’s naming tradition rivals or exceeds that of its neighbors, many people here say. Some first names in Venezuela include Haynhect, Olmelibey, Yan Karll and Udemixon, according to a list compiled by the novelist Roberto Echeto. Other names here easily roll off the tongue in English, like Kennedy or John Wayne, or in Russian, like Pavel or Ilich, reflecting influences from the cold war era."
LER_MAIS
+++
Ver também:
Na Austrália: AQUI
Na Irlanda: AQUI
O mainsteam nos States: AQUI
E um site dedicado: NOMES

Casas paralelas: Capri / Los Vilos




E ainda: LER

O Circo Triste

Ontem, enquanto arrumava uma papelada, fui deitando um canto de olho ao debate na RTP sobre o caso McCann. Mau de mais, seria difícil mais infeliz exercício de burrice, de charlatanismo e de paranóia. Um catedrático espanhol (a variante mais moderna dos vendedores de laranjas andaluzas) assegurava que a mãe é culpada... porque não sorri. O inenarrável Moita Flores (para mim um portento, visto que é a única pessoa capaz de me fazer sentir saudades de Mário Zambujal) rosnava contra a pérfida Albion, e desenterrava a múmia da «cabala». Um rústico de caspa nas pestanas asseverava que a sua abordagem era científica e que, por isso... (segurem-se)... não emitia opiniões.
Como acontece sempre que três ou quatro jericos se encontram e entram num despique de zurros, a coisa acabou com tiradas de auto-congratulação, dizendo todos que finalmente se tinha feito luz, que o debate tinha sido muito pedagógico.
Estranhamente faltou lá um representante dos comerciantes algarvios que ficam prejudicados com a saída do casal suspeito: imagina-se o número de roulotes que já se tinham instalado, os quilos de torresmo e de sandes de coirato, os litros de «mines» que vão deixar de se vender aos basbaques que iam lá em demanda do sobredito casal. Moita Flores podia ter dito uma palavrinha em favor desses comerciantes e contra os poderosos capitalistas britânicos que conseguiram agora «capturar» esse negócio lucrativo; mas (cá vem a cabala) dizem-me que ele próprio está a soldo dos comerciantes de cachorros, bifanas e miaus do distrito de Santarém, e está inibido de dar qualquer apoio à concorrência.

La Peau Douce: Truffaut no Elevador da Bica

Casas paralelas: Boza / Malaparte




segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O que nos espera com a Nova Zelandia

A magia do jogo à mão: repare-se em especial no «bailarico» à Argentina, chega-se a ter pena...

Duas casas paralelas (a explorar)




Los Vilos, Coquimbo, Chile:
31º58'54.84'' S
71º30'09.64'' W
Isola di Capri, Campania, Itália:
40º32'48.15'' N
14º15'33.45'' E

Jean-Luc Godard et Les Pierres Roulantes 2

Os meus tempos de rugby

Bateu a saudade dos meus tempos de pilar, numa muito fugaz mas bem sucedida equipe universitária. Era duro que se fartava, eu sentia-me entre o esmagado e o pendurado dos braços dos segundas linhas nas formações ordenadas, não tinha qualquer «visão de jogo» e só sabia correr atrás da bola à espera de oportunidade (o capitão Eiró não se calava com os seus incentivos aos avançados, e eu, na minha inaptidão, sentia-me constantemente interpelado). Confesso que só me meti na alhada por pura camaradagem, soava-me a boa oportunidade de copos, de vadiagem e de algum «glamour» junto das piquenas.
Agora um Mundial, ena a distância que se percorreu desde os tempos do campo pelado do Cascais e dos queques do CDUL! É gente boa e dedicada, merecem representar o país e até me palpita que vão perder com os All Blacks por menos de 100 de diferença. De vez em quando há assim umas emoçõezinhas positivas a animar o nosso apagado patriotismo (Portugal, allez!), e a mim a lembrar-me de meninices bem rufias.

Jean-Luc Godard et Les Pierres Roulantes 1

sábado, 8 de setembro de 2007

Tudo por uns miseros oito milhoes de euros




E não há o risco de a sogra aparecer de surpresa (só se vier de helicóptero).

Ilha da Josefa, Angra dos Reis




Uma ironia post-mortem - Rorty


Reflexões póstumas de Richard Rorty: mais uma revanche sobre a Filosofia (AQUI)


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Soiree musical - Metheny & Aznar, Dream of the Return

Uma versão fantástica para saborear repetidamente (está no meu «top three»).

Soiree musical - So danco o Samba

Esta é para acompanhar a Cronica de Agosto 19, uma das mais sentidas de sempre.

Soiree musical - Saudade de ferias: Bonfa, Gilberto & Jobim

Soiree musical - Springsteen, If I should fall behind

The Boss num hino à camaradagem... sublime!

Soiree musical - Carla Bruni e a ordinarice elegante: Brassens, Fernande

Ainda num registo muito «racy», «risqué»...

Soiree musical - Sister Rosetta Tharpe - Up Above My Head (I hear music in the air)

Farto de escrita e de conversa, o Jansenista entrega-se a um perfeito hedonismo, arrancando com um Gospel de mais «racy» precursora de Keith Richards.

Ainda a Guerra dos Livros (a/c O Reprobo)

Tem razão no que diz, todos os livros lidos mudam um pouco a vida, ao menos naquela acepção muito restrita de que ocuparam o bem escasso que é a atenção, de que roubaram o tempo – e de que depois deles somos aquelas pessoas cuja atenção foi ocupada naquele momento por aquele livro, aqueles a quem o tempo gasto naquele livro nunca mais será devolvido.
Numa acepção que adivinho mais próxima daquilo que o Confrade quis dizer, há sempre um incremento, por infinitesimal que seja, causado pela adição do que é lido: ler permite-nos a imersão em vidas e inteligências que não são a nossa, mesmo quando ambas são ficcionadas, permite-nos aditar aquilo que a experiência directa não nos dá, seja em quantidade, seja em ornamento, seja em valores.
Puxando a brasa mais à minha sardinha, há ainda algo de enriquecimento espiritual para-religioso na absorção do conteúdo de qualquer livro, e em especial dos livros do «cânone literário contamporâneo». Estamos em civilizações que, posto que secularizadas, assentam em religiões «do livro»; se não encontramos já os nossos modelos de vida em mártires e santos, assustados que estamos com as formas extremas que apresentavam os seus arquétipos de edificação, em contrapartida vamos buscar a tipos literários, ou retirados da literatura para outras formas de comunicação, esses modelos: modelos mais próximos, mais falíveis, menos exigentes e implacáveis, mais plausíveis e complacentes para connosco. Neste outro sentido, toda a leitura é uma edificação, toda ela nos (trans)forma.
Dou tudo isso de barato, mas presumi que «modificar a vida» significava algo de mais arrebatador, de bouleversant – algo como uma revolução na forma de o leitor se perceber a si próprio e avaliar as coisas em seu redor.
Já escrevi vários livros, mas nunca uma obra literária; sempre que sinto a tentação de fazê-lo assalta-me a convicção de que tudo não passaria de um plágio daquela obra que me arrebatou, de que nunca poderia fazer mais do que multiplicar-me em mais ou menos subtis, mais ou menos conscientes, paráfrases dela. Tantas vezes me disseram, na juventude, que tinha talento literário, que me convenci de que um dia essa obra literária da minha autoria haveria de aparecer, quase como uma inevitabilidade. Depois de ler Proust percebi que não, que essa minha obra literária ficaria definitivamente por escrever, e com toda a justiça, e que eu seria muito mais feliz superando, através de palavras alheias – fazendo-as falar por mim –, essa ingénua pretensão juvenil. Isso, julgo, é «modificar a vida» no sentido mais poderoso que pode associar-se ao efeito de uma leitura.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Pavarotti e Giorgia, a mais sensual das cantoras italianas

Aqui no Ashram somos fanáticos pela Giorgia, desde que há anos a vimos na TV com o grande mestre, nesta inesquecível Santa Lucia Luntana...

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