Para o Réprobo: um calypso estival, com umas pequenas bem ao seu gosto. Aqui o Ashram ainda está aberto mais uns dias, e depois retira-se por um mês.
O novo Ashram minimalista
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Oportunidades para melhorar 1
Ontem, antes do jantar eufórico, um almoço recatado com um pastor evangélico, a contar-me as grandezas e misérias do múnus espiritual dos confins de Angola. Falei-lhe da conferência de hoje, e ele retorquiu-me que dor e miséria é o seu quotidiano, e que isso nunca o fez perder a fé, e que é a fé que anima os cristãos naquela última e decisiva fronteira. Um homem simples, pobre, e nobre; no sorriso rasgado vê-se a sabedoria, nos gestos a ternura e o ardor do sacerdócio, no silêncio uma resignação intimamente reconciliada.Bombardeei-o de questões, de curiosidade genuína, e ele, admirado pela relevância do seu pequeno mundo para alguém tão distante, respondeu minuciosamente. Pontos altos: os rituais funerários no Sul de Angola, a sua visão africana de Cristo.
No fim, agradeceu-me muito humilde e calorosamente o almoço que eu lhe tinha oferecido. Bom homem, nem percebeu que no que verdadeiramente interessa era ele que mo tinha oferecido.
Na Virgula
Jantar de encerramento de actividades do Politburo do Comité Central, apenas os duros dos duros, 9 homens e uma senhora. Na Vírgula, ali ao Cais do Sodré, vista lindíssima mas muitos maneirismos de nouvelle cuisine, coisa vagamente irritante. O animador-mor resolve dar espectáculo, e nas mesas ao lado fica tudo parado, boquiaberto, a ver e a ouvir (só estão habituados a vê-lo nas homilias da TV). Estava imparável, rebelde e satânico, demolidor como nunca, foi tudo raso, entre gargalhadas. Mesmo os mais velhos não resistiam e deitavam achas para a fogueira. Provámos quatro tintos de quatro países diferentes, e venceu, a grande distância, um argentino, de Mendoza. Agora férias, vamos a isso, ali por momentos esqueci as canseiras e gozei bem o lado bom destes duríssimos sábios do Politburo (com a excepção deste jansenista mendicante, que nada tem de sábio e há muito esconjurou toda a dureza). Brindámos à noite fresca e ao Tejo que estava lindo.quarta-feira, 25 de julho de 2007
Chinesices: Pos-modernismo com acne
Um suave tratamento de pomada, e a casmurrice adolescente passa... LERterça-feira, 24 de julho de 2007
Olissipografia Alternativa: Mitilene em Lisboa

Vai a pessoa passear com os catraios e dá de caras com este despautério bem no centro de Lisboa. Onde será? (Olissipógrafos de serviço, uni-vos!). Mal refeito deste franchising «lilás» (não bastava o Memorial Bar?), corri a tapar os olhos dos catraios, e a implorar à Providência que transforme esta Gomorra em estátuas de sal. Espero que a Providência não me indefira.segunda-feira, 23 de julho de 2007
Iberismos e inexactidoes: uma replica
Numa muito descontraída (e, ao menos da minha parte, propositadamente irónica) troca de ideias sobre o Iberismo, o Confrade Combustões promete apontar-me algumas «inexactidões», e mais, inexactidões «consideráveis». Seguem-se várias considerações judiciosas e pertinentes, e concordo com todas. Sucede, todavia, que julgo que a promessa ficou por cumprir. É que aquilo que o Confrade enfatiza é, na essência, que os espanhóis são incorrigíveis, que sempre conservarão no espírito a sua visão hegemónica e sempre desprezarão esta aberração geográfica que, aos olhos deles, Portugal constituiria. Tendem a ignorar-nos ou a desprezar-nos, em suma (com algumas raríssimas excepções).Mas isso parece-me bem evidente, não sofre contestação, e é o produto natural dos tempos em que se ensinava a história pátria nos bancos dos liceus: enaltece-se as glórias mais ínfimas e ignora-se os embaraços, aproveita-se o que soe mais inequívoco e descarta-se o que o não seja. Nos bancos dos liceus ouvi muitas vezes afirmado e insinuado que os espanhóis são uns fracos, e dava-se o exemplo de Aljubarrota; só muito mais tarde ouvi, sussurradas, algumas alusões às venturas e desventuras da invasão de Madrid pelo Marquês das Minas, em 1706. Cada país aproveita o que pode, e chama-lhe (ou chamava-lhe, já não sei) «História Nacional». Portugal nunca ficou atrás de Espanha na exploração aguerrida dessa «releitura do passado», e por isso em matéria de «inexactidões»...
Não vejo, pois, qualquer incompatibilidade entre o que o Confrade afirma e aquilo que eu, algo jocosamente, sugeri acerca da burguesia madrilena que desdenha já de andar de SEAT e tem de «conquista» uma noção estritamente concupiscente.
Gostava de sublinhar, porque absolutamente justas, três conclusões que tira: a Espanha não tem irmãos (em política, e em política internacional, a noção de fraternidade sempre foi sui generis); o Integralismo foi, com raríssimas excepções, uma colecção de diletâncias líricas que tinham o azar de não rimar, e uma dolorosa demonstração de insuficiência historiográfica de uma geração inteira (mais uma típica vítima das ideologias); o Iberismo é uma fraqueza interna – e já agora, permita-me também, é também fraqueza o anti-iberismo, nas actuais condições de irenismo sibarítico em que soçobrou «la movida» na Meseta...
Iwo Jima
Tinha que ser: vi-os uns meses depois de todo o mundo, e ao contrário de todo o mundo preferi a «versão americana» à «versão japonesa». Claro que a versão japonesa é mais elaborada, mais convencional, mais ornamentada (com os seus artifícios subliminares, como o de privilegiar a ética dos japoneses mais ocidentalizados – nas reminiscências e até nas feições), mas é a outra que conta especialmente bem o que é a guerra: um esforço sanguinolento que faz da verdade a sua primeira vítima, e por isso erige descaradamente os seus memoriais de mentiras para se justificar e perpetuar.
A Zita que nunca devia ter saido do Porto...
No fim de semana, um acesso de curiosidade mórbida (ou terá sido um lapso de masoquismo?) pôs-me a ler Zita Seabra. Um horror, uma redacção infantil, monótona, repetitiva, cheia de auto-comiseração e de muito estalinistas «recomposições» do passado, um panorama rebarbativo do mais organizado esforço de morte da inteligência até hoje importado para o nosso país.Deprimente, muito deprimente, recordar o assalto neo-esclavagista daquela gente medíocre e taciturna, daqueles figurões sem alma. Talvez recomendasse a leitura ao meu pior inimigo (se me recordasse do nome dele), ou então como purgante para cidadãos desmemoriados que não sabem, ou não lembram, em que direcção partia, há trinta e tal anos, a estrada da servidão.
sábado, 21 de julho de 2007
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