O novo Ashram minimalista

domingo, 24 de junho de 2007

Como as cerejas...

Paco de Lucia, uma coisa conduz a outra... com Bryan Adams, Have You Ever Really Loved a Woman? (de Don Juan de Marco).

Hokusai, 36 vistas do Monte Fuji




O resto AQUI.

Camaron de la Isla & Tomatito

Às vezes, quando me dá para ouvi-los, penso que vivemos em planetas diferentes, e não numa mesma península: a alma do Flamenco.

Camaron de la Isla & Paco de Lucia

Para fazer pendant com os simbolos de Combustoes

sábado, 23 de junho de 2007

Regressando a Edo (a futura Toquio, a partir de 1868)

Hiroshige's One Hundred Famous Views of Edo, a colecção completa das 118 gravuras, abundantemente explicadas, no Brooklyn_Museum.




Amazing Grace

Amazing Grace: uma versão inspirada de Aaron Neville, e tudo sobre o hino AQUI.

Poemas da Grande Guerra

In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place, and in the sky,
The larks, still bravely singing, fly,
Scarce heard amid the guns below.
+
We are the dead; short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.
+
Take up our quarrel with the foe!
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high!
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.
+++
IN FLANDERS FIELDS, John McRae.

Poemas_da_Grande_Guerra

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Clint Eastwood, Diana Krall, Why Should I Care?

Les Copains d'Abord

(Re)vejo-os a preto e branco, crianças inodoras e emudecidas fitando atentamente uma câmara – os medos, os sonhos, as alegrias e as impiedades muito tenuemente associadas, no meu espírito, àquele turbilhão de vida congelado e eternizado, eu que quase juraria ouvir ainda o eco chilreante na topografia daqueles sorrisos imaculados.
Quando nos reencontrámos muitos traziam essas fotografias, como se quisessem comprovar as diferenças; eu dispensei isso, sabendo de antemão o impacto que causaria a profunda metamorfose dessas crisálidas casualmente agregadas sobre a gravilha ensopada das manhãs de Outono, agora, tantos anos volvidos, adensadas com o peso de trajectórias pessoais muito alongadas e centrífugas, despida a bata e o uniforme, adquiridos os vícios, as manias e as máscaras, sulcados os primeiros vales naquela topografia facial.
Lembro-me do espanto que muitos manifestaram de reencontrarem o seu colega «marrão», uma criança tímida e esquiva, transformado num homenzarrão de voz cava e barba rija, muito físico tanto na sua ironia truculenta como no seu afecto, muito ágil nos seus passos, inesperadamente irreverente.
Eu espantei-me também com muitos, mas mais pelos seus destinos do que pelas aparências – como algumas promessas seguras tinham sido relegadas pela Roda da Fortuna, e outros tinham vencido contra a improbabilidade (dois deles estão entre os cem mais ricos do país); como tantos tinham acabado comunistas (triste geração, a minha) e uma mão-cheia ficara com os miolos «torrados» com a droga; como tantos tinham feito das suas vidas experiências muito significativas e interessantes – cientistas, músicos, pintores, líderes cívicos – sem soçobrarem ignobilmente na servidão do vil metal; como em quase todos tinha ficado viva a chama da excelência e da superação, uma chama que se ateia na infância – ou nunca.
Lembrei-me deles também porque o Sol regressou, e porque quando os vejo nas fotos a preto e branco sei imediatamente que o que lhes falta é o calor do Sol, aquele calor que ainda é mais tórrido quando se é criança e se passa horas a fio em corridas sem destino sobre a gravilha ensopada.

O mais classico Lou Reed

Au Revoir, Le Pen

Eclipsou-se discretamente na «vaga de fundo» de Sarko. Já não tem tempo para regressar depois da humilhação eleitoral. Nunca simpatizei com ele nem com o que ele representa – o lado mais arrogante e detestável dos fantasmas da França «petite bourgeoise» que se arroga herdeira de uma tradição de sobranceria e ódio. Mas hoje sou forçado a reconhecer que desempenhou uma tarefa útil, a de servir de contraponto a um «mainstream» soixante-huitard divorciado perigosamente de alguns problemas tão práticos e imediatos como prementes.
Sarko teve a arte de absorver essa margem ideológica, reorientando-a para um quadro geral de valores muito mais aceitável para a maioria, tornando inútil a retórica estridente e os excessos que para sempre macularão a passagem pela ribalta do grande tribuno demagogo que foi Le Pen.

Lou Reed, BBC, e um dia perfeito

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Bate a nostalgia: Patti Smith, Because the Night

Bate a nostalgia: The Stranglers, La Folie

Na TIME desta semana


Na TIME, uma sucessão de artigos formidáveis sobre alimentação. Destaque para hábitos culinários na Galiza «profunda», e para a arte do Kaiseki em Kyoto.




E agora para algo muito melhor...

A minha música favorita de Diana Krall.

Entretanto, em Gaza 3

Justiça poética: Hamas rouba a medalha do Prémio Nobel da Paz (aquela invenção norueguesa) que fora atribuída a Yasser Arafat.
Como bem se observa no Wall Street Journal:
"The deeper lesson here is that a society that has spent the last decade celebrating suicide bombing would inevitably become a victim of its own nihilistic impulses. This is not the result of Mr. Bush's call for democratic responsibility; it is the bitter fruit of the decades of dictatorship and terrorism as statecraft that Yasser Arafat instilled among Palestinians." LER

Entretanto, em Gaza 2

Curiosamente, em 13 de Agosto de 2005 o Boston Globe defendia uma opinião diametralmente oposta quanto à retirada de Israel:
"SOME ISRAELIS protesting the planned pullout from Gaza settlements are using scare tactics that are too common in the Mideast. ''A Jew-free Gaza welcomes Al Qaeda," shouted one banner at a massive rally in Tel Aviv on Thursday. Even some political leaders who should know better are fanning the flames. But to argue, as Benjamin Netanyahu did in resigning from the Cabinet, that disengagement from Gaza would create ''a giant base for terrorism" is to argue that there should never be a two-state solution to the conflict. Denying Palestinians a homeland has been counterproductive for both peoples. Denying them even the hope of a homeland would be a road map to war everlasting. Another protest frequently voiced by the Israeli right is that the withdrawal, scheduled to begin on Wednesday, only rewards Palestinian militants for the second intifadah -- five years of attacks and other violent resistance to Israeli control. But this stance is backward-looking and self-defeating. It encourages Palestinian hard-liners to make the mirroring argument: that any moves toward a lasting peace by Palestinian leaders only reward Israel for its occupation. Taken together, these positions are also a prescription for eternal strife." LER
+++
Gente séria no Boston Globe!

Entretanto, em Gaza 1

No Boston Globe:
"The Hamas campaign to eradicate Fatah from Gaza is certainly not the sole cause of Gazans' misery. They long suffered from Israel's suffocating occupation, and then from Ariel Sharon's foolishly unilateral withdrawal in 2005, a move that allowed Hamas to bid for power with the misleading claim that its rockets and suicide bombings had driven Israeli soldiers and settlers out of Gaza." LER
+++
Perdão? Israel é culpado de ter ocupado e de ter terminado a ocupação – e o povo palestiniano não é senão um universo de puras vítimas inocentes? Alguns são-no, mas eu ia jurar que foi uma maioria de adultos palestinianos que deu uma vitória eleitoral ao Hamas...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Jorane & Convidado

3. Há qualquer coisa de irresistível (para o meu gosto) numa mulher bonita a tocar violoncelo.
___________________
1. Aqui há uns anos, vi um dos meus violoncelistas de referência, Eric_Longsworth, desfavoravelmente comparado a outra violoncelista, a canadiana Jorane (& cit.).
2. Por coincidência, uns tempos depois vi-a, a horas mortas, num desses canais perdidos da TVCabo (Muzzik, ou Mezzo, ou ARTE), e foi o «coup-de-foudre».
3. ....... (ver supra).
4. Então se ela tem um talento transbordante…
5. Aqui vai uma amostra, o bardo yankee e a ninfa canuck, num dueto de mágicas entoações celtas.
___________________
6. Enjoy!

East meets West: o melhor cartao de visita do Dalai Lama – de sempre!

East meets West

In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree :
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.
[...]

[...]
That sunny dome ! those caves of ice !
And all who heard should see them there,
And all should cry, Beware ! Beware !
Weave a circle round him thrice,
And close your eyes with holy dread,
For he on honey-dew hath fed,
And drunk the milk of Paradise.


Samuel Taylor Coleridge, Kubla Khan

segunda-feira, 18 de junho de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

A Pound of Joyce (*)

"Now let awhile my messmates be
My ponderous Penelope
And my Ulysses born anew
In Dublin as an Irish jew.
With them I'll sit, with them I'll drink
Nor heed what press and pressmen think
Nor leave their rockbound house of joy
For Helen or for windy Troy"
______________
James Joyce para Ezra Pound, 24 de Julho de 1917
(apud Richard Ellman, James Joyce, Oxford, OUP, 1982, p. 416)
______________
(*) Para mitigar a queda_em_desgraça...

Sim, Contra Joyce

Pergunta a Consoror Charlotte o que significa ser «contra» Joyce:
"Significa que, no caso de Joyce, teria sido benéfico se não tivesse escrito Ulysses, por exemplo?
Significa que se Joyce não tivesse existido, a literatura contemporânea seria melhor?"
+++
Surpreendo-a decerto respondendo afirmativamente à primeira, e negativamente à segunda. Melhor seria, para o meu entendimento do processo cumulativo que é o cânone literário ocidental, se Joyce não tivesse escrito Ulysses, e menos ainda a ininteligível mistificação, com laivos de onomatopeia interminável, de Finnegans Wake. Dispomos de uma atenção limitada e de recursos escassos para tirarmos proveito cultural da literatura (começando pelo tempo finito). Há obras que são uma pura perda de tempo, e estas duas de Joyce (mas não algumas anteriores) são, in my humble opinion, perdas de tempo (nem consigo por empatia penetrar no processo mental que permite a alguém «engrenar» no stream of consciousness do Ulysses, ou perceber a barragem de alusões locais e intraduzíveis, ou os tiques e private jokes, talvez nem mesmo um contemporâneo irlandês habituado à vizinhança da Martello Tower). Excepciono o monólogo de Molly Bloom, e mesmo esse ganhava em ser menos deselegante, a crueza fá-lo soar (aos meus ouvidos, claro) inautêntico.
+++
Que quer, Consoror, são gostos, e nesse ponto não consigo seguir os panegíricos anglo-saxónicos a propósito de James Joyce.

sábado, 16 de junho de 2007

Contra Joyce

A propósito de uma observação da Consoror Charlotte, ao ler - tentar ler - Joyce ocorre-me a certeira observação de um contemporâneo dele, infinitamente mais talentoso, referindo-se ao escárnio velado que era dirigido a Henri Bergson pelos «modernistas»: "On préférait à Bergotte, dont les jolies phrases avaient exigé en réalité un bien plus profond repli sur soi-même, des écrivains qui semblaient plus profonds simplement parce qu'ils écrivaient moins bien" - Marcel Proust, Le Temps Retrouvé (À la Recherche du Temps Perdu, Paris, Gallimard – La Pléiade, IV, 472).
P.S.: Sobre Martha C. Nussbaum e «shame & disgust», é imperativo ver a síntese da própria, no vídeo AQUI.

Grande talento, moderadamente petulante: as Memorias de Jose Hermano Saraiva

Devorei em poucos minutos, e sempre deliciado, o primeiro fascículo das memórias de José Hermano Saraiva, e fico impaciente a aguardar o seguimento. O tom confessional e a sabedoria crepuscular não conseguem recobrir alguns curiosos efeitos de auto-referência – nomeadamente dois ou três «lapsos de petulância», sob forma de auto-elogio, depois de um acto de contrição motivado pela denúncia dessa mesma petulância.
Mas o talento, esse, transborda como sempre, sentimentalizando comovedoramente velhas turbulências de que sobrevive, em relance distante, apenas a doçura da saudade e a elegância da conciliação.
E claro, como se impunha, o reconhecimento da dívida ao gigante intelectual – e até moral, se considerarmos que só há grandeza moral onde tiver havido tentação e pecado, tensão entre luz e sombra – que foi o irmão António. Afinal, ambos frutos de uma espantosa coincidência de «nature» e «nurture», duas invulgares clareiras no mesquinho matagal da nossa mediania (de «nature» habitualmente pouco generosa e de «nurture» quase sempre ausente).

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