O novo Ashram minimalista

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

The Shadow of Your Smile

Flashes proustianos

Passo na escuridão por São Pedro de Alcântara e na rádio «O Bairro do Amor», de Jorge Palma. O que essa música me evoca, uma verdadeira madalena proustiana! Momentos depois, vou a subir a Rua das Amoreiras e lembro-me de um bar manhoso que havia por ali, agora uma loja de tecidos, e chegam-me à memória umas cenas muito tresloucadas da minha adolescência. Um sorriso espontâneo assalta-me, e dialogo em surdina comigo mesmo. Cansado, cansado, nem reparo que já chegou o sinal verde, e buzinam atrás de mim. Estaciono e, sem razão aparente, outra madalena proustiana – o cheiro a guache, daquelas bisnagas de azul ultramarino e dos pincéis com um cheiro ligeiramente fétido a argila molhada, quando eu os apertava com os dedos debaixo da água a correr e parecia que a tinta nunca mais acabava...

Notícia: BOMBA INTELIGENTE passa-se para a concorrência

Sobre a Esfera do Mundo: uma Exposição

Uma fantástica exposição, anunciada AQUI: A não perder!


Altura de trocar de carro...


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Hei-de ler

(a ver se entendo o carisma...)

Para adormecer suavemente

Vai por mim que sou barbeiro

Hoje, falando com um colega mais novo aqui da C+S do Fogueteiro, ouvi lamentações e mais lamentações quanto à sobrecarga de trabalho. Pois é, repliquei, mas se não aceitamos tudo o nosso trabalho não é minimamente reconhecido (não digo justamente, digo minimamente), e por isso temos que ir a todas, avançar para o combate.
E o tempo? O tempo arranja-se, sei detectar uma pessoa organizada a léguas, é aquela que domina a rotina e não se deixa dominar por ela.
Quando começamos o caminho tudo parece tão distante! O segredo está em descobrirmos que o que parece distante está mesmo distante, e nenhum caminho se faz sem persistência e sem cansaço. Mas que valor daríamos às coisas se as tivéssemos todas perto?

Problemas no Quénia de antanho

Preparando mais uma viagem à contra-costa...

Noites sem chuva



Para curar do «rebolado» da Cláudia Leite, vim cá fora apanhar ar...
(clicar para aumentar imagens)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Dedicado às «Mães de Bragança»: Deixa Isso Pra Lá

Subsídio de renda

O Governo atribui um subsídio a quem conseguir arrendar um T3 por menos de metade do preço pelo qual se arrendam quartos. E vai, já agora, dar um juro bonificado a quem conseguir comprar o Palácio Sommer por menos de 100 mil euros.
(Na foto, uma vista invulgar para a Senhora do Monte - clicar para ampliar)

Maracangalha

Quase pronto!


Provas de mar dentro de poucas semanas!

Na morte de Alain Robbe-Grillet

Três Notas:
1) Não, a vida, ao contrário do romance, tem mesmo um fim;
2) Sim, esse fim não faz sentido;
3)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Descobri um Mestre, um Verdadeiro

Não é todos os dias que fazemos descobertas assim, mas esta deixou-me rendido: Göran Söllscher, um virtuose (reparem na forma imperturbável como se desincumbe das passagens mais difíceis). BRAVO!!!!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O que eu penso dos parlamentos (nem mais nem menos)

Igual em toda a parte, não é?
(Já agora: porque é que já não se fazem filmes assim?)

Art of Noise

Imagens do novo Ashram (acanhadote, não?)



Geração de 70: uma visão íntima

Ao ler a diatribe do Confrade Combustões contra a Geração de 70 (AQUI) ocorre-me a máxima salazarista, «choraremos os mortos se os vivos os não merecerem».
Concordo na essência com o que diz, que a Geração de 70 é um quisto demasiado proeminente na goela portuguesa para nos deixar digerir projectos de identidade cultural sem nos fazer doer a deglutição.
Não devíamos chorar esses mortos, porque nessa veneração demasiado longa a um decadentismo entediado avançámos às arrecuas por todo o século XX, fascinados com o tom sépia desse talentosíssimo fogo fátuo colectivo. Ainda hoje reverbera, sem dúvida, é um notável caso de histerese (de persistência de efeitos quando as causas já lá vão). E nisso faço acto de contrição, no meu espelho intelectual revejo-me demasiado «fradiqueiro», arrogante e xenófilo – demasiado indisponível para buscar novos pontos focais nesta coisa que é ser português (se é que há tal coisa).
E no entanto devemos chorar esses mortos, porque, como sempre sucede na história das ideias, não há verdadeiras heranças, há uma apropriação criativamente adulteradora, e nessa os que vieram depois da Geração de 70 evidenciaram uma espantosa inépcia, uma total astenia mental, nada mais acrescentando do que uma réplica ainda mais oca do que o original – eu sei que a tese do Confrade Combustões é a de que isso se deve à doença implantada pelo Grémio «fin de siècle».
E no entanto... talvez não devamos chorar esses mortos, porque eles representam a forma mais rematada de nos iludirmos quanto à nossa condição culturalmente periférica, que podia ser salutarmente resgatada por uma apologia de tudo o que é periférico (como o têm feito, com o mesmo mar e o mesmo Sol mas sem a poeira e as grilhetas, os californianos, por exemplo), mas nos talentos daquelas cabeças iluminadas se tornou a glossolalia do colbertismo livresco.
Hesito... choramos ou não choramos... por mim, fico-me talvez por «amarfanhantes desilusões escapistas» (que bela frase!), como é próprio num Ashram, e do banho lustral da minha persistente recusa de falar de um «país político» não sai uma lágrima pelo talento daqueles que, caricaturando-o, o colocaram num ponto demasiado central da consciência cultural, ajudando os «literatos» a exercerem por tempo demasiado, mesmo depois de despejados dos cafés, o seu ascendente platónico sobre os homens de ciência (proverbialmente tidos por analfabetos), sobre a «quinta coluna» clerical e, encarniçadamente, sobre aquela gente bisonha que tinha a desdita de viver fora de Lisboa.
Tem imensa razão, também, o Confrade Réprobo nas ressalvas pontuais que faz (AQUI), embora a meu ver as partes benignas do legado não cheguem para uma nota global positiva; mas isso sou eu a tentar esforçadamente deglutir esse «bouquet» muito variegado de talentos que sinto por vezes que me tolhe o discernimento sobre a nossa identidade cultural, que, insisto, a faz mais ridícula do que ela certamente é, que fecha inutilmente as persianas ao nosso mar e ao nosso Sol californianos, que desaprendeu a «joie de vivre» e se arrasta molemente com referências fanadas à lapela (também nisso tem razão o sempre oportuno João Gonçalves (AQUI), eles tiraram o retrato apenas, eu acrescentaria que, num Dorian Gray às avessas, ficámos apegados ao retrato e alijámos tudo o resto).
Quanto às fraquezas dos homens da Geração de 70... ui, que escol haveria se sublinhássemos sempre esse «demasiado humano»! Não há grandes homens para os «valets de chambre» que os viram de camisa. Nisso eu chorá-los-ia, porque foram muito humanos, nas suas grandezas e misérias, e não precisaram de altares e de dourados e de memórias selectivas para lhes venerarmos ainda hoje o talento.
Gente execrável? (LER) Não nego, mas foi esse o preço a pagar para que sobre as suas campas nos deleitássemos nestas reflexões agridoces, neste esbracejar dentro de uma crisálida ainda inundada da luz que nos emprestaram com as suas combustões pessoais – a forma mais dilacerante de «vencer a lei da morte», é certo, mas talvez a única acessível a leigos neste mundo sub-lunar. Falámos ou não falámos apaixonadamente deles?

Tom Waits, Blue Valentines

A minha música favorita de Tom Waits.

Enquanto esperamos pela versão de Scarlett Johansson...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Blues e tristeza

Passei há momentos diante do Cantinho da Paz e lembrei-me do meu último jantar ali, com um fantasma – um amigo que fez questão de despedir-se de mim ali, poucos dias antes de morrer, a voz trémula, macilento, o olhar do condenado. Às vezes, para me torturar a mim mesmo, sinto que vou reconstituir a conversa que tive com ele, mas desvio sempre no último momento o meu pensamento para coisas menos doridas. Hoje lembrei-me do bafo quente da noite de verão feitas as despedidas, e de como, com outro dos convivas, pronunciámos breves frases a confirmar mutuamente o nosso horror, e de como subimos penosamente em silêncio a Calçada da Estrela. Hoje subi de carro e no leitor de CDs ia a passar este blues – um monumento de simplicidade e de espontaneidade; deixo-o aqui a resgatar uma segunda vez a minha tristeza.

Tem que haver urgência

Quando estamos pressionados de tempo, um mês passa num dia. Às vezes interrogo-me como é que as pessoas enchem tanto os seus dias de rotinas que nem sentem o tempo a pressioná-las. Depois lembro-me de que as pessoas com os dias mais preenchidos são as que normalmente menos realizam, imersas que estão no efémero, cheias dele, afogadas nele. Para fazer coisas que fiquem é preciso sair-se da rotina e sentir-se o tempo a avançar.

Sublime

Um quadro de Isabel Botelho.

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