O novo Ashram minimalista

terça-feira, 31 de julho de 2007

Verao Jansenista: descobrimos este anuncio da Schweppes na Al Jazeera (recordar e viver)

Verao Jansenista: living la vida loca (nas Florida Keys)

Um despertar bombastico

Isto temos cada surpresa: hoje a Consoror Charlotte ia-me desregulando o pacemaker com a foto infra. Obrigado, mas não merecia tanto. Em modesta retribuição, e como me lembrei das sábias e ardilosas palavras do mestre "as feias que me perdoem mas beleza é fundamental", aqui vai a minha música favorita desse mestre, e uma música bem epicurista e estival. Saravá!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Verao para bloguistas borguistas 4

Verao para bloguistas borguistas 3

Verao para bloguistas borguistas 2

Verao para bloguistas borguistas

Teoria e pratica para monarquicos

Curiosas reflexões sobre acção e contemplação, «imersão existencial» e diletantismo – reportados à pequena ilha social dos monárquicos, AQUI e assinaladas AQUI.
Lembra-me o dilema de Karl Marx, denunciador da filosofia contemplativa e crepuscular de Hegel, e ele próprio denunciado pelos revolucionários e socialistas «utópicos» como não mais do que um intelectual contemplativo, um diletante.
Talvez não haja solução para essa tensão dilemática, entre a perspectiva dos «operacionais» que preferem a prática mesmo que arriscando a cegueira, e a dos intelectuais que privilegiam a teoria, mesmo a que acarreta a esterilidade. Talvez sejam ambos necessários, ou mais ainda necessária a tensão que os divide.


Quebrou-se o setimo selo: Ingmar Bergman, R.I.P.

Ferias ferias

A responder a dezenas de e-mails atrasados, a abrir uma pilha de correspondência «não-prioritária» acumulada, preparando-me para as primeiras férias de descanso efectivo dos últimos anos. Já escolhi meia-dúzia de livros, daqueles para saborear lentamente. Que importa se em Setembro já há inferno prometido? Este Agosto vingo-me!

Um regresso ao Lago Villarrica

Mulheres de Atenas

Silly season: o momento «Lost in Translation» de Pat Metheny

Silly season: o lado «corny» de Pat Metheny

Livros A NAO LER no Verao



Três livros fascinantes, em especial o segundo, Haunts.... Mas para quê, quando temos a matéria-prima a torrar-nos os pés ou a gelar-nos o peito? A literatura é um sucedâneo para a vida, não é saber de experiência feito. São três livros a ler no pino do Inverno, em plena privação.

domingo, 29 de julho de 2007

O Carmelo Junipero Serra




Andámos a estudar este Ashram franciscano em Carmel, CA.
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"Portola established the Carmel Mission (under the direction of Father Junípero_Serra) and presidio (still standing) in Monterey. In 1775, Monterey was made the Capital of Alta California and it remained so through Spanish, Mexican and independent California rule until American statehood took effect in 1850.
[...]
Steinbeck was hardly the only cultural figure attracted by the beauty, silence and seclusion of the Central Coast. A century before, Richard Henry Dana and Robert Lewis Stevenson (who patterned the coastline of Treasure Island after those of Carmel Bay and Point Lobos) had settled there. Jack London, Isadora Duncan, Henry Miller, Ansel Adams, Edward Weston and Jack Kerouac all lived in the area at various times. Something in the fog air of the coast has had an attraction for spiritualists and self-development movements, as well. Theosophical Society founder Madame Blavatsky was followed, in later years, by the Esalen Institute, the Tassajara Zen Center, hippies, New Ageists, and many others centered in Big Sur to the south of Carmel
."
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Não é a Misión de San_Juan_Capistrano com as suas lendárias andorinhas, mas é mesmo assim um local austero e meditativo... Compro!

Butterfly House, Carmel, California





sábado, 28 de julho de 2007

Metempsicose 2




Metempsicose




Sonhei que na próxima reencarnação viveria num local de sonho, num país de sonho – por exemplo, numa casa nas margens do lago Villarrica, no Chile, ou numa casa com vistas para o vulcão Villarrica.
Parece afinal que uma parte do sonho é já visualizável: admiremos esta casa no Lago Panguipulli, com vista para o Vulcão Villarrica. Tudo irrealmente belo e sereno, começando pela biblioteca ao ar livre... (mais AQUI).

Lai-la-lai: pura nostalgia

Se ela casar mesmo assim...

A uma amiga minha que pensa casar no Norte – quem te avisa...

Roma

Esqueceu o Baedeker? Não há problema, tente uma viagem guiada pela Roma alternativa (a que se encontra livre do turista em cuecas ou em topless). Bon voyage!


O Ashram em livro: reflexoes a proposito de uma gentileza do Reprobo

Agradeço a gentileza do Confrade Réprobo, que queria ver o Ashram vertido para livro, mas pode imaginar que nada estaria mais longe dos propósitos desta austeridade anti-glorificadora que se consome na espuma dos dias.
Mais a sério, entendo que os blogues não dão para livros, nem os mais talentosos. Se algum é feito ou mantido com esse escopo, nota-se: começa a espelhar uma certa solenidade e uma certa monotonia temática, como se quisesse alinhavar capítulos, e o leitor, volátil e episódico, cansa-se (há tanta coisa de qualidade, divertida, colorida, a disputar a atenção que não é sustentável prosseguir-se, neste meio, com essa demanda perseverante).
Já escrevi vários livros, e sei bem que o registo é necessariamente muito diferente, envolve uma dolorosa monomania e um diálogo interior e sombrio (fotofóbico?) que explica a coesão com que, num rompante final, a obra surge acabada (as «minas» de que fala a Consoror Charlotte, finda a travessia das quais o livro aporta às margens da luz, na expressão antiquíssima de Lucrécio).
Aqui o propósito é diferente, é frívolo a maior parte das vezes, é vagamente dialogante, é descontraído, não procura a coerência por si mesma nem a congruência inter-temporal, nem um curso demonstrativo ou narrativo que sirva de alicerce a uma consumação artística ou intelectual.
Quem quer passar de um blogue para um livro fá-lo-á porventura por narcisismo, porventura por inexperiência autoral. Mas fá-lo decerto pela velha, mas sempre renovada, «falácia romântica» que presume que há criatividade na ostentação do pequeno amontoado que é a nossa subjectividade, medindo-se o valor de um livro apenas pela espontaneidade – e até, se possível, pela falta de artifício – com que se partilha essa «verdade interior».
Isso reservo-o aqui para o Ashram, é certo, mas não parto daí para julgar que haja, nem remotamente, matéria-prima publicável, preso que estou ainda de um cânone pré-romântico que insiste, muito severamente, que a subjectividade do artista não deve ser o objecto da sua própria arte. O Ashram fala obliquamente de mim, com a ironia e ligeireza a que me habituei a falar de mim; nunca deixaria que um livro o fizesse.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Oportunidades para melhorar 2

Ortotanásia, distanásia, eutanásia, sedação paliativa, encarniçamento terapêutico, autonomia e dignidade do paciente, e tantos, tantos outros assuntos. Na secção de debate solta-se uma avalanche de casos horríficos, de testemunhos pessoais, histórias de sofrimento e coragem. Quase parece terapia colectiva, e no debate acalorado pelas minhas provocações surge, surpreendente, uma convergência de valores e perspectivas. Saio um bocado abalado – vendo aqueles rostos jovens quem diria um tal somatório de sofrimento e de perda? Mas saio feliz, aprendi coisas, pus gente a falar e a debater, há coisas de que temos medo de falar – mas que depois de ditas ficam exorcizadas e nos aliviam.

O meu momento favorito nos Marretas

Ainda uns dias para as ferias

Para o Réprobo: um calypso estival, com umas pequenas bem ao seu gosto. Aqui o Ashram ainda está aberto mais uns dias, e depois retira-se por um mês.

Oportunidades para melhorar 1

Ontem, antes do jantar eufórico, um almoço recatado com um pastor evangélico, a contar-me as grandezas e misérias do múnus espiritual dos confins de Angola. Falei-lhe da conferência de hoje, e ele retorquiu-me que dor e miséria é o seu quotidiano, e que isso nunca o fez perder a fé, e que é a fé que anima os cristãos naquela última e decisiva fronteira. Um homem simples, pobre, e nobre; no sorriso rasgado vê-se a sabedoria, nos gestos a ternura e o ardor do sacerdócio, no silêncio uma resignação intimamente reconciliada.
Bombardeei-o de questões, de curiosidade genuína, e ele, admirado pela relevância do seu pequeno mundo para alguém tão distante, respondeu minuciosamente. Pontos altos: os rituais funerários no Sul de Angola, a sua visão africana de Cristo.
No fim, agradeceu-me muito humilde e calorosamente o almoço que eu lhe tinha oferecido. Bom homem, nem percebeu que no que verdadeiramente interessa era ele que mo tinha oferecido.

Nothing more than feelings

Na Virgula

Jantar de encerramento de actividades do Politburo do Comité Central, apenas os duros dos duros, 9 homens e uma senhora. Na Vírgula, ali ao Cais do Sodré, vista lindíssima mas muitos maneirismos de nouvelle cuisine, coisa vagamente irritante. O animador-mor resolve dar espectáculo, e nas mesas ao lado fica tudo parado, boquiaberto, a ver e a ouvir (só estão habituados a vê-lo nas homilias da TV). Estava imparável, rebelde e satânico, demolidor como nunca, foi tudo raso, entre gargalhadas. Mesmo os mais velhos não resistiam e deitavam achas para a fogueira. Provámos quatro tintos de quatro países diferentes, e venceu, a grande distância, um argentino, de Mendoza. Agora férias, vamos a isso, ali por momentos esqueci as canseiras e gozei bem o lado bom destes duríssimos sábios do Politburo (com a excepção deste jansenista mendicante, que nada tem de sábio e há muito esconjurou toda a dureza). Brindámos à noite fresca e ao Tejo que estava lindo.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Chinesices: Pos-modernismo com acne

Um suave tratamento de pomada, e a casmurrice adolescente passa... LER

One-Hit Woman: Tracy Chapman, Fast Car

Chinesices: Seneca Redux

Novas Cartas a Lucílio? LER

Um imitador de Paul Galbraith

Chinesices: Arts & Letters Daily, um panegirico

O panegírico. E o oásis: ALD.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Olissipografia Alternativa: Mitilene em Lisboa


Vai a pessoa passear com os catraios e dá de caras com este despautério bem no centro de Lisboa. Onde será? (Olissipógrafos de serviço, uni-vos!). Mal refeito deste franchising «lilás» (não bastava o Memorial Bar?), corri a tapar os olhos dos catraios, e a implorar à Providência que transforme esta Gomorra em estátuas de sal. Espero que a Providência não me indefira.

Leituras: se eu tivesse mais tempo (wish list para um outro Verao)



Leituras: uma reflexao austera sobre a espuma da Ciencia

Leituras: nova enxada

Leituras: Reflexoes (pouco austeras) sobre austeridade e consumismo


Leituras: Contra o Credo Neo-paternalista das Falhas de Mercado

Leituras: em vez de perdermos tempo com a Zita...


Leituras: um prodigio intelectual...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Momentos sublimes 4

Momentos sublimes 3

Momentos sublimes 2

Momentos sublimes 1

A Europa que me interessa e comove

Iberismos e inexactidoes: uma replica

Numa muito descontraída (e, ao menos da minha parte, propositadamente irónica) troca de ideias sobre o Iberismo, o Confrade Combustões promete apontar-me algumas «inexactidões», e mais, inexactidões «consideráveis». Seguem-se várias considerações judiciosas e pertinentes, e concordo com todas. Sucede, todavia, que julgo que a promessa ficou por cumprir. É que aquilo que o Confrade enfatiza é, na essência, que os espanhóis são incorrigíveis, que sempre conservarão no espírito a sua visão hegemónica e sempre desprezarão esta aberração geográfica que, aos olhos deles, Portugal constituiria. Tendem a ignorar-nos ou a desprezar-nos, em suma (com algumas raríssimas excepções).
Mas isso parece-me bem evidente, não sofre contestação, e é o produto natural dos tempos em que se ensinava a história pátria nos bancos dos liceus: enaltece-se as glórias mais ínfimas e ignora-se os embaraços, aproveita-se o que soe mais inequívoco e descarta-se o que o não seja. Nos bancos dos liceus ouvi muitas vezes afirmado e insinuado que os espanhóis são uns fracos, e dava-se o exemplo de Aljubarrota; só muito mais tarde ouvi, sussurradas, algumas alusões às venturas e desventuras da invasão de Madrid pelo Marquês das Minas, em 1706. Cada país aproveita o que pode, e chama-lhe (ou chamava-lhe, já não sei) «História Nacional». Portugal nunca ficou atrás de Espanha na exploração aguerrida dessa «releitura do passado», e por isso em matéria de «inexactidões»...
Não vejo, pois, qualquer incompatibilidade entre o que o Confrade afirma e aquilo que eu, algo jocosamente, sugeri acerca da burguesia madrilena que desdenha já de andar de SEAT e tem de «conquista» uma noção estritamente concupiscente.
Gostava de sublinhar, porque absolutamente justas, três conclusões que tira: a Espanha não tem irmãos (em política, e em política internacional, a noção de fraternidade sempre foi sui generis); o Integralismo foi, com raríssimas excepções, uma colecção de diletâncias líricas que tinham o azar de não rimar, e uma dolorosa demonstração de insuficiência historiográfica de uma geração inteira (mais uma típica vítima das ideologias); o Iberismo é uma fraqueza interna – e já agora, permita-me também, é também fraqueza o anti-iberismo, nas actuais condições de irenismo sibarítico em que soçobrou «la movida» na Meseta...


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